O Brasil nunca investiu tanto nos atletas paraolímpicos. Somente no último ciclo, os gastos voltados para atletas com deficiência pularam de R$ 77 milhões para R$ 165 milhões. A verba é originada da Lei Piva, Lei de Incentivo ao Esporte, apoio dos governos estaduais e patrocínios.

Desde 1958, o trabalho de Aldo Miccolis, um homem evangélico, diácono batista, foi bastante árduo, no sentido de divulgar o esporte e o direito de cidadania das pessoas com deficiência no Brasil. Naquela época, nada consistente acontecia a respeito. Depois de formar 2 equipes de basquetebol em cadeira de rodas, viajou pelo país, visitando mais de 100 municípios, fazendo exibições e palestras. Ele criou o Instituto Aldo Miccolis para promover a inclusão de deficientes físicos na vida da sociedade brasileira. Utilizei o texto da presidente do Instituto, Rosane Miccolis. Clique aqui para conhecer o site do Instituto.

Em 1969, foi constituída a primeira delegação brasileira de paraatletas para competir em Buenos Aires, nos II Jogos Pan-americanos em Cadeira de Rodas, com atletas do Rio de Janeiro e São Paulo. Na Argentina, o Brasil ganhou 17 medalhas. Daí para frente, nosso país participou de todas as competições internacionais.

Em 1975, dentro do avião em que estava a delegação brasileira vinda dos jogos internacionais no México, foi fundada a ANDE – Associação Nacional de Desportos para Deficientes, da qual foi presidente durante 25 anos. Em 1976, Aldo Miccolis assumiu a direção do esporte nacional para esse segmento. Muitos países foram visitados por ele e seus atletas paraolímpicos: Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Canadá, Estados Unidos, Thecoslováquia, Argentina, Coréia do Sul, Japão, Irlanda do Sul, Uruguai, Chile, Peru, Jamaica, México, Ucrânia, Austrália, Grécia entre outros.

De acordo com pesquisa feita pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil conta com quase 20 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. O número é superior a populações inteiras de países como Chile e Holanda, o que aumenta o potencial de revelação de atletas.

Outro levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que a população ultrapassa os 45 milhões. Entretanto, a estimativa não é tão aceita no âmbito esportivo devido aos critérios mais brandos sobre deficiência adotados pela entidade.

Como homem de Deus, Aldo Miccolis teve uma vida de testemunho e de compromisso com sua fé, o que foi notado em toda parte por onde ele passou. Juntando-se aos atletas de Cristo da delegação, realizava cultos, distribuia folhetos nos mais variados idiomas,  mantendo-se sempre firme na oração.

Aldo Miccolis é Presidente de Honra do Comitê Paraolímpico Brasileiro e Cônsul Paraolímpico, já tendo atuado como Vice-Presidente em anos anteriores. Também é Presidente de Honra da Associação Brasileira de Esportes para Cegos. Foi Presidente da FEPAN CP-ISRA (Panamerican Federation of Sports for Cerebral Palsy), que dirige a área para PC (paralisia cerebral) no mundo, foi membro do Comitê Executivo do IPC/Américas (Executive Committe of IPC/Americas) e Presidente do Clube do Otimismo. Aldo Miccolis é detentor da Medalha Nacional do Mérito Esportivo, outorgada pelo ex-presidente José Sarney. Em 2001, foi homenageado pelo Sinodo da Igreja Presbiteriana do Brasil como personalidade do milênio e recebeu da Câmara Municipal a Medalha Pedro Ernesto, maior condecoração da cidade do Rio de Janeiro. No âmbito evangélico, foi líder atuante em vários ministérios na Igreja Batista do Méier, foi o executivo da Associação dos Diáconos Batistas Cariocas, vinculada à Convenção Batista Carioca, além de pertencer aos Gideões Internacionais.

Aldo Miccolis foi casado com Mariúza Fiúza Miccolis, pai de Shirley, Rosane, Mário José e Madalena, teve sete netos e dez bisnetos. Sua esposa Mariuza, hoje viúva, é cadeirante e cantora evangélica. Até seus últimos os dias  nessa vida terrena, Aldo Miccolis continuou sendo convidado para discursar sobre o trabalho paraolímpico em universidades,colégios, igrejas, entre outros.

Aldo Miccolis participou de todas as Paraolimpíadas junto com a delegação brasileira paraolímpica.Em Pequim, 2008, teve a felicidade de viver a emoção junto a nossos atletas que defenderam nosso país brilhantemente, conquistando 47 medalhas. Aldo Miccolis foi chamado para viver ao lado do seu Senhor, em 14 de dezembro de 2009.

Para se ter uma ideia, um levantamento do Ministério da Educação apontou que existem apenas 12 mil alunos com deficiência cursando o Ensino Superior no Brasil: nada mais do que 0,2% dos seis milhões de estudantes universitários do país. Como consequência, muitos deficientes encaram o esporte como único projeto de carreira.

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