O Instituto Paracleto está realizando pesquisa, encomendada pelo grupo de trabalho que coordena a implantação de pequenos grupos em nossa igreja. Contamos com a participação de uma dezena de jovens voluntários para obter uma avaliação preliminar e compreender as dimensões da receptividade do novo processo que são as reuniões em pequenos grupos. Muitas igrejas congregacionais e independentes estão adaptando sua estrutura ao novo processo. Elas podem se beneficiar com essa flexibilidade ao longo dos próximos anos.

Igreja e Estado

Linus Morris, em Igrejas de Alto impacto, identifica que “a maioria das igrejas protestantes evangélicas francesas é pequena, tendo atingido um patamar de 50 a 60 membros. Elas se reúnem em garagens, lojas ou pequenos prédios… Na Europa ocidental e setentrional há poucas igrejas grandes. O Censo de Igrejas Inglesas de 1989 indicou que mais da metade da população que frequentava a igreja se encontrava numa congregação de 70 pessoas ou menos, e oito entre dez estavam numa igreja com menos de 120 pessoas.

Linus conclui: “A falta de igrejas regionais grandes e vitais na Europa pode explicar a baixa frequência generalizada naquele continente. Na Inglaterra, apenas 8% das igrejas tem congregações com mais de 150 pessoas… De acordo com uma pesquisa feita por MARC Europe, um quarto de todos os frequentadores vai as igrejas com menos de 50 pessoas todo domingo. Esse cenário representa 61% de todas as igrejas.”

A Constituição portuguesa de 1933 consagrou o princípio da liberdade de culto e de religião, mas reafirmou que a Igreja católica é a religião da nação portuguesa. O Estado continuou a ignorar de todo a existência de outras confissões religiosas em Portugal, apesar de já existirem protestantes portugueses desde 1842.

A estreita relação de igreja e Estado, especialmente na Europa, torna o fluxo inter-religioso quase impossível. Luteranos são alemães ou escandinavos, anglicanos são ingleses, católicos romanos pertencem aos franceses e países latinos, católicos ortodoxos são gregos ou povos eslavos.

A recente e massiva imigração de refugiados da guerra na Síria confrontará essa divisão quase estanque na Europa. Mais uma vez, as fronteiras das nações são derrubadas não pela guerra, mas pela igualdade de oportunidades entre os povos. Os Estados-nação não lhes correspondem mais no prover suas necessidades básicas.

Em muitos países latinos, a igreja havia paralisado o Estado. Muitos governos de esquerda venceram eleições nas últimas décadas buscando uma nova proposta liberal, afastando os valores conservadores como família, fé em Deus, etc. A igreja está reequilibrando sua atuação e voltando a atuar com mais sabedoria na sua relação com os novos governos eleitos.

Situações mais radicais dessa relação entre igreja e Estado ocorrem em países muçulmanos e católicos ortodoxos. Nos EUA, a polarização política traz efeitos danosos para igrejas mais conservadoras ou liberais, entre protestantes ou evangélicos, afro-americanos ou hispânicos, tradicionais ou pentecostais. Esses cortes da sociedade norte-americana influenciam a agenda dos púlpitos e dividem as igrejas. No Brasil, esse movimento já está ocorrendo e precisa ser estudado.