Atraídos por melhores oportunidades e remuneração, centenas de milhares de brasileiros que trabalhavam nos EUA, Europa e Japão retornaram ao país, eu entre eles. Além disso, o número de autorizações de trabalho para estrangeiros no país triplicou nos últimos cinco anos. Já há mais de 1,5 milhão de trabalhadores estrangeiros legais iluminando nosso apagão de mão de obra e ainda atraímos imigrantes ilegais como bolivianos que trabalham em indústrias têxteis em São Paulo e centenas de equatorianos que vivem na zona sul e central da cidade do Rio de Janeiro.

Em 10/05/2011, já postado a respeito, questionando a validade das pesquisas bem como dos interesses eleitorais comum em anos pré-eleitorais: https://institutoparacleto.org/2011/10/05/apagao-de-mao-de-obra-e-factoide-para-permitir-a-entrada-de-quase-1-milhao-de-estrangeiros-no-mercado-de-trabalho-do-brasil/

O engenheiro Wagner Victer questionou o referido apagão: “É certo que em alguns cortes específicos, até por exigências legais de registros profissionais, temos alguma restrição na oferta de mão de obra, como o caso de Engenheiros Navais, com basicamente duas ou três instituições universitárias no país com tradição na formação e também na área de marítimos mercantes onde a qualificação, ainda centralizada na Marinha do Brasil, não tem acompanhado, na mesma velocidade, o saudável processo de exigência de nacionalização da frota de embarcações de apoio e consequentemente da mão de obra, apesar de sua ampliação nos últimos anos.”

Victe lembra que “A partir de 2001, em um conceito adotado em outros países de sucesso como na Alemanha, implantamos de maneira massificada no país em diversas Instituições Públicas e Privadas a formação de profissionais em nível superior de curta duração (2 a 3 anos) que são os Tecnólogos para os diversos cortes das demandas técnicas em especial as do setor Petróleo, um corte de formação ainda pouco aproveitado…Não podemos alimentar em nosso país um discurso fraco que venha pavimentar uma “onda” para querer justificar a importação de mão de obra qualificada, o que seria um grande retrocesso para o país, além de um ato de guardiã empresarial.”

De acordo com o estudo da VAGAS Tecnologia, 36% dos aposentados inativos receberam pelo menos uma proposta nos últimos três meses, e dos 47% de aposentados ativos declarados, 80% pretendem trocar de emprego.

O movimento não é novo no país mas está em crescimento. Tem a ver com a maciça entrada de jovens profissionais no mercado de trabalho. Já abordamos sobre a coexistência de 4 gerações diferentes, algo inédito e potencialmente criativo. Os jovens precisam de mentoreamento para enfrentar decisões e rotinas sob pressão.

O Brasil ainda possui milhares de jovens desempregados, já com boa formação suficiente para o ingresso no mercado de trabalho para empresas de Tecnologia e indústrias de petróleo ou para um processo de qualificação rápida para adaptação com grande potencial e ávidos por oportunidades desde estágios até o primeiro emprego. Além disso, apesar da melhoria da formalização de empregados domésticos e outras funções, os empregos informais resistem nas grandes cidades e possibilitam o serviço para o contrabando de mercadorias e drogas.

Estima-se que até 2015, cerca de 50 mil empregos serão criados no Brasil. Ocorre que um estudo feito pela Accenture, empresa bastante moldável pela opinião de seus contratantes, reforçou a existência do tal apagão de mão de obra.  Percebe-se um aumento da admissão de estrangeiros para ocupar os melhores empregos nas empresas multinacionais. A legislação brasileira exige um salário 25% maior ao que o estrangeiro recebia anteriormente. Estranho não? Os vistos para trabalho temporário são concedidos por 2 anos, renováveis por igual período.

A crise dos países desenvolvidos está levando muitos brasileiros a fazerem as malas de volta para casa. Segundo o Itamaraty, 20% dos que moravam nos EUA e um quarto dos que moravam no Japão já retornaram desde o começo da recessão, em 2008.

Realmente, o Brasil de pesquisadores que tragam conhecimento, de empreendedores que criem indústrias para gerar empregos, de mestres que transmitam novas tecnologias.

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