PIB x construções

O concreto tem sido a fundação (literal) da expansão das áreas urbanas das últimas décadas, e é também um grande fator na redução da pobreza pela metade desde 1990, comenta Bill Gates. Inspirado pela obra do historiador Vaclav Smil, o fundador da Microsoft trouxe à tona um dado no mínimo curioso sobre as fundações das cidades da China e EUA.

Ele acredita que “a questão dos materiais – quanto nós usamos e quanto precisamos – é chave para ajudar as pessoas mais pobres do mundo a melhorarem suas vidas”.

De acordo com o livro de Smil, vivemos hoje uma “desmaterialização relativa”. Gates explica: “Na medida em que a inovação nos permite fazer um produto de forma mais eficiente, com menos materiais e energia, os preços caem e o consumo sobe. Menos metal por telefone, só que mais telefones, então mais metal no balanço final.”

A China empregou mais concreto em três anos do que os EUA usaram em todo um século. A afirmação está ancorada em dados fornecidos pela USGS. Entre 2011 e 2013, o país oriental usou 6,6 gigatoneladas do material; de 1901 a 2000, 4,5 gigatoneladas de concreto foram despejados sobre solo norte-americano (para referência, uma gigatonelada corresponde a 1 bilhão de toneladas).

Em 2009, a Arábia Saudita tinha 12 fabricantes de cimento, com produção anual estimada em 48 milhões de toneladas. As vendas de cimento da Arábia Saudita aumentaram 3% em 2014 em comparação com o ano de 2013. As vendas atingiram 57,2 M/Ton e em 2013 o resultado foi um inferior, chegando a  55.3M/ton.

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PIB x Urbanização

Nos países desenvolvidos, a urbanização ocorreu gradualmente. As cidades se expandiram ao longo de 100 a 500 anos, à medida que os empregos saíam dos campos para as fábricas. Esse ritmo permitiu uma série de tentativas e erros nas políticas e nos padrões de crescimento.

Já os países em desenvolvimento não têm esse luxo. Eles enfrentam uma migração rápida, que mexerá na proporção da população urbana do mundo. Em algumas sociedades, o percentual passará de menos de 20% (hoje) a mais de 60% em apenas 30 anos.

Países grandes que experimentam liberdade garantida, experimentaram grande urbanização. OS EUA realizaram através de grande progresso econômico. O Brasil convive com ciclos de crescimento e recessão. Outros grandes países como Rússia, Turquia, Indonésia e China tem menor liberdade de movimento mas iniciaram o processo mais recentemente.

A urbanização cria acessos a serviços melhores de telefonia, energia elétrica e água potável. Portanto, na maioria dos países em desenvolvimento, a mudança é transformadora. No Brasil, a população urbana passou de 36% em 1950 para 81% em 2000.

Mais de 80% da população brasileira já vive em cidades, segundo dados da nova edição do Atlas Nacional do Brasil Milton Santos, lançada em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a urbanização cresceu de forma desigual, abrangendo poucas cidades que concentram população e riqueza e multiplicando pequenos centros urbanos que abrigam uma força de trabalho pouco qualificada e fortemente vinculada às atividades primárias.

O demógrafo Ralph Hakkert, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada estimou que o processo explicaria 17% da queda na pobreza urbana de 1999 a 2004. Relatório recente do programa Habitat revela que 52 milhões de brasileiros (27% da população) vivem nas 16.433 favelas cadastradas.

As aglomerações urbanas e as 49 cidades com mais de 350 mil habitantes abrigam 50,0% das pessoas em situação urbana no País e detêm, aproximadamente, 65,0% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. No outro extremo, estão 4.295 municípios com menos de 25 mil habitantes, que respondem por 12,9% do PIB.

Urbanization x GDP 2012

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