DataFolha e a Copa

A realização de 2 grandes eventos como a Copa da FIFA e as Olimpíadas expuseram nossas deficiências de infraestrutura. Parece que o objetivo secundário é mostrar que o país está sintonizado com os protestos nos países europeus.

O lado positivo é forçar os investimentos nas grandes cidades. ocorre que é uma forma de burlar a lei de responsabilidade fiscal com o aumento progressivo de suas dívidas.

O lado negativo é trazer para o campo de futebol, o debate político e eleitoral.

Com a greve de motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo, o humor dos paulistanos em relação aos protestos em geral parece ter entrado em acelerada mutação. De cada 10 moradores da cidade, 7 afirmam que os protestos geram mais prejuízos que benefícios. Seja para eles mesmos (69%), seja para o conjunto da sociedade (73%). São números altos. Em levantamentos anteriores, essas avaliações críticas nunca haviam predominado. Apesar disso, ainda há uma estreita maioria, 52%, que apoia as manifestações.

Os dados são da pesquisa Datafolha realizada em 20/05/2014, na cidade de São Paulo, no primeiro dia da greve de ônibus que tumultuou todo o sistema de transporte no município. Conforme a amostra, esses resultados são comparáveis com os de duas pesquisas de 2013. Uma feita em junho, logo após a explosão da enorme onda de manifestações pelo país, outra em setembro.

Nas duas ocasiões anteriores, o apoio dos paulistanos aos protestos era bem maior. Em junho, 89% aprovavam. Em setembro, 74%. Há, porém, diferenças entre os protestos de junho e o que começou na terça (20). No ano passado, milhares de pessoas de diferentes origens iam para as ruas com um leque diversificado de interesses: redução das tarifas do transporte, fim da violência policial, melhoria da educação e da saúde e combate à corrupção, entre outros.

Os atos de 2013 começaram sob a coordenação do Movimento Passe Livre, mas aos poucos, conforme cresciam, essa liderança ia se diluindo. A cidade parava por causa das enormes passeatas.

Agora, o protesto foi feito por um grupo específico: empregados de empresas de ônibus. O interesse declarado –frustração com um reajuste de 10% do salário– diz respeito só à categoria. E a liderança do movimento, pelo menos até agora, é clandestina, já que a diretoria do sindicato não tem relação com a greve. Outra diferença: o que faz a cidade parar não são as pessoas na rua, mas os ônibus estacionados de forma a bloquear algumas vias.

COPA

O Datafolha também investigou temas relacionados à realização da Copa do Mundo no Brasil neste ano. O dado que mais chama a atenção é o alto percentual de paulistanos que acreditam haver corrupção na organização do evento, 90%.

Os paulistanos estão divididos em relação à conveniência de fazer a Copa no Brasil: 45% são a favor; 43%, contra. Como a margem de erro é de quatro pontos (foram ouvidas 819 pessoas), trata-se de um empate técnico.

Já a condição do país para sediar o evento é menos controversa. Para 76%, o Brasil não está preparado para sediá-lo. E, para 66%, o torneio irá trazer mais prejuízos que benefícios para o país. Quando o assunto é a possibilidade de protestos durante o Mundial, porém, muitos mudam de lado. Nesse caso, 63% afirmam ser contra as manifestações.

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With drivers and cashiers of the city’s buses now on strike, the attitude of São Paulo residents towards protest in general seems to be changing.

For every 10 residents, 7 believe that protests do more harm than good, whether for themselves as individuals (69%) or for society in general (73%).

These are high figures. No previous survey has reflected such a critical view. However, a slim majority (52%) is still in favor of the protests.

The figures are from a Datafolha survey carried out in São Paulo yesterday, the first day of the bus drivers’ strike. The strike has caused widespread disruption to the city’s transport system.

Given the sample size, the latest results make for interesting comparison with two surveys in 2013: one in June, shortly after the explosion of protests that swept Brazil, and another in September.

On both previous occasions, popular support for the protests was much higher. In June, 89% were in favor, while in September the figure stood at 74%.

However, there are some important differences between last June’s protests that those that began on Tuesday.

Last year, thousands of people from diverse backgrounds took the streets, with a wide range demands: from reduction of price hikes on public transport to an end to police violence, from improvements to health and education to tougher measures against corruption, and more.

The 2013 protests were initially coordinated by the Movimento Passe Livre (Free Fare Movement), but as they increased, the organization became more diffuse. Virtually the entire city came to a halt as a result of the huge marches.

The current protest is being conducted by a specific group: employees of the urban bus system. Their demand – an improvement to the proposed 10% pay rise – concerns only them. The leadership also remains secret, as the union that represents the striking workers has not endorsed the strike.

Moreover, while last year São Paulo was disrupted by the mass movement of people, this time around the disruption has been caused by city buses parked across streets.

WORLD CUP

Datafolha also surveyed attitudes concerning next month’s World Cup. Perhaps the most striking statistic was the high rate (90%) of São Paulo residents who believe that there has been corruption of some form in the organization of the event.

Opinion is polarized as to whether the World Cup should be held in Brazil: 45% are in favor, 43% against. As the margin of error is four percentage points (819 people were surveyed), technically this can be called a draw.

Brazil’s readiness to host the event is less divisive: 76% of those surveyed believe that Brazil is not sufficiently prepared, while 55% believe that the tournament will do the country more harm than good. However, when asked about the possibility of protests during the tournament, a significant number changed sides, with 63% against. Might this represent some form of relief for the authorities? Unlikely. 76% of those surveyed also believe that the protests against the World Cup are only likely to increase.

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