O governo do estado entregou para a Odebrecht Transport, a operação da SuperVia em 2010 (e comandará o sistema até 2048). Desde a assinatura do contrato, fala-se em investimentos vultuosos: ao governo, caberia investir R$ 1,2 bilhão para renovar a frota de trens. Já a SuperVia, por sua vez, ampliou sua parte no acordo de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,1 bilhões.

Nada que tenha conseguido, até agora, trazer sossego à quem usa o sistema. A esperança é que a necessidade de tornar o negócio rentável para o lado da Odebrecht, o que irá exigir que se atraia mais passageiros para os trens, acarrete na melhoria dos serviços no futuro.

Cerca de 120 trens refrigerados já estão em circulação, e outros 360 começam a circular neste ano. Haverá também, promete a empresa, a troca de mais de 100 quilômetros de trilhos, a instalação de 70 mil dormentes e a substituição de 80 mil metros de cabos de rede aérea e reformas de estações. Segundo a SuperVia, o número de falhas foi reduzido de 1.611, em 2011, para 600 em 2013. No entanto, a quantidade de incidentes ainda incomoda a empresa, governo e, principalmente, os usuários.

ponte SuperviaO problema é que os trens novos não conseguem trafegar em uma velocidade mais alta por conta dos trilhos e sinalizações ultrapassados”, explica o professor da UERJ, Alexandre Rojas. Os trens da SuperVia circulam hoje a uma velocidade média de 38km/h, pouco mais que os ônibus que enfrentam o trânsito caótico da capital fluminense.

Um grande gargalo, não mencionado pelo especialista, é a ponte sobre a Avenida Francisco Bicalho. Por razões de segurança, apenas 2 trens podem transitar simultaneamente em qualquer sentido. Então, a ampliação já está atrasada faz muitos anos.

Em janeiro deste ano, outro descarrilamento levou o caos ao Rio de Janeiro. Um trem que ia da Central do Brasil para Duque de Caxias saiu dos trilhos por volta das 5h. Os vagões atingiram a rede elétrica, que foi derrubada sobre a linha, afetando todo o transporte ferroviário na região metropolitana da cidade.

Com frequência, a Supervia evita o uso de trens com ar condicionado nos períodos de alta temperatura do verão carioca. Quem utiliza os trens diariamente, sabe o que estou dizendo. A conta é simples: quanto maior o número de trens multiplicado pela temperatura, maior será o desembolso de energia elétrica da Supervia. No passado, a RFFSA ficava devendo as contas de energia elétrica para a LIGHT, ambas empresas estatais cariocas.

Em anos de eleições, os trens com ar condicionado aparecem com mais frequência nos ramais estaduais, especialmente para Japeri, Santa Cruz, Saracuruna e Vila Inhomirim. A linha 2 do Metrô recebe maior atenção também.

Um governo débil facilita a gestão intempestiva de sindicatos de trabalhadores e empresários. Com o ocaso dos governos PMDB e PT no estado do Rio de Janeiro, seus políticos evitam ações de gestão eficaz que contrarie corporativismos. Ele se tornou refém nas áreas da saúde, segurança, educação e transporte público.