O Estado Islâmico é um califado, cujo líder continua sendo mais conhecido por uma personalidade enigmática. Nascido em 1971 em Samara, ao norte de Bagdá, Abu Bakr al-Baghdadi entrou para a insurreição no Iraque pouco depois da invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003, e passou quatro anos em um campo de detenção americano.

As forças americanas tinham anunciado, em outubro de 2005, a morte de Abu Duaa, um dos pseudônimos de Baghdadi, em um ataque aéreo na fronteira com a Síria. Mas ele reapareceu em maio de 2010 à frente do Estado Islâmico no Iraque (ISI), braço iraquiano da Al-Qaeda, depois da morte de dois líderes do grupo em um ataque.

O califado (do árabe خلافة, transliterado khilāfa) é a forma islâmica monárquica de governo. Representa a unidade e liderança política do mundo islâmico.Seu aparecimento, imposição e permanência representa um exaustor econômico e político para atrair radicais ao redor do mundo.

Para os países ocidentais, sua existência estabelece um front de guerra adequado, no Oriente Médio, que perifericamente serve para as indústrias de materiais bélicos. O califado gera uma contínua tensão entre partidos islamitas radicais e moderados nos países que formam a Civilização muçulmana. O Blog Paracleto já apresentou em postagens anteriores, algumas diferenças entre os ramais sunitas e xiitas. Muitos cristãos, amigos do Islã, evitam abordar o assunto.

A revista National Geographic, edição de junho de 2016 na página 22, trouxe matéria sobre uma nova forma de recursos obtida pelo ISIS que precisa de uma rápida resposta da ONU:

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Casas de leilão famosas há tempos aceitam declarações de procedência genéricas ou inexistentes, mesmo para obras de arte vindas de áreas assoladas por saqueadores ou de zonas de guerra. Dos anos 1970 até 2011, casas de leilão, inclusive Christie’s e Sotheby’s, venderam obras-primas da estatuaria Khmer, apesar do evidente risco de terem sido roubadas de templos na selva durante e após a feroz guerra civil cambojana. Grandes museus, como o Metropolitan, também compraram ou receberam estátuas Khmer.

“Peças assim deviam ter acendido a luz amarela no mundo todo. Ninguém poderia tê-las comprado ou vendido de boa fé”, diz Tess Davis, advogada e diretora da Antiquities Coalition, um grupo de advocacia de Washington, DC. “Apenas alguns anos atrás os colecionadores lamentavam a ausência de arte cambojana nos Estados Unidos. No entanto, quando eclodiu uma guerra civil genocida, num passe de mágica o mercado foi inundado de obras-primas – sem procedência comprovada, com indícios de roubo, algumas cirurgicamente decepadas nos tornozelos!”

Depois de ter acompanhado os ataúdes de Shesepamuntayesher através da criminosa cadeia de fornecimento que os levou do Egito aos Estados Unidos, tenho dificuldade para considerar a compra de artefatos sem impecável comprovação de procedência como algo além de cegueira intencional. O arqueólogo Ricardo Elia concorda. “É óbvio”, diz ele, invocando as leis básicas da economia. “Se você paga por objetos saqueados, incentiva mais saques.”

A batalha pela propriedade cultural prossegue, mas há sinais de esperança. Em 2010, o Boston Museum of Fine Arts criou um novo cargo, “curador de procedência”, primeira e única função desse tipo nos Estados Unidos. Em 2013, funcionários do Metropolitan repatriaram duas distintivas estátuas Khmer, sendo imitado por outros museus americanos. O Met fez depois uma grande exposição de arte do Sudeste Asiático, com a cooperação do governo cambojano. “Esse tipo de colaboração, que se destina ao empréstimo de longo prazo, e não à aquisição direta, é uma medida poderosa e positiva para os curadores de museu”, observa a professora Patty

Gerstenblith, especializada em herança cultural. Em 23 de abril de 2015, o caixão de Shesepamuntayesher foi mandado de volta ao Egito, e hoje está exposto no Museu do Cairo. Enquanto isso, alguns curadores, além de colecionadores como Lewis, clamam por um banco de dados de antiguidades para ajudar a enfraquecer a pilhagem, e propõem um encontro com arqueólogos.

“Descobrir interesses em comum é crucial, tanto nos países de origem como nos de destino das peças”, diz Sarah Parcak. A pilhagem continuará enquanto os cavadores no Egito e os compradores em outros países não enxergarem as antiguidades como elementos vitais da narrativa do nosso passado. “A história humana é a mais magnífica saga a ser contada”, diz Sarah. “O único modo de podermos compreendê-la por inteiro é se a descobrirmos juntos.”

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