Já comentamos sobre a melhoria salarial dos chineses em relação às perdas dos países europeus. A China possui uma estratégia confuciana e, portanto, tomará medidas para o bem-estar coletivo com um pequeno grau de liberdade capitalista. A estratégia confuciana limitou a expansão da China na dinastia Ming, fechou suas portas no auge do comunismo e procura atenuar a intolerância com as etnias minoritárias e praticantes de outras religiões.

A participação do emprego na indústria de transformação nos EUA, que em 1965 era de 24%, passou para apenas 11% em 2005. No entanto, esse processo não levou à estagnação da economia americana, uma vez que a produtividade de seus trabalhadores aumentou continuamente, inclusive nos serviços. Assim, a participação da indústria no PIB americano tem permanecido estável nos últimos 50 anos. Da mesma forma, a participação do emprego na indústria tem declinado na grande maioria dos países do mundo, incluindo os latino-americanos, ao longo das últimas décadas.

Assim como em obras de construção, o foco deve ser a produtividade e não a geração de emprego. Pelo mesmo custo, podemos realizar mais serviços com o mesmo número de empregados que utilizam mais equipamentos e tecnologia. O Brasil precisa de um salto de produtividade que pode atrair mais investimentos privados.

Tudo começa com as nossas conhecidas deficiências de educação e infraestrutura. Além disso, as leis trabalhistas e tributárias que são alteradas todos os anos geram grande instabilidade jurídica e institucional. As mudanças recentes para ajudar a indústria, por exemplo, criaram um emaranhado de regras e burocracias que tende a piorar a produtividade, tamanho o esforço necessário para entendê-las.

Além disso, uma parte dos nossos empresários parece mais preocupada em fazer lobby no governo e na mídia do que em aumentar sua produtividade. Nas últimas décadas, o investimento em capital físico e a taxa de inovações tecnológicas na indústria têm sido pífios. Além disso, as técnicas gerenciais utilizadas por grande parte das empresas industriais brasileiras são bastante ultrapassadas.

Em suma, enquanto na maior parte dos países a perda de emprego industrial foi compensada pelo aumento da produtividade, no Brasil a participação da indústria no PIB e nas exportações caiu devido à estagnação da produtividade. Para reverter esse quadro o governo teria que reduzir os custos tributários, melhorar a qualidade da nossa educação e infraestrutura e parar de alterar as regras a todo o momento. Além disso, teríamos que gerar mais competição e promover a eficiência.

Baixa produtividade no Brasil impede a geração de riquezas e empregos dignos

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