É interessante como os jornalistas se movem para cidades ou países diante de previsões eleitorais com suporte dos grandes jornais. Ter um jornalista, político ou sindicalista pode dar uma “vantagem competitiva” para uma família ter acesso à Universidades públicas e empregos de qualidade.

Ocorre que uma massa crítica crescente com uso organizado das Mídias sociais pode trazer maior imprevisibilidade para eleições ou decisões judiciais. Apenas Institutos de pesquisa independentes podem prever e sustentar essas novas tendências.

Centro da indústria automotiva americana até os anos 80, o Estado de Michigan era um dos tijolos da muralha de proteção do Partido Democrata que ruiu diante da candidatura de Donald Trump. O bilionário foi o primeiro republicano a vencer no Estado desde 1988, ainda que por uma margem minúscula de 12 mil votos de um total de 4,6 milhões.

No cinturão da Aço, que viveu a decadência industrial americana no fim do século passado, Hillary Clinton também foi derrotada em Ohio, Pensilvânia, Iowa e Wisconsin, Estados que haviam votado em Barack Obama nas últimas eleições presidenciais, em 2008 e em 2012.

Donald Grimes, professor do Instituto de Pesquisa sobre Trabalho, Emprego e Economia da Universidade de Michigan, acredita que Trump provocou um realinhamento de lealdades nas bases partidárias e atraiu operários sindicalizados que votavam no Partido Democrata.

Segundo ele, movimento é uma repetição do que ocorreu nos anos 80 com os “democratas de Reagan”, que apoiaram a candidatura de Ronald Reagan à presidência, em 1980 e 1984. Em sua opinião, Trump tem uma retórica semelhante à adotada pelo ex-presidente, de crítica ao comércio internacional e ao governo federal. A diferença é que o alvo daquela época era o Japão.

“Há 50 anos, o Partido Democrata era o que se opunha ao livre-comércio e à imigração e tinha uma base operária. Agora, ele é o partido de profissionais liberais e da elite intelectualizada, enquanto o Partido Republicano está se tornando o partido populista dos trabalhadores”, avaliou Grimes.

Os evangélicos brancos (inclusive pentecostais e neopentecostais) votaram esmagadoramente em Donald Trump. De acordo com o jornal Washington Post, 81 por cento deles escolheram Trump e só 16 por cento escolheram Hillary.

Em contraste, entre protestantes tradicionais (presbiterianos, luteranos, metodistas, etc.), 59 por cento escolheram Hillary e só 35 escolheram Trump. Entre católicos, 52 por cento escolheram Trump e 45 por cento escolheram Hillary. Entre os judeus, 71 por cento escolheram Hillary e só 24 por cento escolheram Trump.

A candidatura de Trump levou a divisões dentro de diferentes segmentos evangélicos. O proeminente teólogo evangélico Wayne Grudem apoiou Trump, retirou o apoio e então voltou a apoiá-lo. Apesar de suas fraquezas morais pessoais (que não eram piores do que os problemas morais de Hillary e seu marido Bill), Trump continuou a receber apoio de grandes líderes evangélicos, inclusive Pat Robertson e Tony Perkins.

Ainda que Trump sempre tenha sido um presbiteriano nominal, ele e seu vice-presidente estão recebendo hoje conselho, orações e visitas regulares pessoais de líderes evangélicos, neopentecostais e pentecostais. Dá para explicar o apoio que Trump recebeu de evangélicos brancos com o fato de que eles têm profunda aversão ao ativismo pró-aborto e pró-sodomia de Hillary.

Os evangélicos negros — que representam 2 de cada 5 evangélicos americanos — também têm aversão ao ativismo de Hillary. Mas, de acordo com a revista evangélica americana Christianity Today, eles em grande parte escolheram Hillary. Entre latino-americanos (inclusive brasileiros) que vivem nos EUA, cerca de 71 por cento escolheram Hillary.

