A cada ano, 1,3 bilhão de toneladas de alimento são perdidos ou desperdiçados no mundo. Diante da expectativa de alguns especialistas, que acreditam que essas perdas podem ser revertidas com mudanças de padrões de produção e consumo, representantes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançaram em janeiro, uma campanha intitulada “Pensar, Comer, Preservar” para tentar estimular novas ações em todo o planeta.

Segundo o sub-secretário-geral e diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, a proposta é revelar a situação atual e apresentar modelos que foram adotados com sucesso para minimizar o desperdício. Steiner acredita que essas informações podem estimular um novo debate no mundo e uma reflexão sobre o que deve ser feito para reverter o cenário.

O representante do Pnuma lembrou as projeções que indicam que a população mundial deve passar de 7 bilhões de pessoas para 9 bilhões até 2050, o que significa um crescimento da demanda por alimentos. “Não faz sentido, economicamente, ambientalmente e eticamente, desperdiçar alimentos”, disse, destacando o impacto do desperdício e da pressão pela maior produção de alimentos sobre o meio ambiente.

“São desperdiçados também recursos como água, terras cultiváveis, insumos agrícolas e tempo de trabalho, sem contar a geração de gases-estufa pela comida em decomposição e pelo transporte dos alimentos. Para termos uma vida verdadeiramente sustentável, precisamos transformar a maneira como produzimos nossos alimentos”, acrescentou Steiner.

De acordo com dados divulgados por representantes da FAO, 20% de todas as terras do mundo já são cultivadas pela agricultura, que também responde pelo consumo de 70% da água doce do mundo. A organização também destaca que quase metade da comida descartada nas regiões industrializadas ainda poderia ser consumida. O volume de desperdício das nações mais ricas soma quase 300 toneladas por ano, quantidade que, segundo a FAO, é equivalente a toda a produção de alimentos da África Subsaariana e suficiente para alimentar 870 milhões de pessoas.

despesas_desperdicio_alimentosDiretora do departamento de Infraestrutura Rural e Agroindústrias da FAO, Eugenia Serova, defendeu uma profunda mudança nas formas de consumo e produção de alimentos. Ela lembrou que, apesar de os países desenvolverem diferentes padrões agrícolas, “todos desperdiçam comida, em maior ou menor volume”. Dados da FAO revelam que um terço dos alimentos produzidos no mundo é perdido durante os processos de produção e venda, o equivalente a US$ 1 trilhão.

Segundo estudo feito pela Institution of Mechanical Engineers, sediada no Reino Unido, cerca de 50% da comida produzida em todo o mundo é desperdiçada. Isso é o equivalente a 2 bilhões de toneladas de comida jogadas no lixo a cada ano.

O documento, intitulado Global Food; Waste not, Want not (“Alimentos Globais; Não Desperdice, Não Queira”, em tradução livre), aponta algumas razões para tanto desperdício: condições inadequadas de armazenamento e a adoção de prazos de validade demasiadamente rigorosos. Nos EUA e na Europa, metade da comida não é aproveitada.

A colheita também é um dos fatores para que muita comida seja jogada fora: a preferência dos consumidores por alimentos com um formato ou cor específicos faz com que até 30% das frutas, verduras e legumes plantados na Grã-Bretanha sequer sejam colhidos por causa de sua aparência.

Com o desperdício de comida, 550 bilhões de metros cúbicos de água são perdidos a cada ano. E o problema pode se agravar. Segundo o relatório, o consumo de água no mundo chegará a até 13 trilhões de metros cúbicos por ano em 2050. Isso representa até 3,5 vezes o total de água consumido atualmente e gera o temor de mais escassez do recurso no futuro.

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A report released on January by the Institution of Mechanical Engineers has found that between 30 and 50 per cent of all food produced around the world is never consumed by humans.

‘Waste Not, Want Not’ blames the waste on issues as diverse as inadequate infrastructure and storage facilities, overly strict sell-by dates, supermarket offers and demand for cosmetically perfect food.

Findings

The Institution of Mechanical Engineers is now calling for urgent action to tackle the problem of global food waste, to feed a growing population and reduce increasing pressure on the resources needed to produce food, including land, water and energy.

Key findings, based on previous research compiled in the report, include:

  • between 30 and 50 per cent, or 1.2-2 billion tonnes, of food produced around the world each year never reaches a human stomach;
  • as much as 30 per cent of UK vegetable crops are not harvested for failing to meet exacting cosmetic standards;
  • up to half of the food purchased in Europe and the USA is thrown away by the consumer;
  • about 550 billion cubic metres of water is wasted globally in growing crops that never reach the consumer;
  • it takes 20-50 times more water to produce one kilogramme of meat than one kilogramme of vegetables;
  • the demand for water in food production could reach 10–13 trillion cubic metres a year by 2050. This is 2.5 to 3.5 times greater than the total human use of fresh water today and could lead to more dangerous water shortages around the world;
  • there is the potential to provide 60-100 per cent more food by eliminating losses and waste while at the same time freeing up land, energy and water resources.