Essa mensagem pode ser visualizada no canal IBCA Church do You Tube no link https://www.youtube.com/watch?v=jJZyiMGVFsY&t=142s

Oséias 10: 12: “Então, eu disse: semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a misericórdia; arai o campo de pousio [interrupção do cultivo da terra por um ou mais anos para que se torne fértil]; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós”.

Pousio, em agricultura, é nome que se dá ao descanso ou repouso proporcionado às terras cultiváveis, interrompendo-lhe as culturas para tornar o solo mais fértil. A prática é comum entre pequenos agricultores que, após o plantio por três anos sucessivos, deixam a área em pousio por 3 a 5 anos o que, a depender do local, não é suficiente para a recuperação da fertilidade.

A palavra latina vervactum (composto de ver, veris (ver primavera e verão) e actum (feito, particípio do verbo agere, “ feito para a primavera.”. Significa o primeiro labor feito num alqueire de terra (barbecho) A terra que teve o primeiro labor. Terreno que produz apenas pastagens fracas.

Hazel Markus e Alana Conner, no livro 8 conflitos culturais que nos influenciam, perguntam sobre nossos pratos prediletos. Se você tem um prato favorito feito de milho ou mandioca com presença matriarcal no trabalho, seus ancestrais provavelmente utilizaram enxada. Mas se sua preferência é baseado no trigo ou cevada, com predominância patriarcal no trabalho, seus ancestrais utilizaram arado.

Os arados são pesados e de difícil manejo, assim como os animais que os puxam. Se a preferência alimentar tem base de milho ou mandioca, provavelmente veio de sociedades onde mulheres cultivaram o solo. Porém, se  a base alimentar é composta por trigo, cevada, centeio ou arroz, provavelmente seus ancestrais utilizaram o arado.

Arados simples eram conhecidos já na Antiguidade. Eram feitos de madeira e, como regra, eram puxados por bois. Para que funcionassem bem, deviam ter ao menos três partes, ou seja, algum tipo de suporte para as mãos do agricultor que controlava a direção a ser seguida, um lugar ao qual eram presos os bois e uma parte pontiaguda que tocava o solo para que fosse revolvido e nele se abrisse um sulco.

As culturas que adotaram o arado alocavam o trabalho no campo aos homens, e o trabalho de casa às mulheres. Por outro lado, as culturas que usavam enxadas enviavam a família inteira ao campo.

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Concluída a aradura do terreno, era hora de semear. As sementes eram postas nos sulcos abertos pelo arado e, de imediato, cobertas com terra. No Egito também se plantava linho, para a confecção de tecidos indispensáveis para a nobreza, para os trajes dos sacerdotes e para enfaixar os corpos mumificados.
Em 2800 a.C. os chineses já usavam o arado, incentivados pelo imperador Cheng Nung, tido por fundador de sua agricultura. Os chineses cultivavam o arroz, o sorgo, o trigo e a soja, da qual tiravam subprodutos, e também criavam o bicho-da-seda para empregar seus fios no fabrico de tecidos de grande valor. Com o tempo, passaram a exportá-los para o Império Romano, e em tal quantidade que Tibério proibiu o uso da seda, para evitar a catastrófica evasão do ouro.
Hesíodo, em Os Trabalhos e os Dias, aconselhou: “Sendo o tempo de lavrar a terra, vai com teus trabalhadores logo cedo, quer o solo esteja úmido, quer seco, e isso fará produtiva tua lavoura. Deves semear quando a terra está leve devido à estiagem, e limpar o terreno na primavera, para não ser difícil cultivá-lo outra vez quando chegar o verão.”
Em algumas regiões as chuvas eram vitais para que a lavoura prosperasse, enquanto que em outras era preciso irrigar o terreno com a água de um rio. Segundo Heródoto, para cultivar trigo os assírios não podiam contar apenas com as chuvas, que eram escassas:
“Sendo pouca a chuva nos campos dos assírios, é suficiente apenas para fazer o trigo nascer e criar raízes; a terra é regada com a água do rio, mas como não há inundações anuais como no Egito, usa-se a força de homens e de noras”.

O profeta Jeremias 4: 3: “Porque assim diz o Senhor aos homens de Judá e Jerusalém: Lavrai para vós outros campo novo e não semeeis entre espinhos”.

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Êxodo 23:10-12, encontramos os princípios econômicos do repouso laboral e ecológico:

  1. Também seis anos semearás tua terra, e recolherás os seus frutos;
  2. Mas ao sétimo a dispensarás e deixarás descansar, para que possam comer os pobres do teu povo, e da sobra comam os animais do campo. Assim farás com a tua vinha e com o tua oliva;
  3. Seis dias farás os teus trabalhos, mas ao sétimo dia descansarás; para que descanse o teu boi, e o teu jumento; e para que tome alento o filho da tua escrava, e o estrangeiro.

A mulher virtuosa de Provérbios 31 é uma mulher do oikos (palavra grega que traduz casa) e seu trabalho dificilmente pode ser considerado opressivo ou degradante. O coração de seu marido confia nela, pois, sem sua contribuição heroica, a casa seria arruinada. Ela busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos. Ela acorda quando ainda é noite, dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas. Ela examina uma propriedade e adquire-a. Ela abre sua mão ao pobre. Ela faz roupas de linho fino e vende-as. Ela entrega cintas aos mercadores. Sabedoria e bondade estão em sua língua. Ela atende ao bom andamento da sua casa.

Max Weber acreditava que a organização de uma força de trabalho livre é o que distinguia o antigo capitalismo do novo, e dizia que o novo capitalismo não seria possível sem dois fatores: a separação entre o trabalho profissional e o lar e a contabilidade racional que mantinha os olhos atentos na última linha das contas.

  1. Longe de ser uma unidade econômica como no passado, a casa hoje funciona mais como um dormitório e deveria funcionar como lugar de bem-estar, instrução e comunicação.
  2. As ferramentas devem ajudar na plenitude do trabalho. As técnicas precisam ser aperfeiçoadas. Os procedimentos devem ser conhecidos e obedecidos.
  3. Orçamentos são as barreiras da corrupção dos valores que é a raiz de todos os males;
  4. O Shabbath é um princípio econômico e ecológico. Econômico, pois relaciona trabalho e casa. Ecológico, pois relaciona trabalho e terra.
  5. A terra poderá produzir com Justiça e misericórdia de forma proporcional à nossa fé e determinação.
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