Trabalhos voluntários envolvem atualmente 11% dos brasileiros, aponta pesquisa da Fundação Itaú Social feita pelo Datafolha.

Mas sete em cada dez pessoas nunca fez esse tipo de atividade, sendo que os mais jovens —entre 16 e 24 anos— são os menos engajados. O levantamento ouviu, no início de setembro, 2.024 pessoas em 135 cidades do país. Entre os principais motivos apontados para participar de projetos estão a satisfação pessoal (17%), o exercício da cidadania (3%) e a ocupação do tempo livre (3%).

Já a falta de tempo é o maior obstáculo, segundo os entrevistados. A justificativa é citada por 42% dos que já fizeram serviços de caridade e abandonaram a ação.

Pode parecer desanimadas, mas, para o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, o voluntariado está em expansão. “A pesquisa mostrou que 58% dos brasileiros estão dispostos a fazer atividades. Se houver um chamamento das ONGs, por exemplo, mais pessoas vão participar”, diz.

A coordenadora-geral do Centro de Voluntariado de São Paulo, Sílvia Naccache, também aposta nesse crescimento. Ela cita como exemplo o fato de o Brasil ter saltado, neste ano, do décimo para o oitavo lugar do World Giving Index, ranking de países com mais voluntários.

“Tem voluntários que fazem seus trabalhos pela internet, outros só nos dias de folga ou quando acontece uma tragédia”, afirma. Dona de um pet shop, Patrícia Knoplich, 42, atua desde 2009 na ONG “Make a Wish Brasil”, que realiza sonhos de crianças doentes. “Não sou voluntária por profissão, mas por vocação. Já ajudei a realizar o sonho de cerca de 20 crianças e é impagável ver a reação delas”, diz. Não é a única. É nessa sensação de bem-estar, de “fazer o bem”, que 51% dos entrevistados afirmaram encontrar a sua maior recompensa.

Recente pesquisa da ONG inglesa Charities Aid Foundation afirma que há um bilhão de pessoas realizando trabalho voluntário em todo o planeta. Deste total, cerca de 24 milhões estão no Brasil.

O estudo feito em 135 países mostra que a situação brasileira pode ser vista de duas maneiras. Por um lado, estamos entre os dez maiores nas três categorias pesquisadas (doação a ONGs, ajuda ao próximo e trabalho voluntário) quando considerada a quantidade de gente. Com mais de duas dezenas de milhões, em voluntariado ficamos em oitavo lugar no ranking mundial. Isto equivale a 16% da população, três pontos percentuais acima da última pesquisa, publicada em 2013.

Por outro lado, se consideramos o percentual da população envolvida, descemos ao 90º lugar na classificação geral. Detalhando: além dos 16% da população que se voluntariaram em 2013, 22% dos brasileiros doaram dinheiro a organizações da sociedade civil e 40% ajudaram desconhecidos.

Parece bastante, mas, em termos mundiais, não chega a tanto. “Em números absolutos, o Brasil aparece nos três índices entre os dez primeiros colocados por ser um país populoso. Mas em termos de percentual da população, ainda estamos mais próximos do fim da lista. Temos enorme potencial para evoluir”, analisa Paula Fabiani, presidente do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, que representa a Charities Aid Foudation no Brasil.