O ser humano tem capacidade de manter uma rede de amizade composta por, em média, 150 pessoas. Conhecido como “número de Dunbar”, ele foi estipulado, na década de 90, pelo antropólogo inglês Robin Dunbar. Segundo ele, esse número se mantém estável desde os primórdios da humanidade e não mudou com a popularização das redes sociais digitais. Há pouco mais de um século habitamos grandes cidades, com populações numerosas. Ainda assim, nosso círculo social funciona da mesma maneira de milênios atrás. Aqueles que conhecemos pessoalmente, em quem podemos confiar e com quem temos alguma afinidade não passa de 150.

Um dos primeiros estudos para comprovar esse número ocorreu em 1993, quando foi solicitado que famílias inglesas enviassem cartões de natal para sua rede de conhecidos, uma tradição forte no país. Ao fim da pesquisa, descobriu-se que o número de pessoas que receberam esses cartões foi aproximadamente esse, 150. Dentro desta rede estavam familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho. De modo geral, investimos cerca de 40% do nosso tempo social com nossos cinco amigos íntimos e 60% do tempo social com nossos quinze melhores amigos. Sobra pouco para os cem amigos que restam. São os encontros de verdade, cara a cara, que sustentam e fazem uma amizade sobreviver. Algumas pesquisas mostraram que, na Europa, 50% das pessoas do círculo social são parentes. Já no Brasil, essa proporção é ainda maior, ultrapassando 50% dos laços de amizade, talvez porque as famílias são maiores.

Os israelitas tinham sofrido sete anos de opressão. Todos os anos, os midianitas, os amalequitas e os povos do Oriente invadiam seu território com um grande exército e destruíam suas searas e seu gado. O povo escolhido de Deus, sofrendo por causa de seu próprio pecado, buscava refúgio em cavernas e escondia do inimigo alimentos apenas para sobreviver. “Assim, Israel ficou muito debilitado com a presença dos midianitas” (Juízes 6:6).

gideoescolheos300homensvs7Deus afirmou sua presença repetidas vezes. Primeiro, ele afirmou por palavras: “Já que eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem” (Juízes 6:16). Chegou o dia da grande batalha (Juízes 7). Gideão conduziu seu exército de 32.000 israelitas para o campo de conflito contra 135.000 midianitas. Em duas etapas, Deus diminuiu a força militar de Israel. Primeiro, 22 mil voltaram para casa. Em seguida, Deus orientou a observar a prontidão dos soldados quando bebiam água no rio, deixando Gideão com apenas 300 soldados.

O texto do livro de Juízes pode não ser bem claro que entre os 135 mil soldados da aliança dos povos do Oriente havia grande divisão. Essa divisão de etnias poderia ser explorada por uma equipe militar homogênea, treinada e focada no resultado. Deus estava ensinando a Gideão e o povo de Israel a importância da confiança. Nós lutamos porque cremos em Deus. Nós lutamos junto a quem nós confiamos. A estratégia vem depois da confiança. Quando uma estratégia é bem-sucedida ela pode ser replicada porque alcançou confiança. É possível que diante da surpresa, o consórcio de exércitos tenham lutado entre si no próprio arraial com camelos e outros animais em fuga assustadora. As relações mais fortes entre equipes de alto impacto podem nos levar aos melhores objetivos.

Em 19 de Outubro de 202 a.C na Batalha de Zama ocorreu um confronto que poria fim a guerra entre Roma e Cartago. No meio do deserto, longe de Cartago ou de qualquer outro aliado a quem recorrer, Aníbal só poderia contar com seu exército e com sua experiência. Armado com seus poderosos elefantes de guerra a frente do exército, este marchou de encontro ao exército romano. Contudo uma reviravolta ocorrera. Cipião já imaginando que seu oponente usaria elefantes na batalha, deu para cada um dos homens na frente de batalha uma trombeta. Quando os elefantes chegaram próximos, os soldados começaram a soprar as trombetas, os animais acabaram se enfurecendo e correndo para trás. Tal acontecimento levou a morte de vários membros da infantaria e cavalaria que foram pisoteados pelos animais em fúria. Com isso o exército de Aníbal ficara dividido, e num verdadeiro caos. Logo os romanos assumiram a dianteira do ataque, levando a rendição do inimigo.

