Recentemente recebemos a informação que um Banco no Brasil, está patrocinando o acesso a seu conteúdo. Explicamos: o Banco, em parceria com as operadoras de telecomunicações, está bancando seus clientes para que acessem o internetbanking ou outras aplicações institucionais via celular ou dispositivos móveis. Ou seja, o volume de dados consumidos, quando o cliente estiver acessando conteúdos do banco, não será descontados do seu pacote de dados. Muitos chamam a prática de “acesso patrocinado”.

principiosA Lei 12.965/2014 acaba de ser sancionada e assegura o princípio da neutralidade da rede, diga-se, o provedor não poderá fazer distinção em relação ao conteúdo acessado pelo usuário, cobrando mais ou menos pelo acesso a determinado conteúdo.

Verificamos, nestes “acordos”, uma forma clara de driblar a garantia da neutralidade da rede, pois embora o provedor não possa cobrar de forma diferenciada de acordo com o conteúdo acessado, ao que parece nada impede de um terceiro pagar a conta do usuário quando ele acessar determinado conteúdo. Este terceiro é o Banco. Igualmente, algumas redes sociais já fizeram parcerias com operadoras de telefonia e fabricantes de celulares, para promoverem o acesso de usuários às aplicações sem qualquer desconto em seus pacotes de dados.

Por outro lado, com a popularização do  ”acesso patrocinado”,  corremos o risco do fim da livre concorrência na internet, pois conteúdos mais acessados não serão os mais “relevantes”, mas os daqueles que tem maior poder econômico para oferecer facilidades ou acesso livre aos usuários. Está aí a primeira violação ao Marco Civil da Internet.

Imagine você, blogueiro, com seu conteúdo independente, tendo que competir com sites da grande imprensa que bancam o acesso à internet a usuários, desde que eles acessem seus respectivos conteúdos?

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Uma decisão obrigou a blogueira Caroline Doudet a mudar o título de um post em que fala mal do restaurante Il Giardino, em Cap-Ferret, no sudoeste da França. A medida também determina que ela pague uma indenização ao estabelecimento. O texto era intitulado “O lugar para evitar em Cap-Ferret: Il Giardino”. Nele, a blogueira se queixava do serviço do restaurante durante uma visita em agosto de 2013 e acusava o proprietário de má atitude.

De acordo com documentos do processo, a crítica aparecia em quarto lugar quando alguém fazia uma pesquisa pelo nome do restaurante.

O proprietário alegou que o texto prejudicava seu negócio injustamente. Um juiz de Bordeaux concordou e entendeu que o prejuízo para o restaurante era agravado pelo número de seguidores do blog de moda e literatura de Doudet, “Cultur’elle”: cerca de 3 mil. O juiz determinou que Doudet deveria alterar o título do blog para evitar a construção “o lugar para evitar” e pagar 1,5 mil euros (aproximadamente R$ 4,5 mil) ao restaurante. O post já foi deletado.
Para a blogueira, a decisão tornou crime aparecer no topo das pesquisas em buscadores da internet. “Esta decisão cria um novo crime, o de ‘aparecer bem demais [em um buscador]’ ou de ter uma influência muito grande”, disse Doudet à BBC. O proprietário – que não falou à BBC – reclamou do artigo inteiro, mas o juiz limitou sua decisão ao título. “Venho trabalhando sete dias por semana há 15 anos. Eu não podia aceitar isso”, disse o empresário, segundo o site Arret sur Internet. “As pessoas podem criticar, mas há uma maneira de fazê-lo – com respeito. E esse não foi o caso.”

Segundo a lei francesa, um juiz pode emitir uma ordem de emergência para forçar uma pessoa a interromper qualquer atividade que esteja prejudicando a outra parte na disputa. A decisão se assemelha a uma liminar na lei brasileira e pode ser derrubada se as partes levarem o processo até o fim.

