No total, o túnel inteiro precisará de 2,7 mil anéis para ser revestido, o equivalente a cerca de 22 mil aduelas. O Tatuzão pesa mais de duas toneladas, tem 120 metros de comprimento e mais de 11,5 de diâmetro. A frente do equipamento é uma roda de 11,5 metros de diâmetro que girar pressionando e cortando em pequenos pedaços o solo do caminho. Além de retirar o entulho, a cada 1,80 metros, a máquina posiciona placas de concreto que pesam cerca de oito toneladas.

O custo do empreendimento, que inclui as obras civis de 16 km de túneis, seis estações, zonas de manobra e estacionamento de composições, a implantação de sistemas operacionais e a aquisição do material rodante (trens) é de R$ 8,79 bilhões, sendo 7,63 de recursos públicos e o restante da Concessionária Rio Barra, responsável pela implantação da Linha 4 do Metrô.

Foram encomendados 15 trens para a Linha 4 do Metrô. O fabricante é Changchun Railway Vehicles Co., fornecedor chinês que produziu os 19 trens adquiridos para a operação das Linhas 1 e 2. Os trens começam a chegar no primeiro semestre de 2015 e toda a frota estará comissionada (testada) e pronta para operar em fevereiro de 2016.

O traçado anterior da Linha 4, licitado em 1998, também incluía São Conrado e Gávea, mas passava por Humaitá e Botafogo. O projeto, porém, não foi adiante até a candidatura do Rio à sede olímpica ganhar força. Na época, novos estudos concluíram que levar o metrô a Ipanema e Leblon, em vez de a Botafogo e Humaitá, significaria atender 240 mil usuários por dia, quase o dobro do previsto no plano original.

O engenheiro e morador da Rua Barão da Torre, Mario Sérgio Bandeira, fez uma análise técnica do acidente levantando possíveis falhas do projeto, como por exemplo, a despressurização da camada de terra no local. “A equipe do tatuzão [equipamento de perfuração do solo] não tem comunicação com a equipe externa, estes por sua vez, não observaram os esguichos através dos furos de sondagem nas jardineiras”, disse.

Sobre as medidas adotadas pelo poder público, o promotor de Justiça, do Ministério Público do Rio de Janeiro do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), José Alexandre Mota, explicou que foi feito um pedido para que a obra permaneça parada até a análise dos documentos.

“Nós ampliamos o objeto da investigação para os riscos do tatuzão, que antes estava restrito à praça para tratar de forma aprofundada sobre os riscos e prosseguimentos do equipamento. Também oficiamos o consórcio, assim como a Rio Trilhos e a Secretaria Estadual de Transportes e obtivemos as informações técnicas e disponibilizamos a sociedade civil. Expedimos uma recomendação, para que até a análise dos documentos a obra permaneça parada, e que só continue após uma profunda comunicação à sociedade”, explicou.

Em nota, o Consórcio da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, que administra as obras, informou que a situação está normalizada e que o serviço de tratamento do solo, está sendo feito, para devolver a compressão ao subsolo da Rua Barão da Torre próximo à esquina com a Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, após o assentamento de solo ocorrido em 11 de maio deste ano. Este serviço está recuperando as características que o terreno apresentava antes do incidente, e que assim que foi constatado o primeiro desnível na superfície, a área foi isolada e o plano de contingência acionado