Nosso estudo investigou hábitos de leitura, versões bíblicas utilizadas, preferências literárias e percepções sobre a influência da Bíblia entre leitores brasileiros. Foi conduzida uma pesquisa quantitativa, transversal e exploratória por meio de questionário eletrônico de participação voluntária. A amostra final compreendeu 1.014 respondentes distribuídos em todas as regiões do Brasil. Os resultados demonstraram predominância das traduções da tradição Almeida (60,9%), preferência pelo formato impresso (78,6%), elevada posse de Bíblias de estudo (77,3%) e percepção amplamente positiva da influência da Bíblia (98,2%). Os Evangelhos e as Cartas Paulinas constituíram os gêneros preferidos, enquanto o Apocalipse foi apontado como o mais difícil de compreender.
No Brasil, país cuja formação histórica foi profundamente influenciada pelo cristianismo, a Bíblia ocupa posição central na vida religiosa de parcela expressiva da população. O crescimento simultâneo das igrejas evangélicas, da produção editorial cristã e do acesso às tecnologias digitais ampliou significativamente as possibilidades de leitura, estudo e difusão das Escrituras nas últimas décadas.

As quatro versões mais utilizadas (ARC, ARA, NVI e NAA) concentram aproximadamente 79% das preferências dos respondentes, indicando predominância das traduções clássicas e amplamente difundidas entre os participantes.
Esses resultados sugerem coexistência entre traduções tradicionais e versões de linguagem contemporânea, indicando diversidade crescente nas preferências dos leitores brasileiros.
Houve associação estatisticamente significativa e de magnitude moderada entre a tradição religiosa e a versão bíblica utilizada. Os católicos concentraram-se fortemente nas traduções católicas (Ave-Maria/CNBB/Pastoral e Bíblia de Jerusalém). As igrejas pentecostais históricas mostraram clara preferência pela Almeida Revista e Corrigida (ARC). Os protestantes de missão distribuíram-se de forma mais equilibrada entre ARA, NVI e NAA. Esse padrão confirma a literatura sobre preferências denominacionais e evidencia a continuidade histórica da tradição Almeida entre evangélicos brasileiros, ao mesmo tempo em que revela a consolidação de versões contemporâneas em segmentos específicos.
Um dos principais resultados observados foi a predominância das traduções pertencentes à tradição Almeida.
Esse resultado evidencia a continuidade histórica da influência exercida pelas traduções derivadas do trabalho de João Ferreira de Almeida, cuja obra permanece como referência entre igrejas protestantes brasileiras há mais de três séculos.
Mesmo diante da expansão recente de traduções contemporâneas, observa-se que versões tradicionais continuam ocupando posição predominante entre os participantes da pesquisa.
Ao mesmo tempo, verifica-se crescimento da utilização de traduções de linguagem contemporânea, especialmente entre leitores que buscam maior fluidez textual e facilidade de compreensão.
Esse cenário sugere coexistência entre tradição e inovação editorial, refletindo transformações graduais no mercado bíblico brasileiro.
