O Instituto Paracleto realizou entre 2015 e 2016 pesquisa para verificar os valores morais e opiniões dos cariocas sobre alguns temas que estão sob discussão na sociedade brasileira com decisões de suas Instituições.

59% dos cariocas opinaram que a pobreza existe devido à falta de oportunidades de trabalho digno. A história de ocupação dos morros cariocas pelos negros após a libertação dos escravos criou um regime de segregação que recebeu poucas ações para solução a longo prazo.

Os moradores da região Norte e Oeste são mais críticos quanto à atuação sindical enquanto que os moradores da Zona Sul entendem como importantes. Esse é um ponto de destaque: o perfil da maioria dos moradores da Zona Sul pode ser de funcionários públicos que dependem do suporte sindical para manutenção de seus direitos.

Na pesquisa do Datafolha sobre valores dos brasileiros, para 61% dos entrevistados, parte da pobreza brasileira pode ser explicada pela falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida. Para 37% o problema é a preguiça de pessoas que não querem trabalhar.

A desigualdade é o fator principal na opinião dos mais jovens, e uma explicação menos convincente para os mais velhos. Na região Sul do país, 50% acham que a falta de oportunidades é o problema, e 48% culpam a preguiça.

Pobreza

Max Weber defendeu em sua tese que os países protestantes, como Estados Unidos, Alemanha, entre outros, haviam tido, graças a ética protestante, uma elevação em sua prosperidade econômica.
Com base nisso, muitos veem Calvino como um precursor da teologia da prosperidade, e parece que os próprios escritos de Calvino apontavam para essa conclusão. Até revistas consideradas cristãs parecem concordar com essa afirmação, uma delas, lançada recentemente, apesar de mostrar que não foi essencialmente por causa do protestantismo que as nações emergiram, mostra que a doutrina protestante influenciou bastante as nações que o adotaram e cita uma frase de Calvino: Deus chama cada um para uma vocação cujo objetivo é a glorificação de Deus. O pobre é suspeito de preguiça, a qual é uma injúria para com Deus”. Apesar de alguns testemunhos de historiadores, veículos de comunicação e do próprio Calvino parecerem confirmar esta tese, tal doutrina está bastante afastada da verdade.

A partir do século XIV, a situação crítica da Europa abre espaço para um discurso contra a pobreza, mesmo aquela voluntária, das ordens mendicantes. A mendicância – fossem quais fossem suas razões –  torna-se algo vergonhoso, prejudicial para a sociedade e o Estado. Miséria e culpa se associam. Considera-se, ao contrário do que se acreditava na Idade Média, que o aviltamento material compromete o progresso espiritual. O humanismo fundamenta o desprezo pela pobreza no princípio de dignidade humana. Como afirma Mollat : “O elogio da riqueza vem substituir o elogio da pobreza”.

A escalada do desemprego tem produzido um efeito adverso na distribuição de renda do país. Após anos de queda contínua, a desigualdade -a distância de renda entre ricos e pobres- voltou a crescer com força no primeiro trimestre de 2016. A tendência é objeto de estudo do professor da USP Rodolfo Hoffmann, especialista em políticas sociais, que usou dados do IBGE para estudar o impacto da falta de vagas.

Desde o início do segundo mandato da presidente afastada, Dilma Rousseff, em 2015, a desigualdade entre os que compõem a força de trabalho (desempregados e ocupados) aumentou quase 3%. É bastante para um indicador que varia pouco ao longo tempo. Nesse período, a taxa de desemprego subiu de 7,9% para 10,9%.

Em entrevista à ISTOÉ, Michael Sandel disse que a corrupção cresce e a democracia sofre na medida em que as desigualdades aumentam em uma sociedade. Para ele, o “jeitinho brasileiro” pode, alimentar um ambiente onde regras e, o que é mais grave, princípios fundamentais acabam ignorados ou atropelados. Mas existe também algo de criativo em determinadas situações que não faz dessa prática que os brasileiros admitem abertamente ter algo de natureza unicamente corrupta.

Quando se usa a esperteza para driblar algo que seja meramente burocrático, sem que se prejudique outros, sem que se coloque em xeque a liberdade ou ultrapasse os limites éticos. Esses limites, é importante dizer, não costumam estar escritos em um livro. Os contornos éticos tem de ser traçados pelo debate constante com participação da sociedade. Comprar uma camisa do time preferido não oficial, ou um filme pirata, é contra a lei no Brasil, mas muitos pais brasileiros só conseguem dar esses presentes para os filhos dessa maneira, pois é o que seu dinheiro permite. Por outro lado, avisar um amigo pelas redes sobre um caminho que evite uma blitz da Lei Seca pode ainda não ser uma contravenção, mas cria a possibilidade de colocar vidas em risco. É preciso sempre observar que o certo a fazer pode variar entre sociedades e também entre situações.