O Instituto Paracleto realizou entre 2015 e 2016 pesquisa para verificar os valores morais e opiniões dos cariocas sobre alguns temas que estão sob discussão na sociedade brasileira com decisões de suas Instituições.

59% dos cariocas opinaram que a religião torna as pessoas melhores. A Zona Norte e Oeste contribuíram muito para esta maioria. Parece que a experiência religiosa nessas regiões tem um significado diferente para os cariocas de outra regiões. Uma parte desse grupo não se identifica como religioso mas reconhece os valores afirmados e praticados por pessoas religiosas.

Os cariocas mais jovens não identificam tanta diferença, talvez pelo contexto estudantil com aumento da competição por melhores Universidades e empregos. Os adultos e idosos percebem mais essa diferença por acumular mais experiências.

As mulheres percebem mais esse ganho religioso. Desde o início da igreja cristã, as mulheres sempre foram maioria. O descolamento das tradições orientais permitiu uma influência maior das mulheres nas ações das igrejas que possibilitou um crescimento numérico até o 4º século, obrigando o rei Constantino a reconhecer o Cristianismo como a religião oficial.

Religião

A pesquisa Datafolha de 2012,  revelou que a maioria dos entrevistados, 85%, entende que a crença em Deus contribui com a sociedade, pois torna as pessoas melhores.

A Ipsos acaba de realizar o Ipsos Global Trends 2014 – o maior estudo sobre tendências globais que busca entender as atitudes e comportamentos dos cidadãos e consumidores de 20 países ao redor do mundo (Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, França, Grã Bretanha, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Polônia, Rússia, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos). O estudo abordou diversos temas dentre eles: otimismo, propaganda, características individuais, consumo, meio ambiente, felicidade, saúde, serviços públicos, perspectivas e valores e outros.

Os brasileiros consideram a fé e a religião de extrema importância para as suas vidas e lideram o ranking com 79%, os menos apegados à religião são os japoneses que ficam em último lugar com 17%.

“Os resultados do Brasil corroboram estudos recentes que dizem que a felicidade se encontra na combinação de prazer com engajamento e significado. Oito de cada dez brasileiros se dizem felizes, mesmo número que mostra um algo grau de expectativa e aposta no futuro e que declara ter uma religião, um significado para vida”, afirma Dorival Mata Machado, managing director da Ipsos Public Affairs.

Existe uma diferença tênue entre felicidade e otimismo. Países felizes serão aqueles que recebem serviços de qualidade de seus governos e possuem um padrão de vida satisfatório. As pesquisas do Gallup mostram a predominância dos países escandinavos, por exemplo. Algumas pesquisas podem abordar a percepção das pessoas em relação a vida comum, necessidades básicas atendidas e otimismo para mudanças.

Outro tema a ser estudado é se uma pessoa religiosa pode tornar a pessoa mais moral, isto é, capaz de realizar boas atitudes em relação ao próximo e corretas diante de leis. O objetivo era avaliar como a moralidade na vida quotidiana difere entre as pessoas, explica Daniel Wisneski, doutor em psicologia pela Universidade de Illinois em Chicago, líder do estudo.

Os pesquisadores comprovaram que pessoas religiosas e não religiosas cometem um número semelhante de atos morais. Ao contrário de outros estudos semelhantes, a afiliação religiosa ou política não determinam necessariamente a compreensão de uma pessoa sobre o que é certo ou errado. Contudo, existem algumas diferenças marcantes como as pessoas de diferentes grupos responderam emocionalmente aos chamados “fenômenos morais”.

Wisneski relata que, por exemplo, as pessoas que se declararam religiosas experimentam maior intensidade nas emoções autoconscientes (culpa, vergonha e desgosto) que as pessoas não religiosas. Ou seja, ficavam mais chocadas e indignadas ao testemunhar ou cometer um ato imoral.

Os religiosos relatam ainda ter um maior “senso de orgulho e gratidão” após cometer atos morais. Do ponto de vista político, liberais e conservadores tendem a pensar em fenômenos morais de formas diferentes.  Os liberais são mais afetados emocionalmente por atos morais ou imorais envolvendo questões de justiça ou injustiça. Já os conservadores deram mais peso a atos de lealdade ou traição.

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