Em 1800, segundo David Landes, 2/3 dos bens manufaturados do comércio mundial passavam pela China e Índia. As razões que levaram ao progresso tecnológico e industrial da Inglaterra e, após as Grandes Guerras, dos Estados Unidos são tema de discussões razoáveis, acumulativas mas não conclusivas.

linha_divisóriaPD-PED.jpgUma falácia constante é situar o Brasil junto com a China e Índia no Hemisfério Sul. Isso é o erro geográfico. A China e Índia são civilizações distintas, antigas, independentes e situadas no Hemisfério Norte. Por razões históricas, formuladas por historiadores europeus, a divisão dos Hemisférios tomou contornos entre regiões desenvolvidas e não desenvolvidas. Outros estudiosos, citam a latitude 10°, porém incluem China e Índia e outros países no Hemisfério Sul.

De fato, uma pequeno grupo de povos e nações do extremo oeste da Eurásia tomaria o protagonismo histórico de forma dramática e violenta. Outra falácia dos economistas de países ocidentais é que os baixos salários na China poderiam explicar seus baixos preços dos bens manufaturados.

Atendendo a que os preços em Portugal são 52% mais altos que na China (por causa dos preços dos bens não transaccionáveis, cálculo do Banco Mundial para 2011), o salário médio chinês compara-se a um salário português de 553€/mês.  São baixos mas já são comparáveis com o salário médio que um trabalhador recebe no norte de Potugal (850€/mês) onde a indústria exportadora está mais sujeita à concorrência internacional (têxteis, vestuário e calçado).

A China esteve fechada ao comércio internacional até 1976. Na primeira metade dos anos  1970 o grau de abertura (medido como a percentagem no PIB média entre as exportações e as importações) da China era muito baixo (3.8%) sendo inferior ao da Índia (4.5%) e menos de metade do do Brasil (8.7%).  Em 2000 é a vez de a Índia dar um forte impulso ao comércio enquanto que o Brasil, com Lula da Silva, se fecha ainda mais.

Apesar de a crise de 2007 ter penalizado severamente o comércio da  China, em 2011 o grau de abertura da China atinge 29.3% do PIB e já está quase apanhado pela Índia (27.2%). O Brasil manteve-se morto (12.3%). Em 40 anos, enquanto que a China e a Índia aumentaram o comércio internacional mais de 650%, o Brasil ficou abaixo dos 50%.

Desde 2000, a China está deixando de produzir os bens menos sofisticados (quis deixar de ser competitiva nestes produtos porque, globalmente, já podia subir os salários e enriquecer) o que tem transferido essas atividades para a Índia, Paquistão, Indonésia, Vietnã, Bangladesh, Filipinas e outros países asiáticos.
Quem está atento aos produtos que se vendem nas nossas superfícies comerciais, cada vez vê mais produtos têxteis, calçado e vestuário e baixo preço a serem de produção de um destes países e os produtos de tecnologia intermédia (máquinas fotográficas, pen drives, rádios, etc.) com produção na China.

Fonte: http://economicofinanceiro.blogspot.com.br/2012/10/porque-os-salarios-sao-altos-nuns.html/

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