A vila Mimosa possui 70 casas com no minimo 10 quartos cada, e funcionam com o conhecimento da prefeitura mas sem registro legal, uma vez que na legislação brasileira manter um estabelecimento de prostituição é considerado crime.  O poeta Manuel Bandeira, Di Cavalcanti e Cartola foram frequentadores assíduos. Nos anos 80 a Vila Mimosa ainda funcionava na Zona do Mangue, no final da Presidente Vargas, no Rio. 

Gabriela Silva Leite, na década de 60, cursava Sociologia na USP, trabalhava num escritório e frequentava círculos da boemia intelectual paulistana. Largou tudo e foi trabalhar com prostituição. Foi prostituta da Boca do Lixo, em São Paulo, Zona Bohemia, em Belo Horizonte e da Vila Mimosa, no Rio de Janeiro. Foi também a idealizadora da grife Daspu, desenvolvida por prostitutas. Morreu no Rio de Janeiro, aos 62 anos, em 10 de outubro de 2013, vítima de câncer.

A história da Vila Mimosa na Praça da Bandeira começou a ser escrita em janeiro de 1996, quando o então prefeito Cesar Maia decidiu pela mudança das meninas. Inicialmente, as 1.800 prostitutas seriam transferidas para um galpão em Gramacho, em Duque de Caxias. Mas a compra do espaço acabou em confusão. A prefeitura de Caxias chegou a embargar a obra do galpão, que ficaria às margens da Rodovia Washington Luiz. Na pressa em transferir os bordéis, a prefeitura acabou levando as mobílias e os pertences das moças para um velho galpão de um frigorífico abandonado na Sotero dos Reis.

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Área da Vila Mimosa, perto da Praça da Bandeira, na Zona Norte do Rio<br /><br /><br /><br /><br /><br />
Foto: Fabiano Rocha (arquivo) / Extra

Inspirados em traços de Oscar Niemeyer, o projeto da nova Vila Mimosa é dividido em dois complexos com cinco módulos, num total de 1.825 metros quadrados. O projeto inclui espaço para anfiteatro, desfiles de moda, salas para cursos, creche, estacionamento para 70 carros, posto de saúde e escritórios.

Já o futuro Museu do Sexo, segundo Cleide, prevê fotos, filmes, réplicas de roupas, recortes de jornais e documentos, entre eles carteirinhas funcionais de prostitutas que as profissionais do sexo eram obrigadas a usar por ordem da polícia nos anos 70. A ideia é reunir um acervo desde os primórdios da Vila Mimosa, no século 19, quando ela se localizava na então Zona do Mangue, até o atual endereço, na Rua Sotero dos Reis.

A um mês da Copa, a Vila Mimosa está atraindo também novas mulheres. Atualmente, de acordo com a Amocavim, cerca de 4.500 garotas de programa se revezam 24 horas por dia em 150 imóveis. No ano passado eram 3.500. “A maioria das que estão chegando é de jovens”, diz Cleide, ressaltando que as prostitutas mais antigas estão indo embora da Vila.

Para tentar atrair mais clientes, cerca de 170 comerciantes da Vila Mimosa, que, juntos, chegam a movimentar em torno de R$ 1 milhão por mês, prometem dar um banho de loja nas ruas Sotero Reis, Ceará, Lopes Souza e Hilário Ribeiro. Para amenizar o péssimo visual proporcionado por esgotos a céu aberto e lixo, as ruas serão limpas e pintadas com as cores do Brasil. Telões serão instalados em alguns pontos.

Alguns donos de bordéis, bares e boates da localidade já se anteciparam e instalaram TVs, poltronas confortáveis, máquinas de cartão de crédito e ar-condicionado em seus estabelecimentos. Para divulgar as recentes melhorias, os comerciantes usam as redes sociais. “Proporcionando maior conforto, hoje atendemos até 400 pessoas por dia, o dobro que o ano passado”, diz o gerente da boate Opção Night Club, Zizico Oliver. Na Vila Mimosa, frequentada por cinco mil pessoas por dia, os ambulantes também faturam. Há dois anos, Abimael Andrade vende shorts por lá. “Chego a vender 20 peças (R$ 50 cada uma, em média) por dia”, revela.

