Em uma tendência acelerada desde a deflagração da crise econômica no país, a parcela de lares com filhos abaixo de 18 anos cujas mães representam a principal fonte de recursos atingiu um recorde de 40% no final de 2011, segundo estudo feito pelo Pew Research Center.

Nos anos 1960, essa participação se resumia a 11%. A título de comparação, no Brasil, de acordo com o Censo mais recente do IBGE, de 2010, 37,3% das famílias são chefiadas por mulheres.

As “ganhadoras de pão” se dividem em dois grupos com fortes diferenças, disse à Folha Wendy Wang, uma das responsáveis pela pesquisa no instituto.”[Entre as ‘provedoras’] as mães sozinhas (63%) geralmente são jovens, na maioria negras ou hispânicas e de baixa escolaridade. Elas contrastam com o perfil de um grupo de mulheres que estão ganhando mais que os maridos (37%), brancas, mais velhas e escolarizadas.”

O reflexo está no crescimento da taxa de emprego delas, de 37% em 1968 para 65% em 2011. As mulheres representam hoje 47% da força de trabalho americana, como personifica Regina Redden, 56, que em quatro anos se tornou gerente de uma empresa de paisagismo no Texas. A crise, que atingiu profundamente a mão de obra masculina, levou o emprego do marido.

“As principais diferenças da brasileira de hoje em relação à de três ou quatro décadas atrás são a postura de vencedora e o consequente reforço da autoestima”, afirma a socióloga Clarice Herzog, que desde os anos 70 pesquisa o consumo e o comportamento feminino. “Hoje elas estudam, trabalham e cuidam da família.” As estatísticas oficiais confirmam a dramática transformação: elas formam 43% da população economicamente ativa (gente que está ocupada ou buscando emprego), já são maioria nas universidades (57%) e chefiam 35% das famílias, ou 21,3 milhões de lares, um crescimento de quase 9% em apenas um ano, de acordo com o IBGE.

O preço do avanço é o estresse, como declara mais da metade das brasileiras entrevistadas, em proporção superior à média internacional (49%). “Existe aqui um ponto positivo. No passado isso vinha como lamentação. Hoje é diferente: elas não abrem mão de suas conquistas e seguem com suas multifunções”, diz Clarice.

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Four in 10 American households with children under age 18 now include a mother who is either the sole or primary earner for her family, according to a Pew Research Center analysis of Census and polling data released Wednesday. This share, the highest on record, has quadrupled since 1960.

Demographically and socioeconomically, single mothers and married mothers differ, according to the Census Bureau’s 2011 American Community Survey. The median family income for single mothers — who are more likely to be younger, black or Hispanic, and less educated — is $23,000. The median household income for married women who earn more than their husbands — more often white, slightly older and college educated — is $80,000. When the wife is the primary breadwinner, the total family income is generally higher.

The implications for the stability of marriages is unclear. In surveys, Americans usually indicate that they accept marriages where the wife is the greater earner. Just 28 percent of Americans surveyed by Pew agreed that it is “generally better for a marriage if the husband earns more than his wife.”

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