Mas a blogueira disse que não pretende recorrer porque “não quer reviver semanas de angústia”. Segundo ela, a decisão foi tomada em uma audiência de emergência. Por isso, afirma, ela não teve tempo para encontrar um representante legal e se defendeu sozinha no tribunal. Um advogado francês e blogueiro que escreve sob o pseudônimo de Maître Eolas disse que, no direito francês, este tipo de sentença não cria precedência legal.

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Un juez francés multó a una bloguera porque su mordaz crítica a un restaurante apareció demasiado destacada en los resultados de búsqueda de Google. El juez ordenó cambiar el título de la entrada del blog y sentenció a su autora, Caroline Doudet, a pagar por daños y perjuicios.

Doudet señaló que la decisión del juez convertía el hecho de aparecer arriba en los motores de búsqueda en un delito. Los propietarios del restaurante argumentaron que la prominencia del artículo estaba perjudicando injustamente su negocio. Doudet fue demandada por la propietaria del restaurante Il Giardino, localizado en Aquitaine, en el suroeste de Francia después de publicar una entrada en el blog titulada “El lugar para evitar en Cap-Ferret: Il Giardino” (El texto del enlace está en francés y es la transcipción del que apareció en el blog original, pero que ya fue retirado)

Según los documentos del tribunal, la crítica apareció en cuarta posisión en los resultados de búsqueda del local en Google. El juez decidió que el título debía ser cambiado de manera tal que la frase “el lugar para evitar” fuese menos prominente en los resultados. El tribunal de Burdeos también resaltó que el daño hecho al restaurante fue exacerbado por el hecho de que el blog de moda y literatura de Doudet “Cultur’elle” tenía cerca de 3.000 seguidores e indicó que se trataba de un número significativo.

Cuestión de título

“Esta decisión crea el nuevo delito de ‘figurar demasiado alto (en un motor de búsqueda)’, o de tener demasiada influencia’, le dijo Doudet a la BBC.

“Lo que es perverso es que buscamos a blogueros que son influyentes, pero solo si hablan bien de la gente”, agregó. El juez le dijo a Doudet que cambiara el título de la entrada y que pagara US$2.000 en daños al restaurante así como US$1.350 para cubrir los costos legales del demandante. En su artículo, que ahora fue borrado, la bloguera se quejó del mal servicio y de lo que describió como una mala actitud por parte de la propietaria del local durante su visita en agosto de 2013.

La dueña cuestionó todo el contenido del artículo. Sin embargo, el juez limitó su decisión al título de la entrada. La propietaria no respondió cuando la BBC intentó contactarla, pero en el sitio de internet Arrêt sur Images concedió que “quizás se cometieron algunos errores en el servicio, eso pasa a veces a mediados de agosto. Yo reconozco eso“. “Pero este artículo salió en la búsqueda de resultados de Google y le hizo más y más daño a mi negocio, aunque habíamos trabajado siete días a la semana durante 15 años. No podía aceptar eso”. “La gente puede criticar, pero hay formas de hacerlo, con respeto. Este no fue el caso”.

‘Semanas de angustia’

Un abogado francés y bloguero que escribe bajo el seudónimo Maître Eolas cuestionó la sentencia. “Me parece que el juez no entendió los temas técnicos”, señaló. Y agregó que, según la ley francesa, este tipo de decisión no sentaría un precedente legal.

Bajo la ley francesa, un juez puede emitir una orden de emergencia para forzar a una persona a cesar una actividad que declara como perjudicial para la otra parte en disputa. La decisión sumaria tiene la intención de ser una medida de emergencia para proteger a la persona que considera como una víctima y puede ser anulada o ratificada si las partes van a un juicio completo.

Para emitir la orden bajo la ley francesa, el juez solo tiene que identificar un perjuicio en la parte de la parte defensora, un efecto negativo sobre el demandante y una relación causal entre los dos. Doudet indicó que no pensaba apelar la decisión porque “no quería revivir semanas de angustia”.

Doudet añadió que, debido a que la decisión fue tomada en una audiencia de emergencia, no tuvo tiempo de encontrar un representante legal, así que resolvió defenderse ella sola en el tribunal.

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