Durante a Copa do Mundo de 2014, a região receberá intercessão específica. Igrejas, adoradores e intercessores estão se mobilizando e capacitando para clamar pelo Mover de Deus na região da Vila Mimosa. A ONG Exodus Cry continua empenhada em oração pelas mulheres e crianças em cidades-sede do Brasil vulneráveis​​, defendendo uma reforma legal que as proteja nesta situação de risco, e estendendo a mão para ajudar as vítimas de exploração.

During the World Cup 2014, the region will receive special intercession. Churches, worshipers and intercessors are mobilizing and empowering to call for Move of God in the Vila Mimosa region. The NGO Exodus Cry remains committed to praying for the vulnerable women and children in Brazil’s host cities, advocating for legal reform that would protect those at risk, and reaching out to assist the victims of exploitation.

The Vila Mimosa is a group of establishments located in the same space (streets) and linked by the activity of prostitution. Despite having the name of a town, its beginning was in a large shed, with about 2500 square meters, a building constructed in the form of a square, where the front is open and facing the main street (Sotero dos Reis). In the other three lines of the square and in its central part there are prostitution establishments. The passage between the two sides of this square is paved, narrow and covered. The two entrances of the house are identified by yellow and blue awnings placed on the balconies of establishments along the main street. The bars are located at the bottom and the rooms for the realization of the sleazy business are located on the second floor. It appears to be a shopping arcade, in which a store would be side by side, however, it is bars. In this kind of corridor, the sex trade is intense. There are informal vendors who expose their goods on the floor, the window of a business, and others .roam the streets.

There are just 70 houses in the Vila Mimosa village, each one is at least 10 quarters. Almost all the facilities operate 24 hours. According to the Association of Condominium Residents and Friends of the Vila Mimosa (AMOCAVIM), on the nights of Friday and Saturday there are about 4,500 people (around 3,000 men and 1,500 women) traveling in the complex of Vila Mimosa. For the safety of Rua Sotero dos Reis an internal security staff is paid by the homeowners. Transvestites and male prostitutes are not permitted to work at the site, to preserve the tradition, only women are accepted.

For the Brazilian law, maintaining sex establishments and prostitution are a crime. Therefore, the Vila Mimosa is an illicit business. The houses of prostitution located in front of the warehouse are old houses that were turned into commercial ventures. Each of these bars work with a legal registration of trade.

But for some, Vila Mimosa is a place of relative freedom that offers the chance to earn quick money. Carolina is a prostitute and community activist who came to Vila Mimosa a decade ago, after working in a variety of sex venues across Rio, São Paulo and the state of Minas Gerais. I was introduced to her on my second trip to the district and, as we sat at a makeshift bar on the street where she lives, she explained why she prefers Vila Mimosa to the more glamorous hotspots of Rio’s sex scene.

Vila Mimosa is just one of several areas of prostitution in Rio where “the World Cup effect” is likely to be limited. “Everybody thinks Copacabana and Vila Mimosa are the only areas of prostitution,” says anthropologist Thaddeus Blanchette. “But we’ve mapped 279 prostitution points across the city, including Vila.” Little is known about the day-to-day existences of those living and working in these less-documented areas, less still about those engaging in sex work in favelas. But it is likely that life in these places resembles that in Vila Mimosa more closely than that found along Copacabana’s glitzy beachfront.

Like other communities located beyond the beating heart of Rio’s city centre, Vila Mimosa is largely untouched by the development plans that are transforming other (more desirable) parts of the city. Residents are too preoccupied with their daily struggles to fret about the lingering possibility of having to move. Disconnected from the opportunities and excitement found elsewhere in the city, they expect to reap little of the rewards that others are already claiming from the World Cup. Like Carolina, most will continue to sell sex for as little as $20 USD per “program.”

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