Segundo o economista Andrew Francis da Emory University nos EUA, um estudo polêmico na revista Archives of Sexual  Behavior, aponta que a penicilina, e não a pílula anticoncepcional, foi o estopim da revolução sexual dos anos 60.
De acordo com a análise apresentada na revista, a mudança de comportamento sexual que marcou os anos 60 começou, na verdade, durante os tradicionais anos 50. ” O advento da revolução sexual é conhecido por ter como bases as atitudes liberais dos anos 1960 e o desenvolvimento de contraceptivos como a pílula anticoncepcional. A evidência, no entanto, indica fortemente que o uso generalizado da penicilina, levando a um rápido declínio da sífilis durante a década de 1950, é o que lançou a era moderna sexual,” observa o economista.
Como a penicilina diminuiu o custo do sexo de risco, a população começou a ter mais liberdade nas relações. O pesquisador compara este fenômeno à lei econômica da demanda e procura: quando o custo de um bem diminui, as pessoas compram mais. ” As pessoas não enxergam o comportamento sexual em termos econômicos, mas é importante fazer isso porque, assim como outros comportamentos, o sexual também responde a incentivos,” afirma o pesquisador.
A sífilis atingiu o seu pico nos Estados Unidos em 1939, quando matou 20 mil pessoas. Foi a AIDS do final dos anos 30 e início dos anos 40. O medo de contrair sífilis e morrer teve grande influência nos costumes da época. A penicilina foi descoberta em 1928 pelo médico Alexander Fleming, mas foi disponibilizada para uso clínico somente em 1941.
Com o advento da Segunda Guerra Mundial e a ameaça das doenças sexualmente transmissíveis às tropas que estavam no exterior, a penicilina passou a ser encarada como um tratamento eficaz contra a sífilis. Os militares queriam livrar as tropas das DSTs e todos os tipos de infecções, para que eles pudessem continuar lutando, disse Francis. “Isso realmente acelerou o desenvolvimento da penicilina como um antibiótico.Num cartaz da época lemos: ” Cuidado onde pisa, soldado. Proteja-se contra sífilis e gonorréia” (Ver Figura).
Logo depois da guerra, os Estados Unidos passaram a encarar a sífilis de uma doença crônica, debilitante e potencialmente fatal para um problema de saúde que poderia ser curado com uma única dose de medicamento.
De 1947 a 1957, a taxa de mortalidade caiu em 75% e a incidência de sífilis em 95%. ” Foi essencialmente um colapso,” disse o pesquisador. Confirmando sua teoria de que o sexo de risco aumentou quando o custo de sífilis caiu.
O estudo analisou dados de agências de saúde estaduais e federais 1930 até a década de 1970. A pesquisa tomou como base três medidas de comportamento sexual: o nascimento de filhos ilegítimos, o nascimento de filhos de mães adolescentes, e a incidência de gonorréia, DST altamente contagiosa.
Assim que a sífilis atingiu seus índices mais baixos, em meados da década de 1950, foi possível notar um aumento dramático em todas as três medidas de comportamento sexual de risco estudadas.
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