Esta é a terceira postagem sobre a pesquisa sobre a percepção do carioca a respeito de desastres climáticos. Os problemas que a cidade do Rio de Janeiro enfrenta diante de desastres climáticos são compartilhados por outras cidades do Brasil.

A Revista Bio de Jan/Mar 2012, trouxe um artigo de Francisco Noel no qual relata o trabalho desenvolvido pelos cientistas do CCST, Núcleo de População (Nepo) da Unicamp, IPT, USP e Unesp que mapearam 407 áreas de risco na cidade São Paulo e advertiu que o número de dias com temporais e a expansão da região metropolitana, que deverá dobrar de tamanho em 2030, potencializam as probabilidades de inundações e deslizamentos, ameaçando sobretudo áreas pobres. Somente na capital, 2,7 milhões (30%) dos 11 milhões de habitantes vivem em favelas e outras ocupações precárias.

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Na cidade do Rio de Janeiro, as zonas norte e oeste indicaram uma concentração maior de acidentes climáticos com consequências danosas ao carioca.Perceba que mais da metade das ocorrências com acidentes climáticos, ocorreram nessas regiões.

Esse indicador revela que a zona sul recebeu obras de prevenção mais eficientes e suficientes do que os bairros mais populosos e mais pobres da cidade do Rio de Janeiro nos últimos anos.

Apesar de a Prefeitura da cidade de São Paulo ter realizado investimentos de R$ 38 milhões, em 2011, para remover famílias e concluir obras de redução do risco, apenas 15% da população que vivia em áreas problemáticas saiu dessa situação. Em 2011, 115 mil pessoas viviam em áreas sob alto risco de tragédia em razão de chuvas fortes.

“A situação ainda é bastante precária, mas o fato de a população em áreas de risco estar diminuindo é relevante”, afirma Renato Cymbalista, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Segundo ele, nas décadas de 1980 e 1990, o número [de moradores de áreas de risco na capital] só aumentava. Antes do mapeamento divulgado no ano passado, o último levantamento confiável da situação de áreas críticas  a capital era de 2003.

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Como na cidade existem cerca de 1.600 favelas e nem metade chegou a ser completamente esmiuçada pelo estudo do IPT, o problema pode se arrastar por várias décadas, segundo os técnicos. “Nós avaliamos as áreas realmente mais problemáticas”, afirma Luciana Santos, geóloga da prefeitura e conhecedora das áreas de risco. “Não devemos ter surpresas em locais não estudados.”

Terada, citando Alcántara-Ayala (2002), sustenta que a ocorrência dos desastres naturais está ligada não somente à susceptibilidade dos mesmos, devido às características geoambientais, mas também à vulnerabilidade do sistema social sob impacto, isto é, o sistema econômico-social-politico-cultural. Normalmente os países em desenvolvimento não possuem boa infra-estrutura, sofrendo muito mais com os desastres do que os países desenvolvidos, principalmente quando relacionado com o número de vítimas. A BBC BRASIL (2003) relata que o Brasil é o país do continente americano com o maior número de pessoas afetadas por desastres naturais.