Esta é a primeira vez que o Datafolha posiciona os paulistanos numa escala de conservadorismo e liberalismo.

O trabalho foi feito a partir de um conjunto de questões envolvendo valores sociais, políticos e culturais, como a influência da religião na formação do caráter e o entendimento sobre as causas da criminalidade, por exemplo.

A partir das respostas, o instituto agrupou os eleitores em cinco categorias. Os extremamente conservadores representam 10% do eleitorado. Conservadores são 34%. Medianos, 23%. Liberais somam 27%. E extremamente liberais, 6%.

Entre os eleitores simpáticos ao tucano José Serra (21% das intenções de voto), também há predominância conservadora. O recorde de Serra ocorre entre os extremamente conservadores, 24%.

Já o petista Fernando Haddad (15% das intenções de voto) aparece com destaque no polo oposto. Se a eleição fosse feita apenas entre as pessoas identificadas como extremamente liberais, Haddad seria o líder, com 24%.

Russomanno combina protesto e tradição

Passada a surpresa inicial, a liderança persistente de Celso Russomanno (PRB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo já encontrou diversas tentativas de explicação.

De subproduto do lulismo a patrulheiro da nova classe média, passando pela figura do anti-Kassab, todas as teses encontram fundamento. Mas são poucos os dados utilizados para ilustrá-las. A pesquisa divulgada hoje pela Folha permite que uma dessas teorias seja testada.

O argumento de que certo conservadorismo paulistano sustentaria uma candidatura com as características como a de Russomanno fora ventilado recentemente. Mas quanto, de fato, a população da capital é conservadora?

E seria o candidato do PRB o nome com melhor desempenho nesses estratos do eleitorado? Qual candidatura, então, poderia se destacar nos segmentos mais liberais?

Levantamentos anteriores realizados pelo Datafolha em eleições para prefeito de São Paulo revelaram que o paulistano pende politicamente à direita e que só rompe com a tradição para protestar.

Nas últimas semanas várias análises têm sido escritas com o objetivo de ajudar a entender o fato mais inusitado da eleição para a prefeitura de São Paulo até o momento: a liderança nas pesquisas de intenção de voto do candidato Celso Russomanno, do pequeno PRB. Há um ano atrás provavelmente nove entre dez analistas diriam que a corrida eleitoral na maior cidade do país seria polarizada por PSDB e PT. Mas a apenas três semanas do 1º turno, não é isso o que se vê. Russomanno parece consolidado na frente e provavelmente com uma vaga assegurada no 2º turno, enquanto José Serra e Fernando Haddad travam uma guerra particular para ver quem vai ter o direito de enfrenta-lo na rodada final.

Na visão de Aldo Fornazieri, o sucesso de Russomanno se deve, em grande medida, ao fato de que o candidato valorizou mais uma boa estratégia de campanha do que o horário de tv. Sim, é fato. Mas não estou certo se isso, por si só, é suficiente para dizermos que Russomanno derrubou nesta eleição o mito de que o horário de tv e a “ação milagreira” dos marqueteiros podem fazer a diferença. Lembremos que Russomanno, por um lado, não tinha opção. Conta com muito menos tempo na propaganda eleitoral que seus principais adversários, então não podia fazer do horário eleitoral sua principal arma. E, por outro, talvez Russomanno nem precisasse mesmo de mais do que os dois minutos e pouco diários de que dispõe, dado que está na vitrine televisiva há quase trinta anos. É amplamente conhecido do eleitorado. E sem ter a imagem de político tradicional que Serra, também amplamente conhecido, tem. Talvez esta eleição esteja demonstrando que o mito do horário eleitoral se mantém para o caso de candidatos até então desconhecidos, como Haddad, que cresceu nas pesquisas assim que botou a cara na telinha. E que se mantém também no caso de candidatos com imagem desgastada, como é o caso de Serra, para quem aparecer na tv por tanto tempo só aumenta a rejeição, repetindo fenômeno que já ocorreu no passado com outros candidatos. Quanto mais apareciam na tv, mais caíam nas pesquisas.

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