A história do Budismo no Tibete, na China, no Japão, em Sri Lanka, em Mianmar (antiga Birmânia) e em outros países budistas está pautada com muita violência. Na China, o envolvimento é antigo, pois lá ficou conhecido o mosteiro budista Shaolin, onde monges praticavam as artes marciais, sobretudo o Kung Fu. Na tradição Wuxia (heróis guerreiros), a qual depois foi transferida para a literatura, para o teatro, para as artes plásticas e, mais recentemente, para o cinema, muitos de seus heróis eram monges budistas praticantes de artes marciais. No Japão, também são conhecidos os Sohei (monges guerreiros), os ancestrais dos Samurais, os quais lutaram nas guerras Jokyu, Onin e Genpei, para defender os senhores feudais. Na atual Sri Lanka, os budistas se envolveram numa guerra contra os tamis (imigrantes hindus do sul da Índia), a qual já matou milhares de pessoas, ademais já ficou conhecido o “Yellow Robe Terrorism” (Terrorismo da Túnica Amarela), referindo-se a cor amarela da tradicional túnica dos monges Theravada, corrente budista predominante naquela ilha. Estes são apenas alguns poucos exemplos na história, para mostrar que o Budismo tem DNA violento.
 O mundo se chocou com a notícia do ataque terrorista com gás venenoso Sarin efetuado por uma seita japonesa, de caráter terrorista, a qual também incorpora doutrinas budistas, no metrô de Tóquio em 20 de Março de 1995. Na ocasião, 13 usuários perderam suas vidas, 54 ficaram seriamente feridos, mais 980 foram afetados e, estima-se que, no total, cerca de 5 mil pessoas foram afetadas pelo gás venenoso.
Embora ainda não tão popularizado, o assunto começou a chamar a atenção dos acadêmicos, sobretudo em razão da necessidade de corrigir esta imagem deformada do Budismo no Ocidente, prova disto são as recentes publicações de dois livros sobre a violência budista. O primeiro é “Buddhist Warfare” (Guerra Budista), editado por Michael Jerryson e Mark Juergensmeyer, Oxford University Press, 2010, o outro “Buddhism and Violence: Militarism and Buddhism in Modern Asia” (Budismo e Violência: Militarismo e Budismo na Ásia Moderna), editado por Vladimir Tikhonov e Torkel Brekke, Routledge, 2013.No conflito noticiado recentemente em Mianmar, entre budistas e muçulmanos, na cidade de Meiktila, 32 pessoas morreram e mais de 8 mil pessoas fugiram do local. Os jornais e sites anunciaram que era possível ver monges budistas armados pelas ruas. O Budismo é maioria em Mianmar. Outros conflitos entre budistas e muçulmanos em Mianmar, no ano passado, no estado de Rakhine, deixaram cerca de 180 mortos e 110 mil abandonaram a região.

O fim da ditadura militar, em Março de 2011, provocou uma onda de violência étnica, que é agora um dos maiores desafios do Governo reformista birmanês. A transição democrática na Birmânia nos últimos anos já permitiu a libertação de vários dissidentes – entre as quais, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, em 2010 –, o fim da censura e a realização de eleições livres, mas o actual Governo enfrenta críticas por causa da violência entre budistas e muçulmanos.
A Birmânia é um país predominantemente budista, mas cerca de 5% dos seus 60 milhões de habitantes são muçulmanos. As comunidades mais significativas estão localizadas nas duas maiores cidades do país, Yangon e Mandalay.

“Toda a gente está em estado de choque. Não esperávamos que isto acontecesse”, lamentou um professor muçulmano de Mandalay, que pediu para não ser identificado.

Monges budistas conhecidos pelas suas posições anti-islâmicas têm organizado várias manifestações em Mandalay. Em Meikhtila, uma mesquita, uma escola muçulmana, vários estabelecimentos comerciais e edifícios governamentais foram queimados.

Outra questão importante a ser destacada em mais este impasse sectário pelo mundo está a postura do Governo de Bangladesh, que em vez de auxiliar seus imigrantes, fechou suas fronteiras não permitindo que eles retornem ao país, fugindo dos confrontos em Myanmar.

 Diante da atitude do Governo Bengali, a ONG norte-americana Human Rights Watch instou Bangladesh para manter a sua fronteira aberta para as pessoas que procuram refúgio contra a violência. O grupo disse em um comunicado que Bangladesh também deve permitir que as agências humanitárias independentes tenham acesso irrestrito às áreas de fronteira para poder ajudar.  De acordo com a organização, na terça-feira, Bangladesh não autorizou o acesso ao país de mais de mil muçulmanos que chegavam em três barcos  em fuga da violência no país vizinho. “Ao fechar sua fronteira quando a violência … está fora de controle, Bangladesh está colocando vidas em risco grave”, disse Bill Frelick, diretor do Programa de Refugiados da Human Rights Watch. “Bangladesh tem uma obrigação de direito internacional para manter a sua fronteira aberta para as pessoas que fogem de ameaças às suas vidas e proporcionar-lhes proteção”, disse Frelick. Ele também pediu que outros governos a prestar assistência humanitária e outros apoios para os refugiados.
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