O projeto de liberação do cultivo e uso da maconha tem no presidente Mujica e em seu ministro de Defesa, Eleuterio Huidobro, ambos ex-guerrilheiros, seus maiores entusiastas. Cabe lembrar que o presidente uruguaio foi o principal defensor da entrada da Venezuela de Chávez no Mercosul. Mujica ganhou destaque por destinar 90% de seu salário para ONGs sociais. Nos anos 60, muitos brasileiros viajavam para o Uruguai para casar devido suas leis liberais quanto ao divórcio. Seu turismo é baseado na liberação de cassinos. Um caminho que pode mover a Mão de Deus contra aqueles governantes assim como aconteceu com a Argentina de Cristina Kirchner.

Segundo o texto, o Estado produzirá e controlará a produção da droga. Serão criadas empresas públicas para as plantações, e cada cidadão poderá comprar até 40 cigarros por mês após registrar-se como usuário. Só valerá para uruguaios ou residentes.

“Dessa forma, pretendemos combater o narcotráfico. Hoje, de cada três presos no Uruguai, um está relacionado ao problema da droga. A estratégia proibicionista de países como Colômbia e México não trouxe resultados e criou mais violência”, diz.

Segundo o Ministério da Defesa uruguaio, a maconha é um negócio que move US$ 75 milhões por ano e conta com 1.200 vendedores e distribuidores. O país possui 3,3 milhões de habitantes.

Uma pesquisa do Observatório Uruguaio de Drogas diz que 20% dos uruguaios entre 15 e 65 anos já provaram maconha alguma vez; 25% fumam regularmente; 21,1%, algumas vezes por semana; e 14,6%, diariamente. Os planos do governo são produzir 81 mil quilos de maconha por ano, para atender a cerca de 150 mil consumidores, numa área de pelo menos 64 hectares.

O modelo liberal em relação aos usuários de drogas já é praticado pelas polícias do mundo inteiro, influenciados pelo livro Freakonomics que demonstra a redução dos índices de violência. Parece bom para as classes privilegiadas. Porém, recente pesquisa, coordenada pelo cientista social Antônio Lavareda, por encomenda da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), junto à classe C —a que mais sofre os efeitos da criminalidade–, constatou que nada menos que 90% se opõem à liberação das drogas.

O Brasil é o segundo maior mercado consumidor mundial de cocaína e derivados, com 20% do mercado global, e o maior mercado de crack. São assassinadas, por ano, no Brasil, segundo o Ministério da Justiça, nada menos que 50 mil pessoas, média de 136 mortes por dia, índice de guerra civil. Na guerra do Iraque, a média diária era de 35 homicídios de civis por dia, segundo dados divulgados pela ONU (Organização das Nações Unidas) ao final do conflito.

Estamos em guerra. Ela deve ser vencida. Depois, negociamos os termos de paz.