Um a cada quatro adultos norte-americanos considera-se evangélico ou cristão renovado, o que concede poder eleitoral ao grupo em um país onde frequentemente política e religião se misturam.

Após décadas de domínio democrata dos votos católicos, o presidente Bush venceu entre esse eleitorado em 2000 por sete pontos percentuais, e em 2004 por 14 pontos percentuais, segundo um recente estudo realizado pelo especialista democrata em pesquisas de opinião Stan Greenberg.

Alguns democratas pediram ao partido que seja mais tolerante com os eleitores contrários ao aborto. O Partido Republicano, por exemplo, tolera uma ala que apoia o aborto, embora a plataforma do partido seja antiaborto. Greenberg recomendou na sua análise que os democratas se empenhem mais em se apresentar aos católicos como sendo o partido da classe média, enfatizando a “responsabilidade pessoal” e a dedicação à família.

O apoio à pena de morte –que tem sido importante para os candidatos que procuram conquistar os eleitores que desejam a lei e a ordem– também parece estar diminuindo entre alguns eleitores. Um estudo recente conduzido pela Zogby International revelou que 48% dos católicos apoiam a pena de morte, e que 47% se opõem a ela. O apoio à pena de morte já chegou a 68% em pesquisas de opinião passadas.

Em 2007, a pesquisa do Pew, “Cenário Religioso dos Estados Unidos”, mostrou que 50% dos evangélicos eram republicanos ou simpatizantes do partido, enquanto 34% optavam pelo partido Democrata.

Quase todas as denominações evangélicas se opõem ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, e muitas não permitem que gays e lésbicas ocupem posições de liderança, a menos que sejam celibatários.

Alguns pastores, no entanto, vêm minimizando sua pregação sobre o assunto ou abordando-o de forma cuidadosamente contextualizada, enfatizando que todos são pecadores e que os cristãos devem amar e acolher a todos.

“Os evangélicos estão percebendo que têm uma visão minoritária dentro da cultura e que, nessa questão específica, perderam a vantagem de jogar em casa”, disse Ed Stetzer, diretor-executivo da empresa de opinião pública LifeWay Research, que faz pesquisas com os evangélicos. “Eles estão aprendendo a falar com graça e jovialidade, o que os evangélicos tendiam a não fazer quando a visão deles era majoritária.”

Várias igrejas evangélicas já mudaram de posição. É o caso da Igreja da Cidade, em San Francisco, que revogou a exigência de celibato para gays e lésbicas que desejem se afiliar. Já na Igreja Ponto da Graça, do Tennessee, agora os homossexuais podem assumir posições de liderança e receber o sacramento do matrimônio.

No entanto, mesmo numa época em que a maioria dos americanos -incluindo católicos e protestantes brancos de denominações tradicionais- apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, apenas 27% dos evangélicos apoiam essa essa ideia, segundo o Centro de Pesquisas Pew Forum.

The political preferences of U.S. religious groups

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