Quando o povo de Israel entrou na terra de Canaã, se deteve diante da magnitude do próximo passo: tomar posse, estabelecer-se. Israel estava prestes a formar um país federativo, contornando a monarquia, tão sujeita a erros e excessos.
“Naqueles dias nao havia rei em Israel; cada um fazia o que achava certo aos seus olhos”, escreve o escritor do livro de Juizes no capítulo 21 e verso 25. Penso que o paralelismo usado aqui não defende a monarquia, mas sim reclama da perda de oportunidade da proposta de Deus. Se foi Samuel quem escreveu, ele mesmo reclamou da impaciência do povo em sujeitar-se à um rei. Deus lhe responde que o governo que eles rejeitavam era o Reino de Deus.

Titulo – O título hebreu também é Juízes (Shophetim). Richter indicou que a raiz shpt não significa somente “julgar”, mas também “dominar, governar”

Significado – Moisés delegou ao povo escolher juízes em cada cidade para resolver disputas civis (Deut. 16:18).

Periodo – Ao contrário do livro de Josué, que combre cerca de 35 anos, Juízes compreende um grande período da história de Israel (aprox. 400 anos).

Autor – A tradição judaica sugere que Samuel escreveu Juízes. Também é opinião do Talmud. Se Samuel escreveu, ele o fez entre 1051 e 1021 a.C.

Tribos Meridionais
Juízes 1 descreve Simeão se instalando em Canaã com Judá. Simeão também não se constitui como força tribal e desintegrou-se em Judá (Js 19,1-9)

Tribos da Palestina Central
Em Juízes 1,22 lemos sobre “a casa de José”. José não é uma tribo, mas uma associação das tribos de Manassés e Efraim (Gn 41,50-52). Jerusalém foi contada como uma das cidades de Benjamim (Jz 1,21; Js 18,28), mas somente será conquistada por Davi (II Sm 5,6-9).

Tribos do Norte
Jz 17-18 nos informa sobre a migração dos danitas ao norte e ali prestava serviço aos cananeus, tal qual Aser. As tribos Issacar e Zebulom formavam uma unidade, uma espécie de comunidade num santuário comum, talvez sobre o monte Tabor (Dt 33,18-19).

O livro enfatiza o confronto de Deus e Baal
Jui 6: 25 “Naquela mesma noite, disse o Senhor a Gideão: Toma um dos bois de teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal, que é de teu pai, e corta a asera que está ao pé dele.”
Com 300 homens, derrotou o exército dos midianitas e amalequitas.

Não se pode afirmar que Israel era formada exclusivamente de hebreus vindos do Egito. Pois alguns grupos nativos da Palestina continuaram sua existência juntamente com os hebreus. A família de Raabe permaneceu entre os hebreus que vieram do deserto (Js 6.25). Muitos estrangeiros e nativos viviam no meio deles, e até participavam do cerimonial de leitura da lei (Js 8.30-35)! Além disso, há vários textos que aludem a vivência entre hebreus e os povos da Palestina (Js 13.13; 14.6; 15.63; 20.9). A proposta monoteísta do culto a Javé deveria prevalecer em comparação à mitologia cananita onde eram comuns sacrifícios humanos e práticas imorais como a prostituição cultual.

Juízes Maiores ou salvadores: Otoniel (Jz 3,7-11), Aod (Jz 3,12-30), Débora e Barac (Jz 4,1-5,32), Gedeão (Jz 6,11-8,35), Jefté (Jz 11,1-40) e Sansão (Jz 13,1-16,31);

Juízes Menores, que constituem um bloco literário acrescentado mais tarde:
Samgar (Jz 3,31), Tola (Jz 10,1-2), Jair (Jz 10,3-5), Abesã (Jz 12,8-10), Elon (Jz 12,11-12) e Abdon (Jz 12,13-15). Deste modo se formou o Livro dos doze Juízes de Israel (Jz 3,7-16,31).

Apêndices: Jz 17-18, sobre a tribo de Dan, e Jz 19-21, sobre a de Benjamim.

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G/P
Jair