No Censo IBGE de 2000, a faixa litorânea do Rio, apresentava elevados percentuais de católicos, numa extensa área no interior da cidade, composta pelos bairros de Jacarepaguá, Madureira e Abolição, o peso desses fiéis continua expressivo, entre 56% e 65%. Este padrão está presente também a maior parte de Niterói, assim como nas áreas mais urbanizadas de São Gonçalo. A esta faixa se acrescentam os bairros da Gávea, Jardim Botânico, Tijuca e Vila Isabel, onde a participação dos católicos na população se mantém elevada, entre 65% e 77%. No município do Rio, os percentuais de católicos raramente situam-se abaixo de 50% da população, o que acontece apenas em determinadas partes de Santa Cruz e Campo Grande.

Os evangélicos de missão eram menos numerosos na capital do que naos demais municípios da região metropolitana, representando respectívamente. 5,4% e 8,2% da população total.O aumento do percentual dos evangélicos de missão foi de +1,7 pontos, entre 1991 e 2000, enquanto na periferia foi de +3 pontos, um dos crescimentos mais elevados dentre as capitais brasileiras. Entre os evangélicos tradicionais havia um predomínio dos batistas, com 4,5% da população, seguidos de longe pelos adventistas e pelos congregacionais, cada um deles com 0,4%.

Os pentecostais representavam, respectivamente na capital e demais municípios, 11,3 % e 17,1 % da população total, ou seja, mais do que o dobro dos protestantes tradicionais. Entre 1991 e 2000, oservou-se que o aumento dos pentecostais se mostrou mais acentuado na periferia, +6,4 pontos percentuais, do que na capital, +4,7 pontos. Enquanto a Assembléia de Deus se mostra mais presente na periferia, a IURD se destaca no município da capital e na sua periferia mais próxima.

Além da diversidade religiosa que o caracteriza, o Rio de Janeiro é também uma cidade com um elevado contingente de pessoas sem religião. De fato, com os seus habitantes sem religião, o Rio ocupa o 2° lugar entre as capitais brasileiras, superado apenas por Salvador (18%).

O Rio é o estado onde havia, no Censo 2010, os menores percentuais de católicos (45,8%) e os maiores índices dos sem religião (15,5%) e das outras religiões (sem considerar os evangélicos, que também cresceram no estado e chegaram a 29,4%).

A razão para crer que este cenário se repetirá, em intensidades diferentes, mas na mesma direção, está no fato de o território fluminense historicamente ‘puxar’ a tendência nacional. Com base no censo de 2010, José Eustáquio Diniz, Suzana Cavenaghi – ambos professores do Instituto Nacional de Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) – e Luiz Felipe Walter Barros, do IBGE, concluíram que os estados onde há maior diversidade religiosa são os que apresentaram maior queda no número de católicos.

Segundo Diniz, o colar da região metropolitana do Rio de Janeiro – o que exclui a capital – está entre 20 e 30 anos à frente das tendências nacionais. Os números mostram que o percentual de católicos no Brasil tem alcançado os índices da região cerca de 20 anos depois. Em 1991, os católicos eram 83% no Brasil, 70% na cidade do Rio de Janeiro e 61,2% no colar da região metropolitana. O censo de 2010 revelou a existência de 65% de católicos no Brasil, 51% na cidade do Rio e 39% no colar da região metropolitana do Rio.

Rio de Janeiro1Rio de Janeiro2O estudo chega à seguinte conclusão: “Apenas pelo efeito da inércia demográfica haverá crescimento da população evangélica. Se ainda houver atração de fiéis de outras denominações, o crescimento será maior ainda. O fato de haver maior presença entre mulheres e jovens pode ser uma vantagem comparativa dos evangélicos no Brasil”, diz um trecho da análise assinada pelos pesquisadores.

Mesmo nos estados onde há menor redução dos fieis da Igreja Católica, existe a tendência de acompanhar o cenário fluminense. O ponto principal de diferença do colar da região metropolitana para o resto do país é a maior existência de evangélicos em faixas-chaves de idade. Eles se fazem presente, sobretudo, no segmento até 10 anos e nas mulheres de até 39 anos. “Essas mulheres estão no período reprodutivo e os evangélicos são em grande parte mais pobres e têm mais filhos. Se há maior presença de evangélicos entre jovens e mulheres de até 39 anos, significa que ainda vão crescer muito”, explica Diniz. O censo de 2010 mostrou que os evangélicos dessa região passaram os católicos no grupo etário de até nove anos e são maioria entre o sexo feminino até 39 anos.

