Embora, os números apontem para um crescimento dos evangélicos, a pergunta que se segue é porquê ocorreu uma desaceleração em ralação ao movimento dos anos 90? Tive oportunidade de participar de um Congresso na cidade Córdoba, em 1997. As celebrações eram contagiosas com avivalistas como Carlos Annacondia e Dina Santamaria. Centenas de representantes de dezenas de países da América latina se fizeram presentes.

Qualquer movimento sócio-religioso alcança um patamar. Mas porquê uma nova onda não sucedeu? Penso que os líderes argentinos carismáticos não conseguiram capacitar novos líderes. Isso é fundamental para o sucesso de uma boa sucessão. A unidade entre líderes de igrejas e Denominações não é assunto fácil de alcançar e manter por muitos anos.

A Secretaria de Assuntos Religiosos, do Ministério das Relações Estrangeiras da Argentina, publicou no Diário Oficial da União que, em média, é fundada uma igreja evangélica por dia. Foram certificadas, somente no mês passado, 40 novos templos. A maioria eram igrejas pentecostais e, logo após, as batistas. Entre 2007 e 2011, as autorizações para abertura de igrejas de orientação evangélica alcançaram quase 90% do total de mais de 4.500 pedidos (em 2006, foram 3.600).

Mas estes dados não indicam, necessariamente, que eles são os únicos que crescem, pois há pedidos de outros grupos e seitas cristãs. Uma pesquisa realizada em todo o país pelo CONICET e quatro universidades descobriram que, em 2008, 9% da população argentina se considerava pentecostal (7,9%), os Testemunhas de Jeová eram 1,9% e apenas 0,9% é Mórmon. Mas, de acordo com os dados dos últimos quatro anos, os percentuais aumentaram.

Argentina - religiãoPor outro lado, diminuiu a percentagem de católicos, pois o estudo mostra que eles totalizam 76,5% da população, mas os “praticantes” são apenas 20%. Ruben Proietti, presidente da Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas, diz que “o aumento de evangélicos é devido ao amor que eles dedicam aos outros e a proximidade que os membros têm uns com os outros. O crescimento das Igrejas Evangélicas refletem a dedicação como apresentamos a Jesus Cristo “, disse ele.

A Igreja Católica reconhece o crescimento dos evangélicos e assume que isso é um grande desafio. O secretário da Comissão Episcopal para o Ecumenismo, padre Pedro Torres, disse que “este novo pluralismo religioso é uma oportunidade para o diálogo ecumênico,ao mesmo tempo desafiam nossas comunidades, que precisam recuperar o sentido do compromisso batismal.”

Recentemente, com alguns líderes evangélicos e católicos, Matteo Calisi fundou a Comuniòn Renovada entre Catòlicos y Evangelicos en el Espiritu Santo (CRECES). Esta foi a primeira Organização conjunta na história religiosa da Argentina e obteve um grande apoio do cardeal Jorge Mario Bergoglio, Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires, atual Papa Francisco.

O movimento C.R.E.C.E.S. , em junho de 2006, realizou um Encontro em Luna Park de Buenos Aires, onde Marcos Witt participou como líder do louvor, que provocou polêmica devido sua participação ecumênica.

É, sem dúvida, o fenômeno religioso mais ressonante da Argentina”, diz um trecho. O jornal informou que nos últimos 15 anos ocorreu um vertiginoso crescimento da diversidade religiosa no país, com o aparecimento de cerca de 700 novos cultos, na maioria evangélicos, mas também das confissões hinduístas, budistas, islâmicas e de movimentos do judaísmo ortodoxo.

O Registro de Cultos da Nação tem 2.650 entidades religiosas evangélicas inscritas, que representam um total de 4 milhões de fiéis. Segundo o autor do artigo, esse número ganha maior expressão quando levado em conta que cada evangélico é um membro ativo em sua igreja.

Essa tese é compartilhada pelo sociólogo Fortunato Mallimacci, que afirma que um de cada de dez argentinos é evangélico, e que “a ligação entre crer e participar é maior entre os evangélicos do que entre os católicos”. Outro estudioso do tema, Alejandro Frigerio, indica que os evangélicos colocam a religião a serviço do cotidiano. “Nós saímos à rua, não esperamos que as pessoas venham”, disse ao Clarín o pastor Ciro Crimi, da Federação Conselho Evangélico Pentecostal (FECEP).