Tudor Parfitt, autor de A Arca perdida da Aliança, detalha algumas teorias de localização da Arca. Ele cita várias vezes a possibilidade de estar escondida na Etiópia, após uma pequena estadia na Ilha de Elefantina, no rio Nilo, logo abaixo da primeira catarata.

O sistema de realeza foi adotado no Reino de Kush. Entre o séc. VIII a.C. e IV a.C., esse reino núbio conheceu um período de grande estabilidade e
continuidade de dinastias, conquistando, dessa forma, grande prosperidade e respeito perante os demais reinos do vale do Nilo. Heródoto, o grande historiador grego, tentou, pouco antes do ano 400 a. C.,  ver Meroe, a forte e bela capital do majestoso reino dos cuxitas e dar notícias dela à  Europa. Contudo, teve de se contentar apenas com o que os sacerdotes de  Elefantina puderam lhe contar sobre as maravilhas desta cidade.

No ano 36 da nossa era – apenas cinco anos após o Pentecostes –, o cristianismo já havia penetrado no coração da África, na pessoa do eunuco de Candace, rainha de Meroé (Sudão). A notícia que lemos no Atos dos Apóstolos (8.26-39) é muito sóbria, mas apresenta elementos que nos permitem reconstruir com razoabilidade o cenário histórico da conversão do primeiro negro ao cristianismo.
Candace era o título da rainha de Meroé. No século VIII antes de Cristo, surgira, ao longo do rio Nilo a sul do Egito – portanto na África negra – um império cujos imperadores, entre 750 e 650, ocuparam o trono dos faraós. Empurrados ou retirando-se para o Egito, transferiram a sua capital de Napata – na grande enseada do Nilo – para 250 km mais a sul, onde surgiu a cidade que os historiadores gregos chamaram Meroé. Daí, os reis de Meroé dominaram, servindo-se de um sistema feudal, quase todo o território do atual Sudão, passando por períodos alternados de expansão e de recessão.
A rainha de Meroé tinha um ministro eunuco, conforme o uso da época, que superintendia os seus tesouros (em especial o ouro que se extraía nas montanhas do deserto oriental) e, por conta disso, fazia viagens ao Egito, onde fazia negócio com os numerosos comerciantes hebreus aí estabelecidos. Por eles, conheceu a religião monoteísta e a ela aderiu, de tal forma que foi a Jerusalém adorar o Deus de Israel. Como em todos os locais de peregrinação, também em Jerusalém havia bancas de venda de livros, onde o eunuco comprou um rolo de papiro ou pergaminho com os 66 capítulos de Isaías, em língua grega.
No regresso, o ministro negro pôs-se a ler em voz alta; o diácono Filipe, ao escutá-lo, ficou maravilhado e perguntou-lhe: «Compreendes, verdadeiramente, o que estás a ler?» Ao ouvir uma resposta negativa, Filipe ofereceu-se para o ajudar e explicou-lhe que o profeta falava de Jesus de Nazaré… A narração dos Atos dos Apóstolos termina com o eunuco recebendo o batismo.

Sofonias 1:1-10 – Palavra do SENHOR, que veio a Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá. Hei de consumir por completo tudo de sobre a terra, diz o SENHOR. Consumirei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços juntamente com os ímpios; e exterminarei os homens de sobre a terra, diz o SENHOR. E estenderei a minha mão contra Judá, e contra todos os habitantes de Jerusalém, e exterminarei deste lugar o restante de Baal, e o nome dos sacerdotes dos ídolos, juntamente com os sacerdotes; E os que sobre os telhados adoram o exército do céu; e os que se inclinam jurando ao SENHOR, e juram por Milcom; E os que deixam de andar em seguimento do SENHOR, e os que não buscam ao SENHOR, nem perguntam por ele. Cala-te diante do Senhor DEUS, porque o dia do SENHOR está perto; porque o SENHOR preparou o sacrifício, e santificou os seus convidados.Acontecerá que, no dia do sacrifício do SENHOR, castigarei os príncipes, e os filhos do rei, e todos os que se vestem de trajes estrangeiros. Castigarei naquele dia todo aquele que salta sobre o limiar, que enche de violência e engano a casa dos seus senhores. E naquele dia, diz o SENHOR, far-se-á ouvir uma voz de clamor desde a porta do peixe, e um uivo desde a segunda parte, e grande quebrantamento desde os outeiros.

