“Quando as mercadorias não podem cruzar fronteiras, os exércitos cruzam”, dizia o secretário de Estado americano Cordell Hull (1933-44). Depois de um sangrento século 20, a Ásia se tornou a região que mais cresce no mundo, deslocando, na era da globalização, o eixo de poder da aliança atlântica para o Pacífico.

As trocas comerciais entre a China e o Japão não são coisa pouca: representaram 345 mil milhões de dólares em 2011, diz o “Wall Street Journal” (262.300 milhões de euros). O Japão é o segundo maior parceiro comercial da China, e Pequim é o principal parceiro de Tóquio: 21% das exportações e importações japonesas vão para a China, diz o jornal norte-americano.

A paz é o elemento essencial que permitiu aos asiáticos concentrar esforços no extraordinário desenvolvimento econômico, que hoje é exemplo para os países subdesenvolvidos. Eles sabem disso. O que garante a legitimidade de líderes autocráticos como os dirigentes chineses é o crescimento econômico elevado. Mas começa uma disputa de poder entre China e Japão em torno da liderança regional.

A disputa de anos pelas ilhas a que os japoneses chamam Senkaku e os chineses Diaoyu escalou de forma drástica na sexta-feira, quando a China enviou seis navios de vigilância para um grupo de ilhas desabitadas, no Mar do Leste da China, aumentando as tensões entre os dois países a níveis que não se viam desde 2010.

As ilhas são propriedade de um privado japonês e o envio dos barcos foi uma resposta chinesa às intenções do Governo japonês de comprar as ilhas – forçado a isso pelas acções do governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, um nacionalista conhecido pela sua retórica anti-China, que lançou uma subscrição pública online para comprar as ilhas para o município da capital japonesa.

As relações sino-nipónicas estão há muito condicionadas pela memória amarga das agressões militares do Japão à China nas décadas de 1930 e 1940. Hoje, os dois países competem ainda pelos recursos e pelo poder político da região.

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