Em 1996, eu li no Jornal Batista que o Seminário Teológico Batista de Niterói estava oferecendo curso Teológico à distância cujo diretor era o pastor Delcyr de Souza Lima, da PIB de Niterói.

Considerei a oferta inovadora e que poderia me capacitar no ensino da Palavra de Deus. O método era simples: eu recebia as apostilas pelo Correio, estudava em casa, enviava por e-mail as dúvidas para a Coordenação que respondia por e-mail e devolvia pelo Correio as tarefas para o Seminário. Após algumas semanas, recebia as correções a fazer, refazer os trabalhos, enviava as tarefas atualizadas e esperava as notas finais.

Após realizar bons estudos com boas notas em Teologia Sistemática, Geografia Bíblica, História do Cristianismo, Doutrinas Batistas, Grego, Hebraico, Novo Testamento (4 módulos), em 1999 comecei a enfrentar problemas em Eclesiologia. O professor não admitia outras formas de batismo, em circunstâncias especiais. Porém no livro texto indicado, o autor indicava circunstâncias especiais para conversão e batismo por aspersão.

Eu não sei como muitos pastores conseguiram conciliar suas crenças e práticas pessoais com a assimilação do ensino das matérias nos Seminários teológicos. Entendo que não existe ensino Superior onde a coerência do que se aprende e do que se prega é mais importante do que Bacharelado em Teologia. Por exemplo, a maioria dos Seminários tradicionais no Brasil e EUA são amilenistas. Ou seja, não acreditam no Milênio como um período de tempo cronológico ou identificável em seus marcos temporais.

Em outubro/99, passei a chocar com a visão do professor Cerqueira Daltro sobre Eclesiologia. Utilizando o livro de Floreal Ureta, demonstrei que a Missão de Cristo criou a Igreja. Entendia que a missão da igreja estava sendo perdida por conta da TMI sendo infiltrada pelos Seminários. Em 2011, escrevi o livro Missão da igreja: dimensões e efeitos para demonstrar minha tese após pesquisa com dezenas de igrejas sobre os verdadeiras dimensões da Missão.

O estudo presencial nos Seminários é preferível, sem dúvidas, mas é praticamente impossível para quem trabalha em regimes especiais de horários em Indústrias ou Empresas essenciais. Eu trabalhei na Refinaria Duque de Caxias da Petrobras de 1986 a 2002.

As matérias Teologia do Espírito Santo e Eclesiologia foram os grandes muros para a consecução dos estudos no Seminário Batista de Niterói. A coordenadora Delcinéia, assim como a professora Delcinalva de Souza Lima sempre foram muito atenciosas e dedicadas nessa forma de ensino.

Quando escrevi minha fé e prática sobre falar em línguas, a minha sentença foi estabelecida. Eu deveria mudar minha opinião e escrever conforme a Doutrina do Espírito Santo ensinada no Seminário. Ao longo desses anos, tenho visto muita influência e pouco carisma nas pregações. Passei a me dedicar ao ensino na Escola Bíblica de minha igreja local. Até que em 2009, a liderança da minha igreja precisou estabelecer um critério pois um seminarista usava brinco na orelha. Mas é outra história…

Entendi que não poderia continuar os estudos naquele Seminário após chegar em 2001. A questão ética se impôs: eu precisava ser coerente com o que praticava. Eu não poderia omitir essa crença firme. Alguém poderia contestar porque eu me mantive na Denominação Batista tradicional? A resposta mais razoável é que se trata da Denominação organizacional mais próxima das minhas convicções pessoais. Acho que todos fazemos essa avaliação e escolha estratégica pessoal e familiar.

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