Mateus 22:15-21 Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam nalguma palavra. E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens.
Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?
Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?
Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro.
E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição?
Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (em grego: Ἀπόδοτε οὖν τὰ Καίσαρος Καίσαρι καὶ τὰ τοῦ Θεοῦ τῷ Θεῷ).

 

Aqui os fariseus chegam junto com os herodianos para tentar Jesus. Herodianos eram um grupo de judeus que acreditava na cooperação com Herodes, para haver o favorecimento dos judeus, muito embora Herodes considerasse a si mesmo um deus vivo, tentando helenizar Israel, exercendo forte pressão política sobre a nação judaica e buscando corromper os costumes judaicos. Historiadores como Jerônimo, Tertuliano, Epifânio, Crisóstomo e Teófilo revelam que os herodianos criam ser Herodes o Messias, surgindo em defesa de Herodes para adquirir algum tipo de benefício. Enéas Tognini declara que “os herodianos eram um partido mais político que religioso. Eram um com os saduceus em religião, divergindo apenas em um ou outro ponto político”.

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Jesus pediu a moeda romana, provavelmente o denário (em grego: δηνάριον – dēnarion). As palavras dinheiro, em português, e dinero, em espanhol, vêm do latim denarius. Naquela época, milhares de moedas romanas foram cunhadas com a imagem de Tibério, contendo a seguinte inscrição: “Tiberius Caesar Augustus, Filho do Divino Augustus”. Foi o segundo Imperador Romano nascido em Roma e nomeado por Augusto como seu sucessor.

O imposto referido no texto era um específico… Era um imposto por cabeça instituído em 6 d.C. Um censo realizado na época (vide Lucas 2:2) para determinar quais os recursos dos judeus provocou a revolta por todo o país. Judas da Galileia liderou um grupo (Atos 5:37) que só foi detido com dificuldade. Muitos acadêmicos marcam o início do movimento dos zelotes neste evento”.

O Judaísmo era e é uma religião anti-icônica. O Cristianismo deveria ter seguido o mesmo caminho mas os homens precisam de símbolos.

Eu apresento alguns possíveis efeitos quando Jesus disse: “Dai a César o que é de “César”:

  1. Ele alertou sobre as responsabilidades do cristão em relação aos reinos do mundo. Não podemos nos eximir de nossos direitos. Não podemos escapar de nossos deveres. Os reinos do mundo precisaram de servos de Deus para alcançar a benção de Deus. Através do drama pessoal de José, filho de Jacó, Deus atenuou os efeitos de uma grande seca no Oriente Médio.
  2. Ele sugeriu a possibilidade de agirmos como filhos de Deus para influenciar os reinos deste mundo. Ele mesmo ensinou que aquilo que os discípulos ligassem na terra estaria sendo ligado no céu. Uma ideia de sincronismo ficou estabelecida. Sendo submissos, mas buscando a libertação de nossas comunidades, cidades e nações.
  3. Os homens deveriam se entregar a Deus. Nenhum rei mereceria maior fidelidade ou honra. Só Deus era digno de toda a confiança. Poderíamos entregar-lhe nossas preocupações e questões. Crer, segundo o conceito bíblico, significa você aceitar e confiar. Precisamos aceitar o plano de salvação na pessoa de Jesus Cristo e confiar nele o futuro de nossas almas. Só Deus era digno de adoração. Nenhum César era digno de receber adoração. Não poderíamos dar a “César” o que pertencia a Deus.

Tertuliano interpreta a frase de Jesus como a imagem de César, que está na moeda, à César, e a imagem de Deus, que está no homem, a Deus; dando de fato a César o dinheiro e à Deus, a si mesmo. De outra forma, o que será de Deus, se todas as coisas são de César?”

Leon Tolstoi escreveu: “Não apenas a completa falta de entendimento sobre o ensinamento de Cristo, mas também uma completa falta de vontade de entendê-lo poderia admitir este surpreendente erro de interpretação que afirma que “A César o que é de César” significa a necessidade de obedecer César. Em primeiro lugar, não faz menção alguma de obediência no trecho; em segundo, se Cristo reconheceu a obrigação de pagar o tributo e, assim, a obediência, ele teria dito diretamente “Sim, devemos pagá-lo”. Ao invés disso, ele disse “Dê a César o que é dele, ou seja, o dinheiro, e dê sua vida a Deus”, e, com estas últimas palavras, ele não apenas não encoraja nenhuma obediência ao poder, mas, ao contrário, afirma que, em tudo que pertence a Deus, não é correto obedecer a César”.

Mohandas K. Gandhi compartilhava desta visão. Segundo ele: “Jesus se desviou da questão direta que lhe foi apresentada por que era uma armadilha. Ele não era de forma nenhuma obrigado a respondê-la. Assim, ele pediu para ver uma moeda usada para pagar impostos. E então disse, com desprezo, ‘Como vocês, que negociam com moedas de César e, assim, recebem os benefícios do governo de César, se recusam a pagar impostos?’

 

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