Viver em família é uma benção. Mas também é um exercício diário. Precisamos enfrentar os perigos que nos cercam ou se levantam dentro de nossos muros. É bom ver a boa Mão de Deus alargando nossas tendas e ampliando nosso futuro com uso equilibrado das tecnologias do mundo moderno. Ao final deste post, você pode fazer um teste para saber como sua família lida com essas novas tecnologias.

O pr. Josué Gonçalves, especialista em aconselhamento conjugal, declara: “A verdade é que a família hoje se comporta de maneira diferente de como se comportava no passado. Pais e filhos passam menos tempo juntos. É mais provável que façam as refeições fora de casa. As férias são mais curtas e, geralmente, não inclui todos os membros da família. Em geral, o entretenimento proporcionado pela modernidade tecnológica ocupa toda a família durante o tempo em que estão em casa. O pai assiste ao jornal, a mãe acompanha a novela, o filho joga vídeo game, a filha navega na internet e o mais novinho assiste seu desenho preferido. É hora de dormir, e ninguém praticou o diálogo, a comunicação, a comunhão – ficaram entretidos, o tempo foi roubado e a família ficou um pouco mais empobrecida. Esse é o processo de esvaziamento da relação de família, que quase sempre desemboca na falência do relacionamento. O fracasso de muitas famílias, em função deste esvaziamento, onde os valores básicos foram perdidos, proporcionou o crescimento do alcoolismo, do abuso de drogas, do abuso físico, do suicídio, da depressão e da promiscuidade sexual e etc.”

Há uma grande diferença entre a família de hoje e a família tradicional de algumas décadas atrás. Pense em como era a família em um tempo em que não havia celular, microondas, TV a cabo, cd player, DVD, internet, vídeo game etc., onde só o pai trabalhava e a mãe ficava cuidando da educação e desenvolvimento dos filhos. Sem dúvida, a modernidade, nos seus múltiplos aspectos, é o fator central da vida da família de hoje. Por um lado, representa as grandes conquistas e avanços nas áreas de saúde, ciência e tecnologia, e, por outro, resulta como rápido e constante processo de desumanização, onde o homem e, conseqüentemente, a família perdem a cada dia sua identidade.

No campo social, objetivamente, a família tem reduzido sua condição de paradigma sociológico e referência moral. A modernidade conseguiu fragmentar e pulverizar os elementos constitutivos da família, tais como afetividade, lealdade, fidelidade, relações profundas, ambiente gerador e formador de valores morais, éticos e religiosos. A família tem se deslocado do centro da sociedade.

Uma grande parte dos lares é de “famílias misturadas” – lares onde as crianças de dois ou mais casamentos estão ligadas como resultado de recasamentos. Precisamos também lembrar dos filhos que nascem fora do casamento. Há uma estatística que afirma que, hoje, uma entre 15 crianças nasce fora do casamento. Outro fator relevante é o crescimento assustador do número de casais “amasiados”, pessoas que se unem informalmente e dão início a uma família, muitas vezes disfuncional.

O pr. Cláudio Duarte expõe quatro inimigos do casamento:

  1. “Incompatibilidade de gênios: somos diferentes, mas somos uma equipe. É preciso autoexaminar sempre.
  2. Finanças: o tripé para não ter problemas com dinheiro é trabalho, boa administração financeira e fidelidade nos dízimos e ofertas.
  3. Uma vida sexualmente ativa é fundamental para o casal, a mulher tem que estar disposta e ter sempre o cuidado com o corpo. O homem é atraído pelo que vê. O marido tem que tratar a esposa com carinho e atenção, e estar disposto sempre a ouvir o que ela tem a dizer.
  4. Família e agregados são um problema quando não sabemos lídar com o desafio de viver em família. Não recomendo casais a morarem perto de familiares”, ensinou o preletor.
“Os meios de comunicação podem ser uma grande fonte de conhecimento para as crianças”, ressalta a pesquisadora americana Lynn Schofield Clark, da Universidade de Denver, autora do livro The Parent App: Understanding Families in the Digital Age (O aplicativo dos pais: entendendo as famílias na era digital), não publicado no Brasil. Lynn conduziu um estudo em que entrevistou 134 famílias e chegou à conclusão de que, quanto mais pais e filhos navegam juntos na internet – e conversam depois sobre o conteúdo acessado -, mais as crianças se tornam críticas a informações de baixa qualidade. “Fundamental é não abandonar os pequenos na frente do computador e procurar acompanhar as descobertas deles”, diz Lynn.
Então, o que importa mais nesse caso não é a quantidade, e sim a qualidade do tempo gasto. Até por isso, os especialistas não chegam a um consenso quanto ao número-limite de horas para deixar os filhos dedicados a tais atividades. Eles são, porém, unânimes ao alertar que os eletrônicos não podem ser as únicas fontes de diversão. Se deixar a criança escolher sozinha, é bem provável (e compreensível) que opte por um gadget. A TV e os games oferecem entretenimento dinâmico e a uma velocidade muito atraente. Cabe aos pais usar o bom senso. “A exposição excessiva à televisão ou ao computador pode acarretar dificuldades de concentração”, avisa Edimara Lima, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Família e tecnologia