Estimativa do próprio setor, o negócio de assentos para os estádios da Copa do Mundo deve movimentar em torno de R$ 200 milhões até 2014. Nos 12 estádios que estão sendo construídos ou reformados para o Mundial, avalia-se que sejam usadas cerca de 600 mil cadeiras. O modelo adotado por empresas estrangeiras com interesse em concorrer ao fornecimento de assentos é o de parceria com marcas nacionais. Em avaliação da empresa Bluecube em junho, para a Folha, a estimativa era ao menos 20 concorrentes, entre nacionais e estrangeiros.

A brasileira Marfinite, por exemplo, resolveu disputar o fornecimento sozinha, sem parceria com grupo do exterior. A empresa já tem acordo para trabalhar com o novo estádio do Grêmio, em fase final de construção, e vendeu assentos para o estádio do Engenhão, no Rio. Em janeiro, a Folha mostrou que a Marfinite havia contratado Ronaldo e sua empresa de marketing, a 9ine, para ter “entendimento do mercado esportivo”.

Como a a fabricação das cadeiras para os estádios da Copa, no país, é isenta de tributos, empresas brasileiras especializadas em mobiliário para outros setores, como de escritório ou para aeroportos, por exemplo, procuraram parcerias com grupos estrangeiros para conseguir concorrer com chance de vitória. Foi o caso da Giroflex, que se associou com a alemã Eheim e com outra polonesa.

Durante a comemoração dos 62 anos do estádio, em junho, operários e convidados foram convocados a testar os modelos. Acostumados a acompanhar os jogos de dentro de campo ou à beira do gramado, Carlos Alberto Parreira, Alexandre Torres, Carlos Alberto Torres e Ricardo Rocha foram alguns dos que participaram do teste.

A fabricante italiana Bertele – confeccionada de fibra de vidro e instalada em blocos – desponta como favorita. Apesar de mais cara em relação às concorrentes, é a que mais agradou representantes do governo do Rio de Janeiro, incluindo o governador Sérgio Cabral. O modelo italiano ganhou o voto de Parreira.

– Testamos alguns modelos. Realmente o italiano é o melhor no que diz respeito a conforto, designer e beleza, mas também é o mais caro. Até comentei com o Pezão (vice-governador do Rio de Janeiro) que o Maracanã merece o melhor. Não se compra cadeiras todos os dias. É só uma vez – disse o ex-técnico da seleção brasileira, campeão mundial em 1994.

Além da marca italiana, a fabricante brasileira Giroflex corre por fora. A empresa nacional tem uma parceria com fabricantes da Alemanha e da Polônia e ofecere o modelo usado na Allianz Arena, em Munique, na Alemanha – palco da decisão da Champions League deste ano. Apesar de também ter agradado, a chinesa Dafeng – a mais barata – já foi praticamente descartada pelo governo.

O alto valor das cadeiras italianas pode ser o motivo do atraso uma definição sobre o assunto. No mês passado, o presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP), Ícaro Moreno, disse que até o final de junho o governo anunciaria a compra dos assentos. Até o momento, no entanto, o governo não concluiu a aquisição. Caso os valores superem os previstos na licitação de reforma do Maracanã, será necessário realizar um novo aditivo ao contrato de reforma do estádio.

Representantes da Bertele estão no Rio de Janeiro desde a última sexta-feira. Eles teriam um encontro com os responsáveis pelo Maracanã no sábado pela manhã, mas a reunião foi adiada para esta semana e deve acontecer nesta sexta-feira.

Seja qual for a marca escolhida, o Maracanã seguirá as recomendações da Fifa e terá quatro modelos diferentes entre seus aproximadamente 78 mil novos assentos: General Admission (público em geral), Hospitalidade (dentro ou fora dos camarotes), VIP e VVIP.

Enquanto escolhe a fabricante e os modelos, o governo do Rio de Janeiro já definiu as cores dos assentos. O palco da final da Copa do Mundo de 2014 terá cadeiras brancas, azuis e amarelas. Contando com o verde do gramado, formarão as cores da bandeira brasileira. Antes da obra de modernização para 2014, o Maracanã também tinha cadeiras brancas, verdes, amarelos e azuis espalhadas pelos setores.