O avião que caiu com o candidato Eduardo Campos derrubou várias coligações com possíveis repercurssões nas eleições estaduais. O PSC tinha planos de crescer em nível nacional. É provável que fique limitado por seu fundamentalismo. O PSOL tinha uma proposta de reforçar a esquerda. Marina evita a polarização que tem freado o Brasil. Marina tem a essência do melhor do PT. Isso faz tremer os cupichas do governo que estão encastelados nas Estatais, Ministérios, Autarquias e Fundos de pensão.

PSC - MarinaMais do que a disparada, Marina Silva reorganiza a identidade da campanha. As pesquisas qualitativas sinalizam isso: Marina tem cara de povo, quase um
Lula de saias; Aécio é, por vezes, associado a “doutor”. Dilma, em diversas referências, é descrita como uma “patroa brava”. É nas chamadas salas de espelho (aquele formato no qual um grupo de eleitores analisa o perfil dos candidatos com uma equipe a monitorá-los secretamente por detrás do vidro) que essas percepções são flagradas. O método não tem valor científico, mas costuma mostrar tendência e capturar sentimentos difusos. Tanto é assim que até mesmo os programas do horário eleitoral gratuito passam pelo crivo desses grupos.

O número de candidatos “abertamente evangélicos” na disputa eleitoral cresceu 45% em quatro anos no Brasil. No pleito de 2010, eram 226 e, neste ano, somam 328. Um mapeamento realizado pelo Broadcast Político com dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral buscou candidatos que usam, no nome que aparece na urna eletrônica, referências explícitas a religiões protestantes – “pastor”, “bispo” e “missionário”. A expansão desses candidatos é superior ao aumento de candidaturas entre as duas eleições, que foi de 12,5%. Houve ainda um aumento na participação dos “candidatos evangélicos” no total de postulantes. Em 2010, eles representavam 1,0% do total e, em 2014, são 1,29%.

O cientista político Eduardo Oiakawa, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), avalia que o crescimento do eleitorado e a presença de candidatos de perfil evangélico nas chapas presidenciais, mais do que em qualquer outro período, forçará um embate entre liberais e conservadores em torno das velhas questões como o aborto, casamento gay e legalização de drogas como a maconha. “A questão religiosa deve aparecer como um conteúdo forte e decisivo nas eleições deste ano. É provável que os temas morais superem até mesmo os da economia”, diz Oiakawa. Ele lembra que essas questões ganharam relevo no ano passado com a polêmica passagem do pastor e deputado Marco Feliciano pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara e prevê um confronto: “Veremos cenas de pugilato entre o Brasil conservador e o Brasil liberal”, diz ele.

Os partidos cristãos surgiram e se desenvolveram no contexto histórico do século XIX e XX na Europa. Isso não significa que antes não tenha havido grupos leigos comprometidos com os princípios e valores cristãos, nem que, após o século XX, não haja ainda partidos cristãos. Com o fim do conflito mundial em 1945, os partidos cristãos ascendem ao poder na maior parte da Europa. Várias razões podem ser arroladas para explicar esse sucesso
político. Primeiramente, os democratas cristãos se alistaram na resistência aos regimes fascista e nazista. Em segundo lugar, os partidos de direita tradicional desapareceram no período bélico, deixando um vácuo político. Em terceiro, a rejeição ao comunismo e, por último, o apoio expresso da Igreja aos partidos cristãos.

A revista CartaCapital fez reportagem, na sua edição de 12 de março de 2014, sobre a candidatura do pastor Everaldo Dias sob título “Das profudenzas” destaca que o presidenciável do PSC é contra o aborto e a união civil homossexual, e a favor da redução da maioridade penal. A reportagem lembra que o PSC foi um dos maiores beneficiários de doações do PT ,durante a campanha da eleição de Dilma Rousseff em 2010, recebendo R$ 4,7 milhões.

cand-redes-1Em referência aos pressupostos políticos do PDC, enunciados tanto nos programas quanto nos discursos, identificamos um corte quanto ao teor de sua Terceira Via: 1945/1954-5 e 1954-5/1963-4. Desde a fundação do partido até por volta de meados dos anos cinqüenta, suas posições políticas confirmaram a tese que o entende como pequeno partido oposicionista ao núcleo PSD/PTB. Se por um lado o PDC defendeu a livre empresa, por outro expunha a necessidade de intervenção do Estado na economia, aí se aproximando mais da Terceira Via de seus congêneres europeus. Era formada por militantes católicos que atuaram em organizações como a Ação Católica Brasileira e a Juventude Universitária Católica (JUC). Contava com figuras como Franco Montoro, Antônio Queiroz Filho, Plínio Santos de Arruda Sampaio entre outros. Franco Montoro, em 10 de março de 1961, expôs o seguinte na Câmara dos Deputados: “Quero levar ao conhecimento da Mesa que acaba de se constituir, nesta casa, o bloco parlamentar PR-PDC-PTN-PSB.”

Integrantes do movimento “Aezão”, de apoio ao presidenciável Aécio Neves (PSDB) e ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), reconhecem que alguns candidatos perderam o empenho em pedir votos para o tucano após resultados das pesquisas Datafolha e Ibope, que mostram Marina Silva (PSB) com maior possibilidade, no momento, de ir para o segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Agora, além de admitir que alguns correligionários começam a pular do barco, os aliados do candidato do PSDB à Presidência apontam um novo problema: a dificuldade de arrecadação depois da mudança de cenário com a entrada de Marina.

Pesquisas anteriores, realizadas pelo Datafolha, mostravam que Garotinho e Crivella estavam empatados com 24% das intenções de voto, enquanto o candidato do PMDB aparecia na terceira posição com 14%. Um mês depois o quadro político do Estado do Rio aparece diferente, mostrando esta larga diferença entre o primeiro candidato e o segundo e ainda mostrando que o candidato do PRB caiu de posição indo para o terceiro lugar.

Mas em um possível segundo turno entre Garotinho e Crivella, a diferença de pontos seria pouca, sendo 34% para o candidato do PR e 33% para o candidato do PRB. Já entre Garotinho e Pezão, o ex-governador estaria com 7 pontos a mais com 38% contra 31% do candidato do PMDB. Entre Garotinho e Lindberg Farias (PT) a diferença no segundo turno seria de 37% para 29%.