A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Nações Unidas (Unesco) anunciou em 13/10/2016 que o Monte do Templo, em Jerusalém, “não tem ligação” com os judeus.A resolução associa somente nomes muçulmanos aos locais sagrados da Cidade Antiga.

Desde os acordos de Oslo (1993), a Esplanada é o ponto mais sensível nas negociações de paz. Uma das razões é o discurso da Organização para Libertação da Palestina, segundo o qual nunca houve templos judaicos no local.

“(Dayan) devolveu al-Aqsa, onde, sentado com o xeque do Haram, explicou que agora Jerusalém pertencia a Israel, mas a Waqf (instituição religiosa jordaniana) teria a custódia do Monte. Os judeus poderiam visitar, mas não poderiam rezar ali, relata o historiador britânico Simon Sebag Montefiore no livro “Jerusalém, a biografia”.

Vinte e quatro países-membros assinaram o documento: Argélia, Bangladesh, Brasil, Chad, China, República Dominicana , Egito, Irã, Líbano, Malásia, Marrocos, Ilhas Maurício, México, Moçambique, Nicarágua, Nigéria, Omã, Paquistão, Qatar, Rússia, Senegal, África do Sul, Sudão e Vietnã.

Apenas EUA, Reino Unido, Lituânia, Holanda, Estônia e Alemanha votaram contra.

Países que se abstiveram: Albânia, Argentina, Camarões, El Salvador, França, Gana, Grécia, Guiné, Haiti, Índia, Itália, Costa do Marfim, Japão, Quênia, Nepal, Paraguai, Ilhas Saint Vincent and Nevis, Eslovênia, Coréia do Sul, Espanha, Sri Lanka, Suécia, Togo, Trinidad and Tobago, Uganda and Ucrânia.

Ausentes: Sérvia and Turcomenistão.

A determinação foi concluída durante um encontro em Paris, reiterando uma votação similar realizada em abril.  Ao desconsiderar os laços históricos do local, a ONU virtualmente entrega o Muro Ocidental [Muro das Lamentações] aos palestinos.

“Obviamente, eles nunca leram a Bíblia”, lamentou Benjamin Netanyahu. Clique na figura abaixo para conhecer a íntegra da Resolução da UNESCO.

 

occupied-palestine-unesco-resolution-12-10-2016

Quando o tenente-general Motta Gur exclamou “O Monte do Templo está em nossas mãos”, em 7 de junho de 1967, a frase selava a vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias —a tomada de territórios de Egito, Síria e Jordânia, entre eles a Cidade Velha de Jerusalém, área murada de 1 km² com locais sagrados para cristãos, muçulmanos e judeus.

Mas, no mesmo dia, o lendário general Moshe Dayan ordenou a retirada da bandeira de Israel da Esplanada das Mesquitas, um platô artificial de área pouco menor do que o Maracanã na Cidade Velha.

Dayan entendeu a sensibilidade do local e prometeu aos xeques o controle da esplanada. Lá estão a mesquita de Omar, com domo dourado, e a de al-Aqsa, terceiro local mais sagrado do Islã.

Mas o local também é venerado pelos judeus como Monte do Templo, onde, diz a tradição, ficavam os templos de Salomão e Herodes. Uma das paredes de contenção do Monte é o Muro das Lamentações, local mais sagrado para os judeus, proibidos de visitá-lo até 1967.

Com aval da Jordânia, a decisão do general Dayan virou o status quo: não muçulmanos só podem visitar a Esplanada duas vezes por dia, sem orar nem levar símbolos religiosos. Por ano, passam ali 4 milhões de muçulmanos e 200 mil turistas, sendo 12 mil deles judeus.

Boa parte das ondas de violência entre israelenses e palestinos teve o status quo como pivô. A mais recente começou em setembro de 2015, com palestinos atacando israelenses sob alegação de que Al-Aqsa corria risco.

Cinco meses depois, os ataques se tornaram uma nova “intifada” (revolta) palestina contra Israel e já deixaram 33 mortos do lado israelense (incluindo um cidadão americano e um eritreu) e 120 do palestino, incluindo agressores.

Para os palestinos, Israel pretendia liberar orações de judeus e cristãos ali, ou destruir as mesquitas e construir um novo templo judaico.

Em discurso na ONU em outubro, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, endossou essa versão: “Há violações feitas pela ocupação israelense contra nossos sítios sagrados. Os planos colocam a mesquita de al-Aqsa em perigo com o objetivo de alterar o status quo”.

Esplanada das mesquitas - Jerusalém

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, seguiu como seus antecessores e negou: “Israel continuará a cumprir sua política de longa data: muçulmanos rezam no Monte do Templo; não muçulmanos o visitam”.

Mas os palestinos acusam Israel de limitar mais e mais a entrada de muçulmanos de mais de 40 anos no local, alegando que isso evitaria tumultos, e de fazer escavações. A maior violação para eles, porém, seria o aumento na visitação de judeus messiânicos, que ensaiam orações e não escondem o anseio de ver um novo templo judaico.

Para acabar com a disputa, a Jordânia sugeriu monitorar o local com câmeras. Mas os palestinos desconfiam: “É armadilha”, disse o chanceler Riyad al-Maliki.

A decisão da UNESCO foi classificada por Israel como “antissemita e absurda”, sendo severamente criticada pelo que chama de “abusos provocativos que violam a santidade e a integridade” da área.

Esse é um duro golpe diplomático contra Israel, que podia ser antecipado após a decisão no ano passado da UNESCO entregando dois locais sagrados para os judeus ao controle de muçulmanos.

O Túmulo de Raquel, perto de Belém, e a Caverna dos Patriarcas em Hebrom, estão desde outubro de 2015 na mão dos palestinos. Na ocasião, a proposta incluía o Muro das Lamentações, considerando-o uma extensão da mesquita de al-Aqsa. Contudo, foi retirado da proposta final por pressão de países aliados de Israel. Um ano depois, a proposta foi aceita.

De acordo com o jornal Ynet News, o Ministério israelense das Relações Exteriores entregou um panfleto mostrando a inegável conexão histórica dos judeus com Jerusalém. Ele foi distribuído a todos os 120 delegados permanentes da UNESCO cujos países têm relações diplomáticas com Israel.

Fugindo da tradição, Israel buscou a ajuda inclusive da Santa Sé, argumentando que isso também iria prejudicar os cristãos. O Vaticano não se manifestou oficialmente.

Os representantes da Palestina estão buscando, entre outras coisas, nomear um observador permanente da UNESCO em Jerusalém. O objetivo seria forçar a condenação das atividades israelenses em territórios disputados.

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