A primeira unidade militar organizada de que há notícia no Ocidente nos tempos clássicos é a falange hoplita das cidades-estado da Grécia antiga. A falange subdividia-se unidades menores que, em Esparta, eram a enomoto – composta por 23 hoplitas – e a lóchos. Quatro enomotíae formavam uma lóchos que se dispunha em oito linhas. Na época de Xenofonte, cada lóchoi passou a ser composta por 144 homens, com cada quatro lóchoi a formarem uma mora. A totalidade do exército de Esparta era formado por seis morae ou seja, cerca de 3600 hoplitas. É precisamente com o surgimento da falange hoplita que nasceu o conceito de unidade militar (táxis), no qual cada componente tem uma função relacionada com o tipo de soldado que a integra (eutaxía). Após a Guerra do Peloponeso, nos flancos e na retaguarda da falange hoplita aparecem unidades de cavalaria e de infantaria ligeira (peltastai). Centúria era uma unidade de infantaria do exército romano, que constituía as coortes romanas, que continha oitenta legionários. Cada coorte continha até seis centúrias e cada legião romana tinha sessenta centúrias de legionários.

No livro de I Samuel, Davi e seus homens voltam ao lar após a guerra para encontrarem sua cidade devastada pelo fogo. Ziclague, onde Davi havia feito sua base, tinha sido atacada pelos amalequitas. Para piorar, o inimigo tinha levado cativas as famílias dos soldados do exército de Davi; suas esposas, filhos e rebanhos foram tomados. Quando viram isso, Davi e seus homens caíram sobre seus rostos chorando; estavam convencidos de que seus queridos haviam sido mortos em sangrento holocausto. As escrituras dizem que todos choraram até perderem as forças.

Aí os homens de Davi se levantaram furiosos contra ele; pegaram pedras, culpando-o pela calamidade. Mas Davi encorajou-se no Senhor. Ele convocou o sacerdote Abiatar, e pediu que este inquirisse o Senhor perguntando o que Deus queria que ele fizesse. Abiatar trouxe a Davi essa palavra do Senhor: “Vá, persiga os amalequitas. Você conseguirá de volta tudo que foi levado. Você não perderá uma coisa sequer. Tudo será recuperado”. Então Davi organizou 600 homens em perseguição aos amalequitas. Quando chegaram ao ribeiro Besor, acharam um escravo egípcio que tinha sido ferido. Quando o escravo ouviu da missão deles, levou-os até o acampamento dos amalequitas.

Porém, 200 soldados estavam feridos e fadigados, impedidos de prosseguir. Ao avançar com os outros 400 soldados, acharam os amalequitas acampados numa grande planície. E ficaram assombrados com o que viram: o inimigo tinha um rebanho de 1milhão de cabeças de gado em sua posse, pois estes amalequitas tinham também atacado os filisteus e saqueado suas propriedades. Em meio à essa tremenda cena, o exército de Davi vê aquilo em busca do qual havia ido até lá: suas esposas e filhos em cativeiro.

Ao se aproximarem, Davi e seus homens viram o inimigo descansando entre as tendas; bebiam e se divertiam celebrando o grande espólio que haviam recolhido. Com o som de 1 milhão de animais do rebanho mugindo e relinchando, a cena deve ter sido agitada e caótica.

Davi distribui os homens para o ataque, e os 400 soldados cercam o acampamento. A batalha que se segue é sangrenta, durando um dia e meio. Quando acabou, Davi havia triunfado – e exatamente como Abiatar havia dito, ele recuperou tudo. Nem sequer uma pessoa, animal ou propriedade que fôra levada de seus homens se perdeu.