Mauricio Zagari, em seu Blog, faz a seguinte provocação: Posso chamar Deus de “você”? Diz ele: “Sei que essa parece ser uma pergunta boba  e sem muita importância para nossa vida espiritual, mas tanta gente começou a chegar a mim com essa dúvida nos últimos tempos que resolvi dar uma certa atenção a ela. Confesso que eu mesmo nunca tinha gasto muito tempo pensando sobre isso e fiquei curioso: será que chamar o Senhor de “você” é desrespeitoso? Será que apenas o “tu” configura honra ao Altíssimo?
Penso que precisamos ter atenção com a nossa linguagem diante de Deus e dos homens. A linguagem expressa quem somos e o quanto conhecemos. Alguns anos atrás, meus filhos me alertaram que poderia usar vc que significa você. Foi assustador.
Entendo que uma oração feita em seu quarto pode ser diferente daquela realizada em público. O evangelista Moody observava que muitos cristãos passavam orando muito tempo em público poderiam gastar pouco tempo de oração em suas casas. Entendo que na forma também.
Algumas canções podem ter uma linguagem mais intimista. Acho positivamente estimulante. Afinal, o homem moderno está mais isolado e precisa ter mais relacionamento com Deus. Por outro lado, concordo que existe um romantismo crescente nos louvores, o que pode não ser bom. Alguns críticos chamam de feminilização das músicas evangélicas. Penso que se trata de maior participação de mulheres como líderes de louvor. Isso é muito bom!
Portanto, acho aceitável usar você para referir-se a Deus em orações e louvores. Eu me refiro a Deus como Senhor pois aprendi a me direcionar aos mais velhos como senhor ou senhora. Acho mais apropriado para a minha idade. Acho aceitável usar a Bíblia NVI mas eu prefiro a versão atualizada do padre João Ferreira de Almeida. No final deste post, vc verá que muita gente prefere usar a versão da Bíblia de 1611.
Há muitas propostas sobre os estágios históricos de vossa mercê até você.
Um deles é o de Lapa que aponta a forma pronominal de tratamento mais antiga do português como sendo vossa mercê, que apareceu nos fins do século XIV, como forma de tratamento ao rei. Ainda nesse período, devido a mudanças fonéticas e a perda de valores semânticos, essa forma foi substituída pelo pronome de tratamento Vossa Alteza que, por sua vez, mais tarde, foi substituída por Vossa Senhoria. O referido autor afirma que vossa mercê deu origem às formas você/vocês e, em Portugal, a forma pronominal de terceira pessoa do plural vocês substituiu o pronome de segunda pessoa do plural
vós, considerado hoje como arcaico, de modo que, salvo no falar de algumas regiões (tais como a Beira e o Norte) onde se usa o tu, a segunda pessoa praticamente caiu em desuso, permanecendo apenas nas orações religiosas e maneiras de se dirigir a Deus.
Nascentes aduz que, em Portugal, “embora você se empregue de igual para igual, é usado com pessoas de condição inferior e, muitas vezes, pejorativamente, para indicar que a pessoa a quem se dirige a fala não merece o tratamento de ‘senhor’”, mas indica, ainda, que a forma você “tem também valor afetivo”, já que também pode revelar proximidade com a pessoa com quem se fala. Segundo Nascentes, há um caráter dúbio no uso da locução nominal Vossa Mercê.
Luft defende que em algumas povoações de Portugal, o tratamento de você soa como pejorativo, é mesmo sentido por alguns, como insulto. Pessoas tratadas por esse termo podem responder ofendidas ou pelo menos chocadas. Segundo o autor, no Brasil, a forma você é tratamento familiar, entre iguais, colegas, ou de superior a inferior; fora disso denota desconsideração, falta e respeito ou desprezo.
De acordo com essa Biderman a forma você que hoje não tem, em Portugal, o uso tão generalizado quanto tem no Brasil, resultou da evolução de vossa mercê, que deve ter sido importada da Espanha, através das relações intensas existentes entre a sociedade portuguesa e a espanhola, quando Portugal se encontrava sob o domínio da Espanha (final do século XVI e primeira metade do século XVII). Essa forma, defende a linguista, tem a sua origem na forma vuestra merced, surgida na Espanha, para ocupar a lacuna deixada pelo tratamento vós no século XVI, e é durante tal período que essa forma sofre modificações fonéticas, resultando na forma espanhola usted.
Em suas investigações filológicas sobre o pronome vossa mercê, Said Ali conclui que a forma pronominal você é o resultado atual de uma evolução de raízes latinas, iniciadas com a introdução dos pronomes tu/vós no português, usados como tratamento
direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra. Devido à necessidade de se diferenciar na hierarquia as formas de tratamento, usava-se o tu na intimidade e, ao seu lado, a forma vós para tratamento cerimonioso indireto. Outro modo de tratamento indireto que era usado para dirigir a um atributo ou qualidade eminente da pessoa e não a ela própria era a forma vossa mercê (entre outras) que, ao longo do tempo, tornou-se popular, sofreu transformações fonológicas e foi se simplificando, dando origem a várias formas: vossemecê, vossancê e você.
Amaral assegura que, a partir dos fins do século XV, registra-se, em Portugal, o uso generalizado da forma vossa mercê e suas variantes pela população não aristocrática, da qual eram membros os diversos contingentes de pessoas que se estabeleceram no Brasil como colonos, no início de sua ocupação, em meados do século XVI. Nesse processo, segundo ele, a forma de tratamento vós já se encontrava obsoleta e o processo de simplificação da forma vossa mercê, em estágio avançado. De maneira que o português trazido para o Brasil já viera com variantes de vossa mercê como formas de tratamento.

Resultado de imagem para @gabbinascimentoo O que é que os #anjos veem que os fazem se prostar? O que é que os anjos veem que os fazem cantar: #Santo

Apesar de sua linguagem mais formal e pela variedade de traduções mais modernas, a versão da Bíblia King James (KJV) continua a ser a preferida pelos americanos. Um estudo feito pela LifeWay Research com 1.004 americanos maiores de 18 anos foi realizado para marcar o 400 º aniversário da King James.

Mais de metade dos adultos americanos, 62% têm uma King James, e quem lê a Bíblia regularmente estão mais propensos a ler a KJV. 82% dos norte-americanos que lêem a Bíblia pelo menos uma vez por mês possuem um exemplar, e 67% dos adultos americanos que possuem uma Bíblia tem uma versão da King James.

Desde a sua publicação em 1611, a KJV tem influenciado a linguagem do mundo que fala Inglês. O estudo observou ainda que a Bíblia tem gerado frases comuns como “combater o bom combate”, “colhe tempestades” e “pés de barro”.

Enquanto 76% dos americanos com mais de 55 anos possuem uma KJV, apenas 67% das pessoas entre 35-54 possuem o exemplar. Para os entrevistados com menos de 35 anos, o percentual cai para 56%. Embora muitos considerem a King James difícil de ler, apenas 21% dos entrevistados com menos de 35 anos dizem que a linguagem é de difícil compreensão.

Notas
DE VOSSA MERCÊ A CÊ: CAMINHOS, PERCURSOS E TRILHAS – Clézio Roberto Gonçalves
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