O modelo harpa e taça

 Recentemente, muitas salas de oração iniciaram atividades em residências, salas anexas de igrejas, Universidades e locais de trabalho. Inicialmente, o objetivo era criar um ambiente menos eclesiástico, porém mais focado em necessidades familiares e missionárias. Parece criar um ambiente mais dinâmico para a leitura das Escrituras e focado em intercessão dirigida. O texto base para essa nova dinâmica de liturgia encontra-se em Apocalipse 5:8.

Porém, uma sala de oração não é uma igreja. Pelas razões que já explicamos em nosso livro sobre MISSÃO DA IGREJA: dimensões e efeitos. As diversas dimensões se completam para reproduzir princípios e valores do Reino de Deus. Se algumas dessas dimensões inexistem, então o Reino de Deus não será evidente e sustentável naquele local.

E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. (Ap. 5:8)

Harpa – representa os cânticos (música de adoração) que sobem perante Deus. Fala de adorar a Deus com instrumentos musicais.

E ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas, e como a voz de um grande trovão; e ouvi uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas. E cantavam um como cântico novo diante do trono, e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra. (Apocalipse 14:2-3)

Taças de ouro – representa aquilo que contém as orações dos santos que sobem perante Deus como incenso. Fala da oração intercessória na igreja.

E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono. E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus. (Apocalipse 8:3-4)

Adoração com danças e instrumentos

Os címbalos são chamados no Salmo 150:5 de siltselê shamah e tsiltselê teru`ah respectivamente, referindo-se a dois tipos de címbalos com tonalidades e ressonâncias diferentes. A Harper’s Bible Dictionary (“Music”, p. 670) informa que eram pequenos címbalos de bronze de 4 a 6″ de diâmetro. O Music in the Ancient World informa que eram um par de pratos metálicos côncavos dipostos vertical ou horizontalmete. Em escavações de Hazor e Megido, foram encontrados vários tipos de címbalos de diâmetros entre 3 a 10 cm.

O Dr. Vilson Scholz, da SBB, opinou sobre o salmo: […] O texto hebraico traz a palavra “tôf” que, em Êxodo 15.20, foi traduzida por “tamborim”. Vejo que um grande número de traduções – a rigor, todas as que pude consultar rapidamente – trazem um termo parecido com “adufe” ou “tamborim”. Poderia ser, também, pandeiro. Às vezes essa palavra, que ocorre 17 vezes na Bíblia Hebraica, é traduzida por tambores, tamboril. O mesmo termo ocorre também em Jz 11.34, naquele episódio da filha de Jefté. Ali é traduzida por adufe. Não há nenhuma dúvida quanto ao significado desse termo. Quanto a “adufe”, o Dicionário Houaiss registra que se trata de “um tipo de pandeiro quadrado de origem árabe, usado por portugueses e brasileiros”. Portanto, algo do contexto oriental, bem ao sabor do mundo bíblico. E, além disso, algo que os portugueses e brasileiros supostamente conhecem.

O Salmo 66:1 recomenda: “Louvai a Deus com brados de júbilo, todas as terras.” A referência ao volume da música é marcante. Se você toca um piano que produz 50 dB e adicionamos outro de mesma intensidade, o efeito combinado será um som de 53 dB. Se acrescentar outro, teremos um total de 55 dB, explica Carl Seashore em Psychology of Music.

louvor na IBCA

 Por décadas, a igreja ficou limitada a apenas louvar a Deus com músicas, quando vemos claramente nesse salmo, e em inúmeros textos bíblicos, a ordem de louvá-lo com tudo o que somos e o que temos. Geralmente pensamos muito sobre os instrumentos. É correto pensar assim, mas aqui também inclui o nosso corpo. Os movimentos de nosso corpo geram a dança, que é movimento ritmado.

Os grupos religiosos que condenam o uso de batuques ou danças não possuem compreensão da expressão corporal do povo judeu em suas Festas. Além disso, querem impedir a aceitação de expressões musicais como o samba para comunicar a Grandeza de Deus para o povo brasileiro.

Outra tendência é o uso de Mídias sociais e transmissão online dos cultos. Corremos o risco de prestarmos mais atenção nas telas do que na própria essência de nossa vida. Não é de estranhar que muitas igrejas experimentem declínio de assistência em razão de extrema valorização do uso das Mídias.

O salmista aproximou-se do cerne da adoração genuína quando disse: “Tu és o meu Senhor, outro bem não possuo, senão a ti somente” (16.2). Adoração, tal como a palavra inglesa, “worship” (worthship, “valor reconhecido”) exprime a riqueza que Deus representa para o adorador.

Uma vez que Paulo reconheceu que a Igreja era o “templo de Deus”, era natural que ele se descrevesse como ministro missionário com a palavra leitourgon (Rm 15.16). O anúncio do evangelho e todo o serviço pastoral de Paulo tinham o objetivo de apresentar as igrejas por ele fundadas como oferta aceitável a Deus (Rm 15.16). Os cinco líderes da igreja de Antioquia serviam (leitourgountōn)) ao Senhor por intermédio de oração, jejum e provavelmente no ensino à igreja (At 13.2). Mas a obtenção de fundos para os carentes da igreja de Jerusalém chama-se leitourgia (2 Co 9.12). O auxílio que Epafrodito trouxe de Filipos a Paulo, que sofria na prisão (Fp 2.25, 30; cf.2.17), teve sua fonte no amor prático e sacrificial de Jesus Cristo, que “obteve o mais excelente ministério” (leitourgia) (Hb 8.6). Assim os cristãos também exercem uma “liturgia” quando servem seus irmãos, motivados por amor a Deus. Por meio deste termo, o N. T. mostra novamente o que é adoração genuína Quem “serve” a Deus (At 13.2), serve à igreja e vice-versa.

“Prostrar-se” – reverenciar, venerar, amar extremosamente, idolatrar, ter grande predileção a, cultuar, curvar-se, cair com o rosto em terra, render-se.

    • Hebraico: “shachac” – 170 vezes no Antigo Testamento – denota prostrar-se diante de autoridades, mostrando significado cultural. É usado como forma comum de se achegar diante de Deus em adoração (Jr. 7:2).
    • Grego: “proskuneo” – pros (na direção de) + kuneo (beijar)Referências: Gn 22:5; 24:26, 48; Ex 4:31, 12:27, 34:8; Js 5:14; 2 Cr 29: 29-30; Ne 8:6; Jô 1:20; Sl 95:6, 132:7; Mt 2:2, 11; Mc 15:19; Jô 4:22-24; Fp 3:3; Ap 5:14, 7:11, 11:16, 14:7, 15:4, 19:4, 10, 22:8-9.

Louvar – lit. “Barulho” – elogiar, gabar, exaltar, enaltecer, glorificar, aprovar, aplaudir, bendizer.

    • Hebraico: “halal” – 160 vezes no Antigo Testamento – fonte de “hallellujah”, que pode ser traduzido por “Louvado seja Yah” (Yah como abreviação de Yaweh – aquele que faz as coisas serem”)

Referências: Ed. 3:10 –11; 2 Sm 6; Salmos