No estado fluminense, o entorno da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) – a RMRJ sem a capital – é o local do país onde há o maior aprofundamento das tendências gerais das mudanças religiosas. Constituida por uma população de mais de 6 milhões de habitantes (equivalente ao 12º estado brasileiro) – já se encontra em uma situação de “empate técnico” entre católicos e evangélicos, além de uma grande proporção de pessoas que se declaram sem-religião, no ano 2010. Mas a novidade é que entre os jovens, os evangélicos já são maioria no colar metropolitano do Rio de Janeiro.

Por exemplo, três grandes municípios que já apresentaram mudança na hegemonia religiosa, em 2010, foram Nova Iguaçu (com 796 mil habitantes) que apresentou uma percentagem de 33% de católicos, 36,9 de evangélicos e 21,2% de sem religião; Duque de Caxias (com 855 mil habitantes) que estava com 35% de católicos, 36,8% de evangélicos e 20,3% de sem religião; e Belford Roxo (com 469 mil habitantes) que apresentou 32,5% de católicos, 37,1% de evangélicos e 22,7% de sem religião.

No Censo IBGE de 2000, Vitória, com 63,6% de católicos na população, era uma das capitais brasileiras analisadas nesta pesquisa que representavam um dos menores percentuais de católicos. Com uma perda de -11,4 pontos percentuais, entre 1991 e 2000, o declínio teve início nos anos 1980, continuou a ocorrer num nível relativamente elevado. Os maiores percentuais de católicos, em Vitória, são encontrados nos bairros que se localizam na orla oceânica, do Jardim Camburi, no norte da cidade, até Santa Helena, no sul da capital, onde representam de 71% a 66% dos habitantes.

Com cerca de 25 000 fiéis, os evangélicos de missão representavam 8,3 % da população de Vitória, o que a colocava em primeiro lugar, percentualmente, entre as capitais brasileiras. Observa-se, no entanto, que, no período de 1991 a 2000, seu crescimento foi moderado, apenas +2 pontos percentuais. Dentre as religiões que integram o grupo dos evangélicos de missão, os batistas são os mais importantes, com 4,9% da população, seguidos, de longe, pelos adventistas, que reúnem 1,4% de fiéis.

Vitoria1Vitoria2Com 38 000 adeptos, que correspondiam a 13% da sua população, Vitória se situava em quinto lugar entre as capitais brasileiras, quanto à importância dos evangélicos pentecostais. Verificou-se, inclusive, um forte aumento desse grupo religioso entre 1991 e 2000, período em que sua porcentagem passou de 7,7% a 13%, o que significou um ganho de +5,3 pontos percentuais.

Estavam mais presentes em Cariacica, com percentuais entre 21% e 30% da população, à exceção do Centro, onde são menos importantes. Esta tendência de localização na periferia é visível também em Vila Velha e em Serra, já que os pentecostais chegavam a representar, em alguns bairros, mais de um quarto da população.

Apesar de a Assembleia de Deus ser a mais importante das igrejas pentecostais, com 7,5% dos habitantes, a região metropolitana de Vitória apresentava a peculiaridade de ser a capital brasileira onde a igreja Cristã Maranata tem em termos percentuais, a sua maior número de adeptos, 5,3% da população.

O número de evangélicos que vivem no Espírito Santo dobrou na última década: em 2000, eram 850.442 mil pessoas, e conforme o Censo 2010 o total chegou a 1,67 milhão. Considerando-se as últimas duas décadas, a quantidade de pessoas que se declaram protestantes no Estado triplicou: em 1991, eram 448.053. O crescimento de fiéis nas igrejas evangélicas registrado no Espírito Santo fica acima, inclusive, da média nacional.

Além dos números absolutos, a pesquisa também apontou que a cidade onde se concentra o maior número de protestantes é Vila Velha, com 30,06%. E as mulheres são a maioria entre os membros das igrejas evangélicas, com 64,60% do total. Dos cerca de 1,67 milhão de evangélicos capixabas, 55,2% são de igrejas pentecostais.

O Espírito Santo e a região da Grande Vitória apontaram uma diminuição razoável no número de terreiros de candomblé entre os anos 2000 e 2010, uma realidade inquietante diante de números já muito baixos se comparados aos outros estados do Brasil. A primeira observação plausível advém de que esta religião caminha em contra fluxo com as religiões protestantes, contudo esse movimento ocorre em todo país.