Contexto histórico

  • Conforme o próprio Sofonias relata, seu ministério foi exercido nos dias de Josias, filho de Amon, rei de Judá.
  • De acordo com o que está relatado em 2º Reis 22:3, foi no ano décimo oitavo de seu reinado que Josias realizou a reforma religiosa em Judá; isso ocorreu no ano 621aC.
  • Nessa mesma época, o profeta Jeremias exercia o seu ministério. Como está relatado em Jeremias 1:2, seu chamado ocorreu no décimo terceiro ano do reinado de Josias em 627aC., isso pode significar que esses dois profetas possam ter influenciado o monarca a realizar a reforma.

Genealogia

  • Sofonias é o único profeta canônico que apresenta genealogia detalhada, menciona quatro gerações de seus antepassados.
  • O nome Sofonias significa “o Senhor o escondeu” – isso representa algo de valor: escondido pelo Senhor -, o que sugere uma origem de família crente e fiel a Deus.
  • Logo no início de seu livro, Sofonias menciona parte de sua genealogia aonde consta que ele é neto do rei Ezequias. Isso garantia-lhe mais respeito e acesso à elite dominante de Judá;
  • Porém, sua descendência real não o impedia de pregar a verdade contra as injustiças e os pecados da monarquia.
  • Sofonias foi filho de um homem chamado Cusi; esse nome – Cush, em hebraico – significa Etiópia, e Etiópia significa “a terra do povo de rostos queimados”, ou seja: pessoas negras; baseando-se nisso, imagina-se que Sofonias fosse um homem negro;

·         Estudiosos acreditam que o rei Ezequias tenha se casado com uma mulher africana e que desse relacionamento tenha nascido Cusi. Há teólogos que chamam Sofonias de “o profeta africano”.

Em 1973, o coronel Mengistu Haile Mariam realiza um golpe de estado na Etiópia, implantando uma ditadura comunista que em muito ameaçava a comunidade dos Beta Israel. Durante as semanas seguintes ao golpe de estado de Mariam, aproximadamente 2.500 judeus foram mortos e 7.000 perderam suas casas. No início dos anos de 1980, a Etiópia proibiu a prática do Judaísmo e o ensino de hebraico. Vários membros da comunidade Beta Israel foram encarcerados, falsamente acusados de “espiões sionistas”, enquanto líderes religiosos judeus passaram a ser monitorados pelo governo.

O governo começou a tratar os judeus de forma menos rígida durante a metade da década de 1980, quando a fome assolou o país, afetando seriamente sua economia. A Etiópia então foi forçada a pedir ajuda a nações ocidentais, incluindo EUA e Israel, que pediam a redução da pressão sobre os beta israelenses.

Em novembro de 1984, começa a Operação Moisés que, dois meses depois, resgata 8.000 judeus da Etiópia e os leva para Israel. Em 1985, os EUA planejam uma missão de resgate para dar prosseguimento à Operação Moisés: foi a Operação Joshua, que levou mais 800 beta israelenses para Israel.

No início de 1991, rebeldes tiram o coronel Mariam do poder. O governo Likud de Yitzhak Shamir autorizou que a companhia aérea israelense El Al voasse no Sabbath judeu. Na sexta-feira, 24 de maio, e seguidamente por 36 horas, um total de 34 aeronaves da El Al começaram um novo capítulo na luta pela liberdade da comunidade judaica da Etiópia, levando sua população para Israel – foi a chamada Operação Salomão.

Um total de 14.324 judeus etíopes foram resgatados e alocados em Israel, um êxodo moderno em grande escala. A Operação Salomão resgatou o dobro de judeus das Operações Moisés e Joshua em uma mera fração de tempo. Embora seja cedo para prever seu impacto na sociedade israelense, os 36.000 beta israelenses vivendo em Israel certamente terão um papel importante na construção de futuras gerações do país.