Antes da Olimpíadas, ouvimos o terrorismo do medo com aumento dos casos de zika e atentados terroristas por simpatizantes do Estado Islâmico no Rio de Janeiro. O Blog Paracleto se distingue com a proposta de oferecer informações livres para líderes. A cidade não tem hábito de controlar as metas de seus governantes, especialmente nas ações para reduzir a violência crescente.

Nosso maior serviço é peneirar informações relevantes dentre o lixo e a distração imposta pela grande Mídia. Geralmente, as pedras preciosas estão incrustadas em meio ao minério bruto e sem valor. Queremos ver uma cidade mais justa e com um orçamento responsável. Para isso, vivemos no meio do povo. Estou decidido a não dar ouvidos a pregadores que não vivem no meio do povo.

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Diante do que ouvimos, faço os seguintes comentários sobre os Jogos Olímpicos Rio 2016:

O Rio de Janeiro é o lugar mais seguro do mundo. O efetivo de segurança nas ruas é um recorde. Cerca de 21 mil pessoas impressionam moradores e turistas. Os equipamentos de escaner funcionam nas instalações esportivas. Por isso, os cariocas não reclamam das filas.

O Rio de Janeiro reúne fé, foco e força. A cidade fornece um contraste intrigante para os turistas. Eles se perguntam ‘como é possível tanta desigualdade coexistir?’. A primeira resposta é a força de vontade do carioca. A cidade tem uma história ser contada. A cidade tem artistas capazes de produzir espetáculos com baixo orçamento fora do carnaval. A relação entre praia e morro produz uma distensão de baixo custo. Infelizmente, produzimos turismo de baixo custo mas precisamos de foco em ampliar nossos potenciais e atenuar nossas fraquezas. Uma revolução de fé está ocorrendo na região metropolitana com a migração para as igrejas evangélicas. Isso ainda é pouco reportado por discriminação da Mídia. Basta notar a mudança nos hábitos de lazer dominicais, na leitura crescente de livros religiosos e diminuição do consumo de bebidas alcoólicas e cigarros. A pregação nos trens suburbanos deveria ser patrimônio imaterial da cidade com atraso de décadas e não perseguida pelos recentes governos estaduais.

O Rio de Janeiro possui a maior caldeirada humana do Brasil. Mais de 40% da população do Brasil é migrante. O Estado possui 2,5 milhões de migrantes, ou seja, 15,3% da população fluminense. O Rio de Janeiro é a unidade da federação em que o grupo da terceira idade é mais expressivo em relação à população total – os idosos representam 14,9% dos residentes. Nenhum outro estado ou cidade possui uma densidade heterogênea tão grande e percebida em grandes eventos.

O Rio de Janeiro busca renovação. O Rio de Janeiro era o maior produtor de petróleo do país em 2014 com 68,4% do total produzido no país. O Rio viveu o primeiro “boom” na arrecadação dos royalties logo após a nova lei do petróleo, de 1998, que instituiu uma receita adicional: as participações especiais. Combinado com o aumento de produção do petróleo, o Estado teve arrecadação crescente no setor, chegando a R$ 10 bilhões em 2011. Recentemente, realizamos pesquisa sobre nossos valores e percebemos que o carioca é bastante conservador. Não há dúvida que o combate à corrupção entrou na lista de prioridades do povo brasileiro.

O Rio de Janeiro é vibrante e apaixonante. O jornal New York Times, após criticar o sabor do biscoito Globo, sentenciou: “O mundo desenvolvido não gosta que países em desenvolvimento organizem um grande evento esportivo”. Segundo o jornalista Roger Cohen, o Brasil tem crescido e seus problemas persistem, mas só um tolo poderia negar que o Brasil terá um grande papel no século 21. “Como qualquer um que vai os Jogos Olímpicos deve sentir, o Brasil tem uma poderosa e alegre cultura nacional. É a terra do ‘Tudo bem’”. “Estes Jogos Olímpicos são bons para o Brasil e bom para a humanidade, um tônico necessário. Assista Usain Bolt ou Simone Biles e sinta-se bem”.

Em um texto sobre o comportamento da torcida brasileira durante a competição de vôlei de praia, a revista americana Time questionou: “Será que os locais estão levando seu amor pelo esporte muito longe?”.

A publicação citou o jogo de estreia das brasileiras Agatha e Bárbara, atuais campeãs mundiais. Após a derrota, as tchecas Hermannova e Slukova reclamaram das vaias que vinham das arquibancadas, a despeito dos pedidos do narrador oficial por moderação.

O estilo barulhento do público por outro lado empolgou alguns competidores. O americano Michael Phelps disse que “nunca ouviu nada assim na vida”, sobre a torcida durante sua prova no domingo. O tenista sérvio Novak Djokovic, que foi ovacionado durante uma partida no mesmo dia, também se derreteu em elogios: “Honestamente, não sei como agradecer. Esse tipo de atmosfera senti poucas vezes em minha vida. Eu me senti como se estivesse em meu país”.

A americana Hope Solo, goleira do time feminino de futebol, antes de chegar ao Brasil publicou nas redes sociais fotos usando um verdadeiro arsenal contra o mosquito que transmite o vírus da Zika. Em sua primeira partida sofreu um revés, tomando um gol debaixo das pernas, e depois disso cada vez que se aproximava da bola no estádio era ironizada pela torcida com os gritos “ôôô Zika”. O público também se manifestou politicamente, vaiando o time russo de natação por causa do escândalo dos casos de doping na delegação

Renaud Lavillenie engoliu mal as vaias que recebeu do público brasileiro na decisão do salto com vara, no Estádio Olímpico. O atleta foi derrotado pelo brasileiro Thiago Braz e teve de se contentar com a prata. Para ele, foi muito difícil se concentrar para evitar a derrota depois que os torcedores passaram a fazer barulho antes de sua corrida. Sem poupar palavras, ele disparou contra o comportamento da torcida local.

– É uma vergonha. É a primeira vez que passo por isso na vida. Era muito difícil se concentrar daquele jeito. Estamos nos Jogos Olímpicos e foi uma falta de respeito. Onde está o espírito olímpico? Isso não está acontecendo apenas comigo. Estou muito decepcionado – afirmou o medalhista de ouro em Londres-2012. Depois, reconheceu que não se falam há mais de um ano.

Um levantamento feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), que monitora e analisa diariamente o colossal volume de dados que circula nas redes sociais, mostrou que a percepção antes predominantemente negativa tanto dos brasileiros quanto dos estrangeiros sobre os Jogos e o Rio de Janeiro deu espaço a uma visão positiva depois que o espetáculo começou.

No caso específico dos estrangeiros, a conclusão é fruto da análise de 450 000 posts escritos em inglês que circularam no Twitter, Facebook e Instagram. Nas mensagens pré-olímpicas, sobressaíam os mesmos medos propagados pelos jornalistas estrangeiros: de um ataque terrorista e do vírus da zika, principalmente. Isso quase não se vê mais. O que predomina agora são menções entusiasmadas aos pontos turísticos do Rio, suas op­ções de lazer e sua pujante vida noturna. Uma a cada três mensagens examinadas enfatiza esses aspectos. As curtidas dominaram o Facebook, e os corações, o Instagram.

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