A escravidão era uma realidade econômica e social aceita no mundo romano. Um escravo era propriedade de seu mestre, e não tinha direitos. De acordo com a lei romana, os escravos fugitivos poderiam ser severamente punidos e mesmo condenados à morte. Às revoltas dos escravos no séc. I resultaram em proprietários temerosos e suspeitos. Mesmo a igreja Primitiva não tendo atacado diretamente a instituição da escravidão, ela reorganizou o relacionamento entre o mestre e o escravo. Ambos eram iguais perante Deus (Gl 3.28), e ambos eram responsáveis por seu comportamento (Ef 6.5-9).

  • Filemon 8-18Paulo nesta carta apresenta-se como prisioneiro (δέσμιος) de Jesus Cristo. Tanto a palavra “prisioneiro” (δέσμιος) quanto “algemas” (δεσμοῖς), ambas da mesma raiz, terão um papel importante na argumentação do apóstolo no transcorrer de seu pedido (cf. versículos 1, 9, 10, 11, 23).
  • Paulo define Filemom como amado e colaborador. O dicionário BDAG (p. 7) sugere que ἀγαπητῷ (amado) tem um significado muito especial: “pertencente a alguém que está em um relacionamento muito especial com outro: único, único amado”. Colaborador, συνεργῷ, como a palavra em português, é uma composição de preposição “συν” (com) com a palavra “ἔργον” (trabalho), em suma, aquele que trabalha (labora) junto.
  • A definição que Paulo dá para Arquipo também merece consideração especial: συστρατιώτῃ. Novamente temos uma palavra composta pela preposição “συν” (com), mais a palavra “στρατιώτης” (soldado). Portanto, literalmente Paulo está falando que Arquipo é um co-soldado, ou conforme se diz em português, um companheiro de armas. Esta definição aponta para o fato de que Arquipo era um ajudante ministerial do apóstolo. Confirmando isto, Arquipo aparece também em Cl 4.17, onde se lê: “Também dizei a Arquipo: atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires”. (ARA, καὶ εἴπατε Ἀρχίππῳ, Βλέπε τὴν διακονίαν ἣν παρέλαβες ἐν κυρίῳ, ἵνα αὐτὴν πληροῖς.)
  • A construção καὶ τῇ κατʼ οἶκόν σου ἐκκλησίᾳ é muito interessante. O καὶ apresenta o que segue na função e co-destinatários da carta. Logo depois vem o τῇ, artigo dativo feminino singular, que define a palavra igreja “ἐκκλησίᾳ”. Entre o artigo e o substantivo, no entanto, encontramos a expressão κατʼ οἶκόν σου, em tua casa. Como Paulo escreve esta carta principalmente para Filemom (primeiro destinatário e pessoa a quem é dirigido o pedido no corpo da carta), sabemos que esta casa é a dele. O que é bastante interessante nesta construção é a relação íntima (do ponto de vista literário) que Paulo criou entre a igreja e a casa de Filemom. É como se fosse uma coisa só: “a em-casa-tua-igreja”.

Paulo escreveu esta carta durante sua prisão romana por volta de 61 dC. Ele desejava uma verdadeira reconciliação cristã entre o proprietário de escravos lesado e o escravo perdoado. Paulo, com delicadeza, mas com urgência, intercedeu por Onésimo e expressou total confiança de que a fé e amor de Filemom resultariam na restauração (vs 5,21).

William Wilberforce, foi um estadista cristão que, durante 18 árduos anos, liderou a cruzada contra o abominável comércio de escravos da Inglaterra. Quando Wilberforce, um dos membros mais jovens do Parlamento, veio a Cristo, ele pensou em abandonar seu cargo político e se tornar pastor. Ele conheceu o pastor John Newton, que foi um traficante de escravos. Newton quase pereceu numa tempestade onde seu navio afundou. Desde então, ele abandonou a navegação, estudou na América e se tronou pastor. Ele escreveu o hino Amazing Grace que foi tocado quando Nelson Mandela foi libertado da prisão na África do Sul após o fim do Apartheid.

Motivado por Newton, Wilberforce colocou sua proposta dezenas de vezes em votação com sucessivas derrotas. Finalmente, em 1807, William testemunhou o Parlamento aprovar a lei da abolição por 267 votos. O triunfo deu-lhe imenso prestígio, fato que o permitiu buscar outras idéias para melhorar a qualidade e a moralidade da vida na Grã-Bretanha. Ele lutou pela reforma do sistema prisional. Ele fundou ou participou de 60 instituições de caridade. Ele convenceu o Rei George III a decretar uma proclamação incentivando a moralidade e restabeleceu a Sociedade da Proclamação para assegurar a promoção da moralidade. Ele cuidava da criação de Deus, fundando a Sociedade para a Prevenção de Crueldade contra os Animais. E ele promoveu iniciativas missionárias, como fundar a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.