A crise internacional, que atingiu principalmente os países da zona do euro, aumentou a procura de europeus pela América Latina e pelo Caribe. A conclusão está em um estudo divulgado pela Organização Internacional de Migrações (OIM). O documento revela que 107 mil europeus deixaram o continente, no período de 2008 a 2009.

Diante da crise econômica que assola a Espanha e boa parte dos países europeus há anos, o governo do país quer interceder para que o Brasil flexibilize algumas regras que possam agilizar a concessão de vistos de trabalho para enviar mais profissionais para suas empresas já instaladas em território verde-amarelo. Essa concessão pode dificultar o ingresso de muitos jovens brasileiros em empregos de nível superior. O Legislativo precisa estar atento a essas pressões e movimentos lesa-pátria.

A presidente Dilma Rousseff recebeu o pedido de sua contraparte espanhola, Mariano Rajoy, durante encontro bilateral ao visitar aquele país. As conversas ocorreram, na capital Madri, após a 22- Cúpula Ibero-Americana dos Chefes de Estado e de Governo, realizada em Cádiz.

Com o crescimento da economia brasileira em um contexto de crise mundial, mas, principalmente, do vigor do mercado de trabalho que gera até falta de mão de obra, o Brasil vem sendo atrator de trabalhadores estrangeiros. “Desde 2007 houve uma reviravolta no fluxo de migração. Até aquele ano, nós é que enviávamos para fora. Agora os estrangeiros estão vindo e os brasileiros também retornando”, diz o presidente do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), Paulo Sérgio de Almeida.

Ele afirma que houve aumento na demanda por vistos temporários de profissionais espanhóis e portugueses, principalmente para a área de engenharia e áreas mais qualificadas da construção civil. “Mesmo porque o Brasil tem demandado por isso. E essas nacionalidades têm disponibilidade desses profissionais”.

Segundo informações da Coordenação Geral de Imigração (CGIg), até setembro deste ano foram concedidas 1.431 autorizações temporárias de trabalho para os espanhóis, praticamente o mesmo número apurado em todo o ano de 2010. No ano passado, esse volume chegou a 1.833 concessões.

Os pedidos para trabalhar regularmente no Brasil também têm relação com o volume de investimentos que aportam no país. Em uma década, o estoque de inversões de países da península Ibérica passou de US$ 21,6 bilhões para US$ 132,6 bilhões. Os vistos temporários de trabalho valem entre seis meses e dois anos, podendo haver prorrogação por mais dois anos antes do pedido para que ele se torne permanente.

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