Um levantamento divulgado pela consultoria Ernst & Young no começo de junho com 1,75 mil empresários de diversos países, sendo 50 brasileiros, mostrou que 39% deles veem a corrupção como algo comum no país onde trabalham e 15% acham justo pagar propina para ganhar novos contratos. Mas a pergunta é: o que motiva esse tipo de comportamento? Por que empresários de multinacionais respeitadas concordam em se expor tanto sabendo que o risco de ser pego é cada vez maior e as consequências cada vez mais duras?

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Uma nova pesquisa conduzida por um grupo de estudiosos das universidades de Cambridge, na Inglaterra, e Hong Kong, na China esmiuçou 166 famosos casos de corrupção em 52 países entre 1971 e 2007 para dar uma resposta a essa pergunta. E a conclusão a que eles chegaram é tão simples quanto estarrecedora: ser corrupto é um ótimo negócio.

A língua e os hábitos dos países mudam, mas o esquema da ‘compra de interesses’ é quase sempre o mesmo: alguém suborna políticos ou funcionários públicos para obter vantagens. Geralmente no sentido de burlar licitações ou chancelar contratos ilegais. Simples assim. Em qualquer lugar do mundo funciona bem.

As construtoras ou empreiteiras são as empresas que aparecem no topo do ranking da propina. Segundo o estudo, elas representam 27,7% dos que ‘molham a mão’ dos desonestos que decidem. Na maioria dos casos, essas empresas foram processadas, o que não impediu que a prática continuasse surtindo efeitos. Num resumo infeliz, a dedução é que o risco e/ou a punição de ser apanhado e condenado não são suficientemente grandes a ponto de impedir a ação de corruptores e corrompidos.

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