O WND (WorldNetDaily) disse que o impacto e o crescimento de minorias esquerdistas, em grande parte latino-americanas, serão sentidos nas próximas quatro décadas. De acordo com o WND, 2016 foi a última eleição presidencial em que os brancos foram maioria. Nas próximas eleições, eles serão minoria, e as novas maiorias de outras raças e suas inclinações esquerdistas prevalecerão.

trump

Antes de Trump, o presidente mais rico era o democrata John F. Kennedy (no cargo entre 1961 e 1963), que tinha acesso à renda de US$ 1 bilhão (R$ 3,2 bilhões) dos negócios financeiros e comerciais de sua família —assassinado durante seu mandato, Kennedy não chegou a herdar e controlar oficialmente a fortuna. O primeiro presidente dos EUA, George Washington (1789 a 1797) é o próximo na lista, com US$ 525 milhões (quase R$ 1,7 bilhão) oriundos da compra e da venda de terras no Estado da Virgínia.

Embora de maneira mais modesta, os antecessores imediatos de Trump também acumularam milhões. O democrata Barack Obama, ocupante da Casa Branca desde 2009, tem US$ 7 milhões (R$ 22,5 milhões) advindos de seu salário oficial e, principalmente, da venda de seus dois livros. O republicano George W. Bush (2001 a 2009) tem US$ 20 milhões (R$ 64,5 milhões) oriundos de negócios na indústria do petróleo, da venda de livros e da realização de palestras —ele também foi dono do time de baseball Texas Rangers. O democrata Bill Clinton, marido de Hillary, derrotada por Trump nas eleições de 2016, tem US$ 55 milhões (R$ 177 milhões) acumulados principalmente após ele deixar a Presidência com a venda de sua autobiografia, “Minha Vida”, e com a realização de palestras.

Trump herdou do pai a fortuna e o estilo de negociação pelo qual ganhou notoriedade. Fred Trump fez fortuna no ramo da construção civil, erguendo prédios nos bairros do Brooklyn e do Queens, em Nova York. O pai de Trump era conhecido pela boa qualidade de seus edifícios, muitos dos quais ainda estão de pé, e também por sua austeridade.

Não raro, Fred costumava terminar as obras por um valor abaixo ao do orçamento financiado pelo governo. Sendo assim, embolsava a diferença, prática que, apesar de legal, acabou levando-o a prestar depoimento a um comitê do Congresso americano. “Fred Trump sempre buscava vantagens fiscais inexploradas”, disse Gwenda Blair, autora do livro The Trumps, uma biografia da família do empresário.

Já Donald diz que foi sua a decisão de dar novo rumo ao negócio do pai. Antes focado na construção de prédios de baixo custo, com o filho, a empresa passou a se dedicar a erguer torres de luxo em Manhattan. O primeiro grande projeto de Trump foi o Hotel Commodore. Ele se associou com o grupo hoteleiro Hyatt para comprá-lo em 1976 por um preço não revelado, rebatizando-o de Grand Hyatt.

Em 1974, ele obteve a opção de comprar pátios ferroviários em Nova Iorque e depois de alguns anos com a ajuda de abatimento de imposto de 40 anos do governo, ele comprou e transformou a falida Commodore Hotel, trazendo o Grand Hotel Hyatt e também criou a organização’ Trump’.

Em 1980, ele empreendeu o projeto de construir o Wollman Rink (Pista de patinação no gelo) no Central Park de Nova Iorque após 6 anos de dificuldades e atrasos das Prefeituras. Trump se ofereceu para montar a Pista e doar à cidade. Trump completou em seis meses usando $750.000 do orçamento de US $ 3 milhões restantes.

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Donald Trump emergiu como magnata do ramo imobiliário, mas a maior parte de sua herança vem do valor de sua marca, que começou a ser construída na década de 80. A partir daí, começou a licenciar seu nome para outras empresas, ganhando fama mundial. As empresas, por sua vez, pagam royalties pelo uso da marca ao empresário.

A Trump Organization detém participações em cerca de 500 empresas em uma grande variedade de negócios que vão muito além do setor imobiliário e incluem cassinos, hotéis, serviços financeiros, desenvolvimento de jogos de tabuleiro, e até concursos de beleza.

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