Desde que o alemão Johann Gutenberg imprimiu a primeira “Bíblia”, em 1450, o texto sagrado é o livro mais vendido do mundo, com uma tiragem estimada entre seis e oito bilhões de exemplares. Agora o Brasil acaba de se inserir na história da “Bíblia” ao se tornar o maior produtor da escritura religiosa e registrar a impressão da centésima milionésima edição. O feito histórico aconteceu na Gráfica da Bíblia, em Barueri, em São Paulo, onde são rodados entre 30 mil e 40 mil obras sacras por dia – ou seja, uma “Bíblia” ou Novo Testamento a ca­­­­­da três segundos. A data da impressão histórica, 26 de maio, passará a fazer parte do calendário religioso brasileiro.

A Gráfica da Bíblia pertence à Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), uma instituição filantrópica fundada por líderes cristãos em 1948, no Rio de Janeiro, com o objetivo de difundir o texto religioso. Ao contrário do que se poderia supor, a Igreja Católica não é a principal cliente da gráfica – o posto é dos evangélicos. A SBB, organização ecumênica, produz livros sob encomenda para denominações neopentecostais, como as igrejas Renascer em Cristo e Universal do Reino de Deus, e pentecostais, como a Assembleia de Deus, entre outras que disputam os cristãos.

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“A Igreja Católica nunca deu ênfase à leitura da “Bíblia”. Os evangélicos compram mais”, explicou o teólogo gaúcho Erní Seibert, secretário de comunicação e ação social da SBB. Segundo ele, a instituição vende cerca de seis milhões de “Bíblias” por ano, ao preço médio de R$ 10, começando por R$ 2 (o campeão de vendas, de brochura) até chegar à mais cara edição, de R$ 133,90, a “Bíblia de Estudo Shedd”, com capa de couro, mapas coloridos e dez mil notas de rodapé. Vinte por cento da produção é destinada à exportação para 105 países, em línguas como inglês, espanhol, árabe, hebraico e também latim. A SBB lança 40 títulos inéditos por ano. Muitos temáticos, como a “Bíblia da Família”, a “Bíblia da Mulher” e a “Bíblia do Surfista”.

A SBB domina 70% do mercado editorial bíblico brasileiro. Os outros 30% são divididos entre editoras como as católicas Vozes e Ave Maria, por exemplo. Tudo o que é arrecadado com as vendas é revertido para projetos sociais da instituição e aplicado na confecção de novas “Bíblias”. “Quando inauguramos a Gráfica da Bíblia, nossa capacidade era de dois milhões por ano. Investimos e a tiragem mais do que triplicou”, afirma Seibert. Boa parte da produção é distribuída gratuitamente em escolas, presídios e comunidades carentes. “Imprimimos 2,5 mil “Bíblias” em braile anualmente e doamos aos deficientes visuais que nos procuram. Somente isso é um investimento de mais de R$ 1 milhão por ano.”

Pesquisa recente – Retratos da Leitura no Brasil – divulgada pelo Instituto Pró-Livro em 2012, dá conta de que a bíblia é o livro mais lido entre os brasileiros. A pesquisa ouviu cinco mil pessoas de vários graus de escolaridade e faixas etárias e cada uma delas teria de apontar três gêneros literários como sendo os seus preferidos, sendo que a bíblia não é um gênero, mas foi a obra mais citada por 42% dos entrevistados, seguida pelo segmento dos livros didáticos, 32%; romances, 31%; e livros religiosos (a bíblia entraria nesse grupo), com mais 30% da preferência dos entrevistados. O gênero conto aparece na sexta posição, com 23%. A pesquisa detectou que 90% dos brasileiros possui uma bíblia em casa.

A literatura religiosa parece ganhar cada vez mais adeptos, principalmente nos nichos católico-carismático e evangélico no país. Entre os livros com temática religiosa, fora a bíblia, mais lembrados entre os pesquisados estão Ágape, do padre Marcelo Rossi, e A Cabana, de William Young.

O professor de sociologia da Universidade de Purdue e autor do livro “Religião na China: Sobrevivência e Reavivamento sob regime comunista” – professor Fung Yang, conforme seus cálculos ” a China esta prestes a se tornar em breve um país cristãos em sua totalidade.” “Isso acontecerá em menos de uma geração. Muitas pessoas não estão preparadas para esta mudança tão repentina”, diz o especialista.

Em 1949 a comunidade protestante na China era de apenas um milhão de membros. Hoje, já supera muitos países com a sua maioria dos que confessam a fé evangélica. Em 2010 havia mais de 58 milhões de cristãos evangélicos/protestantes na China em comparação com os 40 milhões no Brasil e os 36 milhões na África do Sul, segundo pesquisa do Centro de Pesquisa Pew.

Segundo um dos maiores especialista em religião na China,professor Yang, acredita que esse número irá aumentar para cerca de 160 milhões até 2025. Isto poderá superar o número de protestantes nos EUA que é de cerca de 159 milhões comprovados em pesquisa de 2010, mas que segundo dados atuais, suas congregações estão em declínio.

Em 2030, a população cristã total da China, incluindo os católicos, superará os 247 milhões  de fieis e superaria o México, Brasil e os EUA, que tem as maiores concentrações de cristãos no mundo. “O ditador Mao pensou que poderia eliminar a religião.E eu pensei que havia conseguido” – disse o professor Yang. “É irônico pensar que, o que eles fizeram foi fracassar completamente em sua tentativa.” – finalizou o professor.

A China, país oficialmente ateu, é um dos principais impressores de Bíblias do mundo, responsável por cerca de 25% dos novos exemplares que circulam no “mercado”. A cada ano, 12 milhões de unidades do livro sagrado dos cristãos saem do parque industrial da Amity Printing Company, na cidade de Nanquim, uma das antigas capitais imperiais chinesas.

Maior “fábrica” de Bíblias do mundo, a unidade é a única autorizada pelo governo chinês a atuar no país e trabalha a um ritmo de 23 exemplares por minuto. Da produção, 80% ficam na China e 20% são exportados para 70 países. A Amity imprime Bíblias em 75 línguas, incluindo 10 da própria China. Os que imprimem ou distribuem Bíblias na China sem autorização podem terminar na cadeia. Em junho de 2009, o líder de uma igreja familiar Shi Weihan foi condenado a 3 anos de prisão e multa de US$ 22 mil sob a acusação de ter “operações empresariais ilegais”. Antes de ser preso, Shi imprimia e distribuía Bíblias gratuitamente.