O escritor e filósofo pop inglês Alain de Botton lançou a idéia em seu livro e andou reafirmando em entrevistas: os ateus precisam de uma igreja. Botton quer erguer uma torre de 46 metros no centro de Londres para celebrar, segundo ele, os “300 milhões de anos de vida na Terra”. Botton diz que tem metade do dinheiro e espera conseguir o resto com doações. Se conseguir a autorização e a grana, a construção começaria no final deste ano.

Isso não é propriamente uma novidade (na Revolução Francesa, igrejas foram convertidas em “templos da razão”). Mas Botton defende que a melhor maneira de combater as religiões é usar, basicamente, as mesmas armas. Que existe um rebanho, disso não há dúvida. O grupo dos que se declaram ateus, agnósticos ou sem religião, no planeta, só fica atrás dos que se dizem cristãos e muçulmanos. No Brasil, de acordo com o último Censo, 8% da população se declarou sem religião (destes, 615 mil se disseram ateus).

Recentemente, uma igreja ateísta abriu as portas no norte da capital inglesa – e está fazendo sucesso. A Assembleia de Domingo é comandada por um comediante de stand-up chamado Sanderson Jones. Jones diz que sua organização é “parte um show de pessoas batendo os pés e, no geral, uma celebração da vida”.

07a.-sanderson-jones

Mais de 300 pessoas se reúnem nas ruínas de uma igreja desconsagrada para cantar, em uníssono, hits de Stevie Wonder, Queen, entre outros. A missa tem leitura de alguns clássicos e palestras de físicos, acadêmicos, escritores etc.

O mestre de cerimônias Jones é acompanhado de Pippa Evans, também atriz. Para não ficar na palhaçada, a dupla provoca debates sobre temas que, segundo eles, foram sequestrados pelos religiosos, como “fascinação”.

Segundo a BBC, os “fieis” também têm um momento de contemplação, quando meditam em silêncio, com a cabeça abaixada, sobre o milagre da vida. Na maioria, são pessoas de classe média, brancas, jovens, em dúvida com a sua fé ou apenas em busca de um pouco de diversão no dia mais deprimente da semana.

Esse ateísmo militante ganhou espaço na Europa. Livros como Deus Não é Grande, de Christopher Hitchens, e Deus, um Delírio, de Richard Dawkins, tornaram-se bestsellers (Dawkins também fez um documentário antirreligioso chamado A Raiz de Todo o Mal). O comediante Ricky Gervais virou outra voz ativa.  “Eu duvido que Deus seja racista ou homofóbico, mas a Bíblia não é clara”, diz ele. “Alguns trechos falam de amor e igualdade e outros falam que você não deve confiar em certos tipos e que deitar com um homem como você faria com uma mulher deve ser punido com a morte, o que é meio doentio e mau”.

O maior risco da empreitada da trupe de Sanderson é eles acabarem criando, veja só, uma religião. Provavelmente a moda vai passar e essas pessoas voltarão para casa. Ou irão passear no parque. Ou mesmo entrarão na igreja mais próxima. Como diz o velho Bertrand Russel (como eu gosto dessa frase), o grande problema do mundo é que os tolos e fanáticos estão cheios de certezas, e os mais sábios cheios de dúvidas.

______________________________________________________________________________

The Sunday Assembly—the London-based “Atheist Church” that has, since its January launch, been stealing headlines the world over—announced a new “global missionary tour.” In October and November, affiliated Sunday Assemblies will open in 22 cities: in England, Ireland, Scotland, Canada, the United States and Australia. “I think this is the moment,” Assembly founder Sanderson Jones told me in an email last week, “when the Sunday Assembly goes from being an interesting phenomenon to becoming a truly global movement.” Structured godlessness is ready for export.

The Assembly has come a long way in eight months: from scrappy East London community venture (motto: “Live Better, Help Often and Wonder More;” method: “part atheist church, part foot-stomping good time”) to the kind of organization that sends out embargoed press releases about global expansion projects. “The 3,000 percent growth rate might make this non-religious Assembly the fastest growing church in the world,” organizers boast.

There’s more to come: In October, the Sunday Assembly (SA) will launch a crowdfunded indiegogo campaign, with the ambitious goal of raising £500,000 (or, about US $793,000). This will be followed by a second wave of openings. “ The effort reads as part quixotic hipster start-up, part Southern megachurch.

Like any attempt at organized non-belief, the Sunday Assemblies will attract their fair share of derision from critics. But the franchise model might dismay some followers too. For a corporate empire needs an executive board; a brand needs brand managers; a federation needs a strict set of guiding tenets—and consequences for those who stray from the fold. And isn’t that all wholly opposed to Freethought?

Eventually, Jones and Evans hope their Assemblies will offer more church-like services: Sunday school, weddings, funerals. Nicole Steeves, a 36-year-old librarian who is launching Sunday Assembly Chicago, told me that since becoming a mother, “I have keenly felt the absence of what I think are the best parts of a church: friendships built on common beliefs; a built-in network of helpers for child care, sickness, etc.” Stuart Balkham is launching Sunday Assembly in Brighton, with his wife Anita. Balkham, a 31-year-old trained architect who now works as a music festival organizer, was inspired by his Church of England upbringing. “The Sunday Assembly is unabashedly copying a lot of established Church traditions, but removing what many people feel uncomfortable with if they aren’t religious.”

As the atheist church becomes more church-like, however, it seems to be deliberately downplaying its atheism. Where the Assembly once stridently rejected theism (at April’s Assembly, Jones poked fun at the crucifixion), it is now far more equivocal. “How atheist should our Assembly be?”, Jones wrote in a recent blog post. “The short answer to that is: not very.”

“‘Atheist Church’ as a phrase has been good to us. It has got us publicity,” Evans elaborated. “But the term ‘atheist’ does hold negative connotations. Atheists are often thought to be aggressive, loud and damning of all religion, where actually most atheists, in the UK anyway, are not defined by their non-belief.” At a recent assembly, Jones opined: “I think atheism is boring. Why are we defining ourselves by something we don’t believe in?”

Anúncios