Em nossas pesquisas com igrejas na cidade do Rio de Janeiro, descobrimos que a dimensão martyria (evangelismo pessoal) é o ponto mais fraco, mesmo em igrejas que estão crescendo numericamente. Os resultados de nossa pesquisa, alguns argumentos sobre as dimensões principais de uma igreja saudável e a relação com a missão integral da igreja, publicamos em nosso livro: Missão da Igreja: dimensões e efeitos, disponível na forma digital pela Amazon.

O Movimento de oração Paz no Oriente é uma intervenção missionária. Desde 1° de maio de 2014, minha igreja me comissionou como missionário da Missão Fronteiras. Passamos a evangelizar os comerciantes da região do Saara, nas ruas do centro comercial do Rio de Janeiro. Semanalmente, realizamos reunião de interessão dirigida para o estabelecimento da Paz entre os países do Oriente, onde muitos missionários atuam sob grandes dificuldades e perseguições. Planejamos realizar uma ação evangelística pelas ruas do centro comercial do Rio de Janeiro que chamamos “Abraço da Paz”. Por favor, interceda por isso.

O carnaval é a primeira medição de forças do ano no reino espiritual no Rio de Janeiro. Convém lembrar que Jesus foi conduzido pelo Espírito para travar luta com Satanás antes de iniciar com poder Seu Ministério. As entidades que governam os terreiros, originais das Escolas de samba, recebem adoração criativa e coordenada nesses dias. O carnaval é negócio. O carnaval é assunto espiritual. O carnaval é causa e consequência moral. O carnaval é o principal evento da cidade do Rio de Janeiro.

Muitos pastores preferem realizar retiros com suas congregações. Eles questionam a importância e eficácia de evangelizar nesses dias. Em parte, eles estão certos. Muitos deles olham para suas congregações é não veem possibilidade de mobilizar os crentes para uma mudança radical. Eles acreditam mais num protesto político na Cinelândia do que um manifesto evangélico confrontando eventos culturais nocivos já estabelecidos. De certa forma, algumas igrejas sempre ganharam por pertencer a uma minoria seleta. Fazer parte de um grande grupo de igrejas não lhes faz bem. Então, permanecerão quase isolados. O tempo revelará as consequencias de sua omissão pois, geralmente, não é possível reparar o que não foi feito. Muitas dessas igrejas estão se extinguindo sem possibilidade de crescer.

Deus sabe com quem Ele pode contar nestes dias. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte. Assim brilhe a luz da igreja onde ela passa. Temos visto locais de carnaval enfraquecer e fechar. Temos visto conversões. Temos visto a boa reação da população com a nossa presença. Peter Wagner chama de evangelismo de presença.

Peter Wagner divide o evangelismo nas seguintes categorias:

  1. Evangelismo de presença – Aproximar-se das pessoas e ajudá-las, fazendo o bem no mundo. Designado evangelismo “1-P”.
  2. Evangelismo de proclamação – Apresentar o evangelho; a morte e a ressurreição de Cristo são proclamadas; as pessoas ouvem e podem responder. Designado evangelismo “2-P”.
  3. Evangelismo de Persuasão – Fazer discípulos; enfatiza a importância de não fazer separação entre o evangelismo e o acompanhamento, integrando a pessoa no Corpo de Cristo. Designado evangelismo “3-P”.

Wagner ressalta que todos os três tipos de evangelismo são importantes, mas o objetivo tem de ser a realização do evangelismo “3-P”. Poucos discordariam do fato de que o evangelismo “1-P” não pode adequadamente anunciar o evangelho ao incrédulo. De acordo com a definição do evangelismo “2-P”, o incrédulo pode determinar se os fatos apresentados são dignos de sua decisão de aceitar o evangelho. O evangelista precisa usar todos os meios à sua disposição para persuadir o incrédulo a converter-se de seu pecado e crer em Jesus, de modo que se torne um discípulo. Em suas aulas, Wagner serve-se da palavra peitho e seu emprego no livro de Atos. Ele cita Atos13:43, 17:4, 18:4, 26:28 e 28:23-24, onde peitho é utilizada como referência ao apelo evangelístico. Portanto, o evangelismo adequado é o evangelismo de persuasão.

“O testemunho é a missão central da igreja em todas as situações”. Este testemunho inclui o testemunho referente à pessoa e obra de Cristo, como também os demais aspectos da aplicação da mensagem de Cristo no âmbito completo do Seu ministério. Este testemunho é logo aplicado em parte através do serviço cristão como também no contexto da comunhão cristã. O enfoque triplo da missão é unificado em torno do primeiro aspecto de oferecer testemunho sobre Cristo, incluindo nesta definição todo o processo de discipular o ouvinte.

Orlando Costas, em Liberating news. A theology of contextual evangelization[1]amplia ainda mais a importância da mensagem do reino de Deus como fundamental para uma ação evangelizadora que percebe outras esferas da vida humana que foram relegadas pelo tipo de evangelização, representada pelo senso comum, descrita anteriormente. Ele baseia a sua argumentação sobre o legado evangelístico de Jesus, a partir do conceito de periferia, representada pela Galiléia, usando o livro de Marcos. Para Costas, a declaração resumida do ministério de Jesus é: “Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.14-15).

O evangelho é uma mensagem pública com foco pessoal para cada e todo ser humano. O evangelho é pessoal porque é público […] Onde quer que haja pessoas que não têm o conhecimento de Deus, onde quer que pessoas estejam presas em estruturas de pecado e morte e sejam vítimas de injustiça, sofrimento, opressão e pobreza, impossibilitadas de reagir, devemos encontrar ali uma arena de evangelização, e ali o evangelho deve ser proclamado, Jesus Cristo exaltado, e o poder do reino demonstrado.

As igrejas precisam distinguir estes dois componentes na proclamação do evangelho: o testemunho e a pregação. Os crentes precisam ser motivados a testemunhar onde se encontram. Essa é uma lacuna crítica: o espaço entre a casa e a igreja. Quando acontece, o avivamento se torna evidente neste espaço. Se os crentes não testemunham, não existe avivamento. O testemunho precisa ancorar na Palavra. A Palavra é causa e consequência. Isto é, os crentes necessitarão de mais conhecimento. A igreja deverá fornecer a kerygma através de seus apóstolos, mestres e profetas. A motivação para o testemunho (martyria) será provido pelos evangelistas e pastores.

Muitas igrejas fornecem a palavra kerygma apenas através de seus púlpitos. Isto torna a congregação demasiadamente dependente do pastor, o que muitos estudiosos chamam de crescimento do sacerdotalismo.

[1] COSTAS, Orlando. Liberating news. A theology of contextual evangelization. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1989.