Diante da discussão recente sobre os aspectos culturais que envolvem o Natal, parece que todos concordam que há pontos que merecem atenção. Um dos quais é o aspecto econômico muito mais ressaltado do que a essência do Natal. Tem razão quem lista as deformações encontradas na festa de Natal. Tem razão quem defende ser uma época ainda oportuna para evangelizar, especialmente em ambientes não-cristãos. Enquanto a discussão continua, percebo que há um esforço para manter a tradição do Natal. E só ocorre patrocínio quando não há espontaneidade.

Um ponto incoveniente a ser abordado é o distanciamento da igreja cristã de nossas raízes judaicas. Cabe lembrar que bispos tais como Inácio, em 110 d.C., promoveu este distanciamento e a hierarquização da igreja. A cisão da igreja cristã enfraqueceu a oriental que discordava da absorção de festas pagãs defendida pela igreja romana. As cruzadas, promovidas pelos reis cristãos, dificultaram o diálogo amistoso da igrejas cristãs em territórios muçulmanos. É bom lembrar que os judeus também desfrutavam de liberdade nas áreas islamizadas. A verdade é que nos séculos seguintes, os países europeus passaram a perseguir e expulsar os judeus, um após outro.
Muitos pregadores têm falado sobre a importância das festas bíblicas: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos. Pode ser oportuno reavaliar a posição da igreja em relação ao significado e suas possíveis aplicações. É tarefa da igreja avaliar os apectos culturais da sociedade em que está inserida. Conforme Deus dá o crescimento, penso que Ele espera posicionamento quanto aos valores culturais que estão enraizados. Muitas vezes, cultura se mescla com religiosidade. Sob um outro ponto de vista parece que tem a mesma raiz.
O Natal precisa de uma reforma na sua essência e na sua forma. Para tanto, a igreja brasileira precisa ser capacitada através de instrução libertadora. Essa é a verdadeira teologia da libertação!

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