O falso profeta é o pastor que agrada a todo mundo. Seu dever é dar testemunho de Deus, mas ele não vê a Deus e prefere não o ver porque vê muitas outras coisas.

Karl Barth 1Segue seus pensamentos humanos, conserva-se interiormente calmo e seguro, evita habilmente tudo quanto incomoda. Não espera senão poucas coisas ou mesmo nada da parte de Deus. Pode calar-se, mesmo quando vê homens atravancando seus caminhos de pensamento, de opiniões, de cálculos e de sonhos falsos, porque eles querem viver sem Deus.

Retira-se sempre quando devia avançar. Compraz-se em ser chamado pregador do Evangelho, condutor espiritual e servidor de Deus, mas só serve aos homens.

Sonha, às vezes, que fala em nome de Deus, mas não fala a não ser em nome da Igreja, da opinião pública, das pessoas respeitáveis e da sua pequena pessoa.

Ele sabe que, desde agora e para sempre, os caminhos que não começam em Deus não são caminhos verdadeiros, mas não quer incomodar nem a si mesmo, nem aos outros; por isso é que pensa e diz: “Continuemos prudentemente e sempre alegres em nosso caminho atual; as coisas se arranjarão”. Ele sabe que Deus quer tirar os homens da impiedade e que a luta espiritual deve ser travada. No entanto, prega a “paz”, a paz entre Deus e o mundo perdido que está em nós e fora de nós. Como se tal paz existisse!

Sabe que seu dever consiste em proclamar que Deus quis uma nova vontade, uma nova vida; mas não, ele deixa reinar o espírito do medo, do engano, de Mamon, da violência – a muralha construída pelo povo (Ez 13. 10), o muro oscilante e manchado. Ele o disfarça pintando de cores suaves e consoladoras da religião para o contentamento de todo o mundo.

Eis aí o falso profeta!