Este ano, a Festa de Pentecostes foi celebrada no dia 15 de maio, um dia antes do aniversário de criação do Estado de Israel. Um acontecimento sem precedentes.
Nas sinagogas, na véspera do primeiro dia, são lidos trechos da Tora e de outros livros do Tanach. Na manhã seguinte, a leitura do poema Akdamot transmite a idéia da revelação do har Sinai. Na manhã do segundo dia, é lida a Meguilat Ruth, sendo a história de Ruth, de Moav, uma das mais bonitas de toda a literatura do Tanach. Descreve a amizade, o amor e a dedicação de duas mulheres – Ruth e Naomi. Exalta a lealdade – lealdade à própria família, que planta, nos seres humanos, a semente da confiança, da fé e da lealdade que uns têm nos outros, crescendo, assim, a sólida lealdade do homem para com D’us. Enquanto viverem, os homens vibrarão com as palavras de Ruth, a viúva do filho de Naomi:
Não me instes para que a deixe, e volte e não a siga; Porque aonde quer que vá, irei eu; Onde quer que pouses, pousarei eu; O seu povo será o meu povo, E o seu D’us, o meu D’us.
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A seguir, o kohen devia “oferecer o Omer diante de Deus” (Levitico 23:11). Era feito em frente ao lado nordeste do Altar, e o sacerdote de frente para o Oeste.
Na Festa de Pentecostes, uma das 3 Santas Convocações, o povo ia ao Templo e oferecia os pães fermentados e cozidos – eram as primícias da colheita do trigo; um ato de ação de graças pela colheita da agricultura; uma promessa da profecia que se cumpria
A cidade santa, então com uma população de cerca de 600.000 habitantes, explodia para 2 ou 3 milhões, devido ao número de peregrinos. Era o momento escolhido por Deus, para fazer nascer a sua igreja, o seu povo.
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O ato final da oferta de Omer envolvia o sacerdote jogar porções da farinha com óleos para queimar em um altar. A seguir, um cordeiro era imolado e queimado no altar. A partir de então, os grãos da nova colheira poderiam ser comidos pelo povo.
Quarenta dias depois de sua ressurreição, Jesus deu instruções finais aos discípulos e ascendeu ao céu (At 1.1-11). Os discípulos voltaram a Jerusalém e se recolheram durante alguns dias para jejum e oração, aguardando o Espírito Santo, o qual Jesus disse que viria. Cerca de 120 pessoas seguidores de Jesus aguardavam.
Cinqüenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecoste, um som como um vento impetuoso encheu a casa onde o grupo se reunia. Línguas de fogo pousaram sobre cada um deles e começaram a falar em línguas diferente da sua conforme o Espírito Santo os capacitava. Os visitantes estrangeiros ficaram surpresos ao ouvir os discípulo falando em suas próprias línguas. Alguns zombaram, dizendo que deviam estar embriagados (At 2.13).
Mas Pedro fez calar a multidão e explicou que estavam dando testemunho do derramamento do Espírito Santo predito pelos profetas do Antigo Testamento (AT) (At 2.16-21; Jl 2.28-32). Alguns dos observadores estrangeiros perguntaram o que deviam fazer para receber o Espírito Santo. Pedro disse: ” Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo ” (At 2.38). Cerca de 3 mil pessoas aceitaram a Cristo como seu Salvador naquele dia (Atos 2.41).
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Após oferta do Omer no lado nordeste do Altar, o kohen colocava a oferta dos primeiros grãos no lado sudeste do Altar. Este era o procedimento para todas as ofertas de cereais.
O efeito desse acontecimento foi tríplice:

a) Iluminou as mentes dos discípulos, dando-lhes um novo conceito do reino de Deus.

b) Compreenderam que esse reino não era um império político mas um reino espiritual, na pessoa de Jesus ressuscitado, que governava de modo invisível a todos aqueles que o aceitavam pela fé.

c) Aquela mani­festação revigorou a todos, repartindo com eles o fervor do Espírito, e o poder de expressão que fazia de cada testemunho um motivo de convicção naqueles que os ouviam.

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Após a conclusão da oferta do Omer no Átrio do Templo, peregrinos ao deixar o Templo poderiam encontrar os produtos da colheita nos mercados de Jerusalem.
O Sefirat Há Omêr, na língua hebraica, significa a contagem dos cinqüenta dias para a oferta do molho. No judaísmo, a palavra Omêr, significa na linguagem espiritual, um período necessário para se assumir a liberdade conquistada.
Na Páscoa somos libertos da escravidão do Pecado, mas após a contagem de Sefirah Há Omer, devemos tomar consciência de que agora o Senhor deseja nossa libertação para Servi-Lo.
Para os judeus, a Festa de Pentecostes celebra o aniversário da Torá, dada por Moises no Monte Sinai. Para nós cristãos a Festa de Pentecostes celebra o nascimento da igreja Primitiva.